O Fantasma de 50 rondou o Brasil nos últimos meses. Desde que a Celeste consumou a classificação para a Copa de 2014, a lenda ressurgiu. Passados 64 anos, voltaria para assombrar o Maracanã e os outros estádios brasileiros. Tanto que esteve presente na estreia dos charruas no Mundial, no Castelão. No entanto, quem deve ter se assustado com o que viu foi mesmo o espectro. Nem sombra do melhor dos uruguaios contra a Costa Rica, espantados pela vitória por 3 a 1 dos Ticos.

Uruguai 1×3 Costa Rica: Joel “Caça-Fantasmas” Campbell derruba a Celeste

Já era sabido que o Uruguai não contava com a mesma força vista na Copa de 2010 ou na Copa América do ano seguinte. A campanha nas Eliminatórias já tinha sido sofrível, apenas com a arrancada na reta final, que garantiu um lugar na repescagem e a classificação para o Mundial. Entretanto, o time de Óscar Tabárez voltou a demonstrar o futebol desanimador de meses antes. A defesa tomava um baile do rápido ataque costarriquenho. Lugano e Godín não tinham fôlego para acompanhar Campbell, Maxi Pereira perdeu a cabeça, Cavani pouco pôde fazer sozinho no ataque. No banco de reservas, Suárez estava visivelmente abatido. Muslera não era confiável em uma bola sequer.

O resultado, é claro, tem méritos da Costa Rica. Mas também deméritos evidentes do Uruguai. Torna ainda mais difícil a classificação às oitavas de final. É lógico que as chances continuam vivas. Porém, é difícil imaginar que, jogando desta maneira, a Celeste também não será presa para Inglaterra e Itália no “Grupo da Morte”. Por mais que a volta de Suárez possa ajudar, o Uruguai também precisa de uma mudança de atitude.

Pois, se o Fantasma de 50 é uma tentativa de assustar os brasileiros, também assombra a mente dos uruguaios mais do que o necessário. O pavor passou. E até os próprios jogadores reclamaram dos comerciais que faziam referência ao fantasma. É preciso se lembrar dos que 1950 realmente deixou de herança. É preciso se lembrar de Ghiggia. Afinal, quando parecia impossível, o atacante mudou a história uruguaia. É o exemplo maior para os jogadores. E que pode estar próximo.

Durante a semana, Ghiggia se queixou de que foi esquecido para a Copa de 2014. Não foi convidado nem pela organização da Copa e nem pela federação uruguaia, justo ele, o único sobrevivente dos 22 que estiveram em campo no Maracanazo. “Não sei o que se passou, se há algum rancor de não querer que eu vá ao jogo, a verdade é que não sei de nada. Verei pela televisão”. Trazê-lo seria uma bela homenagem da Celeste e uma boa motivação aos jogadores.

E que o Uruguai não passe de fase, que não chegue à final, Ghiggia precisa estar aqui de qualquer forma. Para participar da decisão no Maracanã, ouvir os gritos do mesmo estádio (ainda que completamente diferente) que calou há 64 anos. Lembrem-se dos mitos de verdade, maiores do que aqueles que são apenas fruto da imaginação.