Só um milagre salvará o Colônia do rebaixamento na Bundesliga. Na mesma temporada em que os Bodes retornaram às copas europeias, encerrando um hiato de 25 anos longe do cenário internacional, não se sustentaram na elite germânica. Sentindo o impacto da venda de Anthony Modeste, a campanha no primeiro turno do Campeonato Alemão foi desastrosa. E, apesar de uma leve melhora com a saída do técnico Peter Stöger, rumo ao returno, a permanência parece impossível. Os alvirrubros somam 22 pontos, a oito da zona dos playoffs, faltando apenas três rodadas para o final da competição. E em um momento no qual resta apenas fecharem o caixão do Effzeh, há clubes que olham seus espólios.

O elenco do Colônia permanece com vários bons jogadores, que possivelmente não gostarão de disputar a segunda divisão. Alguns têm em seus contratos até mesmo cláusulas especiais, que diminuem o valor da multa rescisória em caso de rebaixamento. Os temores de um desmanche, ao menos, diminuem com a postura de lideranças importantes. Marco Höger, Jonas Hector e Timo Horn, três protagonistas, estavam entre os mais pretendidos. Todos eles reafirmaram seus compromissos nos últimos dias, garantindo que seguirão no Estádio Rhein-Energie, independentemente da queda à segundona da Bundesliga.

Lateral titular da seleção alemã e nome certo na Copa do Mundo, Hector não considerará uma possível valorização no Mundial. Fez o anúncio no início desta semana. Mais do que assegurar que não fará uso da cláusula de rescisão especial em caso de rebaixamento, ele renovou o seu vínculo com o Colônia até 2023 – o que aumentou seu salário, é bom frisar. Formado pelo Auersmacher, o defensor chegou ao Estádio Rhein-Energie em 2010. Passou pela filial do clube, antes de se firmar no time principal em 2012, justamente quando os alvirrubros militavam na segundona. Tornou-se uma peça fundamental da ascensão da equipe desde então.

“Tenho uma conexão muito forte e me sinto confortável vivendo em Colônia. Sou grato ao que o clube me ofereceu. Eu não teria problemas em mudar de clube depois desta temporada, mas isso não seria certo. Tive muitas conversas e pensei suficientemente sobre o assunto. A decisão é clara para mim: eu pertenço ao Effzeh e quero me manter na próxima temporada com este time, com esta torcida”, declarou. Bayern de Munique e Borussia Dortmund tinham feito propostas ao defensor de 27 anos, em rescisão que custaria €8 milhões. No entanto, ele recusou ambos os clubes por causa de seu ideal junto aos Bodes.

Dois dias depois, seria a vez de Timo Horn reiterar sua ligação com o Colônia. Assim como Hector, o goleiro possui uma cláusula especial, que prometeu não acionar. Nascido na cidade de Colônia, Horn chegou ao Effzeh quando tinha nove anos e passou por todas as categorias até alcançar os profissionais, em 2012/13. Além disso, defendeu a seleção alemã do sub-15 ao sub-23, prata nos Jogos Olímpicos de 2016, embora não tenha ganhado ainda uma chance no nível principal. De qualquer maneira, aos 24 anos, é considerado um dos melhores jovens arqueiros do país, com chão para se desenvolver ainda mais. Arsenal e Dortmund estariam interessados em seus serviços.

“O Effezeh é o meu clube e Colônia é minha casa. É por isso que eu sempre disse que posso me imaginar seguindo este caminho enquanto a perspectiva for certa. E ela está certa. Apesar de uma temporada difícil, o clube criou excelentes condições para a próxima temporada e tem objetivos ambiciosos ao futuro. Isso foi muito importante para mim. Farei melhor para retornarmos à estrada do sucesso juntos”, apontou. Inclusive, afirmou que o apoio da torcida no último domingo, quando a equipe empatou com o Schalke 04, ajudou em sua decisão. Mais notável, seu salário será reduzido na segundona – ainda que deva receber um grande bônus pelo acesso, para compensar.

Dentre os três, Marco Höger é o que defende o Colônia há menos tempo, mas foi o primeiro a oficializar a permanência, na semana passada. Nascido na cidade, não atuou pela base dos Bodes e passou por diferentes clubes até chegar em 2016, comprado junto ao Schalke 04. Aos 28 anos, o meio-campista teve papel importante na classificação à Liga Europa durante a temporada passada. E compartilhava o status de seus outros dois companheiros, com uma cláusula que diminui a sua rescisão em caso de rebaixamento.

A permanência de Hector, Horn e Höger são sinais bastante positivos a uma temporada dura ao Colônia. Ainda assim, a diretoria possui um trabalho bem mais amplo para 2018/19. Há outros bons jogadores para tentar segurar, como Marcel Risse, Leonardo Bittencourt e Dominique Heintz. Obviamente, não dá para conservar a folha de pagamentos intacta, pensando na diminuição de receitas que o rebaixamento gera. Mas a manutenção de uma base sólida pode facilitar o retorno imediato à elite.

A decisão em conjunto de tantos atletas também escancara os méritos do Colônia nos bastidores. Horn e Héctor, principalmente, poderiam seguir a um time de Liga dos Campeões, almejando também uma sequência na seleção. Preferem ficar em um clube de valor especial a eles, mas que também oferece uma estrutura de trabalho favorável. Enquanto grandes equipes germânicas perdem seus destaques de mão beijada (sim, estou falando do Schalke 04, que depois de perder Leon Goretzka, anunciou nesta quinta que Max Meyer também não renovará), os Bodes seguem com uma qualidade independente da divisão. É o que aumenta a crença de que o descenso será apenas uma passagem, diante do que o Effzeh construiu nos últimos anos.