Este texto (como praticamente todos que a gente publica aqui na Trivela) é plenamente pessoal, embora o título seja diferente do que vocês estão acostumados a ler. Então, se quiser discordar (educadamente, por favor) sobre a opinião, pode me citar nominalmente (como sempre prefiro), ao invés do site. =)

Lionel Messi. É esse o nome que você lê em qualquer texto publicado sobre a seleção argentina desde a noite de domingo. Natural que o camisa 10 seja o centro das atenções. Ele é o craque do time, ele que perdeu o pênalti, ele que não se conteve em lágrimas, ele que preferiu antecipar precocemente o adeus da seleção. Tudo cai sobre as suas costas. Mas o título que não vem à Albiceleste não se nega só a Messi. Há uma geração completa de talentos fracassados na equipe nacional. Por Di María, em especial, tenho pena por não ter sequer a chance de fazer o seu máximo quando a chance vem. Mas sinto mesmo por Mascherano, mais até do que por Messi. Por ver um esforço que nunca se recompensa, de quem deixa tudo em campo pela seleção. Quando meu time não está em campo, geralmente torço por aquela que acho a melhor história. Em 2015, queria ver a glória do Chile, apesar do caminho contestável até a final. Mas, desta vez, preferia a Argentina, até para ver o reconhecimento que alguns desses jogadores merecem. Entre eles, principalmente o volante.

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Mascherano não é o capitão de fato, mas é de direito nessa seleção argentina. De um mero coadjuvante relegado à zaga no Barcelona, o camisa 14 pode apresentar o seu melhor na Albiceleste. É o chefe no meio de campo. E o volante que está entre os melhores do mundo, mas raras vezes pode ser visto ao longo da temporada. Se a defesa da Argentina é frágil, só não é mais pela batalha que o meio-campista trava a sua frente a cada partida. Pela liderança daquele que, aos 32 anos, já é o segundo jogador com mais partidas disputadas pela equipe nacional, atrás apenas do inoxidável Javier Zanetti.

A Argentina só chegou tão longe na Copa de 2014 por causa de Mascherano. E quem se esquece do carrinho em Arjen Robben, na hora fatal da semifinal contra a Holanda? A taça não veio, mas o reconhecimento é necessário. Defensivamente, o volante fez um papel praticamente perfeito no Mundial. E se já foi uma injustiça não receber uma premiação entre os três melhores da competição, ainda maior foi por não figurar nem na seleção ideal. Já na Copa América, outra participação gigantesca. Outro fracasso no último momento.

Até que, neste domingo, a oportunidade voltasse a aparecer à Argentina. Muitos podem dizer que a bola procurava Messi em uma seleção pouco inventiva. Mas é fato que Mascherano procurava a bola mais do que os outros. Com a expulsão de Rojo, precisou ser improvisado na zaga. E teve uma atuação monstruosa para salvar a Albiceleste dos contragolpes chilenos. Na prorrogação, parecia mesmo querer conduzir o time ao gol, acima de suas possibilidades. Ia além de suas atribuições para ajudar na distribuição. Mas, na frente, ninguém conseguiu fazer sua parte.

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Já nos pênaltis, logo depois que Messi perdeu, a responsabilidade caiu justamente nos pés de Mascherano. E quem disse que ele se abalou? Pelo contrário, soltou um balaço para vencer Claudio Bravo e comemorou de maneira enérgica, como se fosse um tento no tempo normal. Mas a desgraça ainda precisava se completar, quando Biglia chutou para que o goleiro chileno defendesse.

Nas últimas horas, muito se especulou sobre uma debandada geral na Argentina. Além de Messi, outros jogadores também estariam largando a seleção, em boicote à gestão da AFA. Mascherano entre eles. Se for este mesmo o motivo, é de se aplaudir, e até mesmo de se invejar que o mesmo não possa acontecer contra a CBF. De qualquer maneira, a decisão encurta a carreira de grandes jogadores no futebol internacional, e até coloca em risco a empreitada da Albiceleste rumo à Copa de 2018. Neste sentido, Mascherano deve fazer até mais falta do que Messi. É o líder que se perde. É o cara que se esfola e serve de incentivo para outros se esfolarem. É o coração do time, que, no fim, vê a sua recompensa em vão.

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