O Palmeiras investiu R$ 50 milhões em dois atacantes, e nenhum deles inspira confiança absoluta do torcedor alviverde. Borja e Deyverson têm muito a provar em 2018, mas, para isso, precisam de paciência, tranquilidade e paz. Essa é a opinião de um especialista do assunto. Evair sabe como poucos o que significa ser atacante do Palmeiras. Em conversa com a Trivela, fez um breve balanço sobre o ano do clube: as decepções, os técnicos e os candidatos a artilheiro.

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Dois jogadores que também são atacantes, como você era, mas são bastante criticados pela torcida: o Borja e o Deyverson. O que você acha deles?

São jogadores que vieram de outro país. Precisa ter paciência com eles, continuar acreditando no trabalho deles, porque já foi investido o dinheiro, e é preciso que eles tenham um pouquinho de paz para continuar. Deixa o torcedor e a imprensa falarem. Eles são jogadores do Palmeiras.

São bons jogadores?

Acho que eles rendem mais. Não posso garantir que vão suprir todas as necessidades do Palmeiras, mas é preciso dar confiança e passar tranquilidade a eles.

Como você viu o ano do Palmeiras?

Como todo palmeirense, como todo torcedor, vi de maneira até melancólica. Esperávamos tanto desse time e não vieram os títulos. Mas sabemos que o Palmeiras tem suas obrigações e, com certeza, em 2018, terá que correr atrás dos títulos e das conquistas, porque faltou muito este ano.

De fora, qual você acha que foi o problema?

Acho que vários setores não funcionaram. O Palmeiras começou o ano, contratou bastante, mas perdeu um homem que estava fazendo uma diferença muito grande, o Gabriel Jesus. O Moisés, em fase muito boa, se machucou. Vitor Hugo foi embora, então teve dificuldade em outro setor. Depois, trocou de treinador. São situações que a gente imagina que tenham influenciado para o Palmeiras não ter sido um time vencedor como se esperava.

Acha que o Palmeiras contratou demais? É uma das críticas que geralmente se faz.

É preciso ter uma administração muito boa de um elenco inchado, ter um treinador que saiba motivar todos. No futebol sul-americano, é preciso ter um grupo unido. Não se ganha como o Real Madrid ou o Barcelona, só com profissionalismo. Não adianta. Isso é coisa de sul-americano, o brasileiro é assim. Quando não houver isso forte dentro de um grupo, as dificuldades aparecem.

O Cuca arriscou demais a imagem dele com a torcida do Palmeiras ao voltar tão rapidamente depois de ter saído?

Não. Acho que nem deveria ter saído. Deveria ter continuado. Mas isso de se preocupar com o nome não passa na nossa cabeça de ex-jogador, de quem quer ser treinador. O que você precisa mesmo é ter na sua mente o que você quer, como treinador, como jogador. As coisas ficam para trás, o torcedor não vai esquecer. Tem a perder? Tem, mas você precisa continuar sua vida, continuar buscando oportunidades.

O que você achou do trabalho do Alberto Valentim?

Até poderia ter tido continuidade. É um cara da casa, que está ali buscando seu espaço. Conhece bem o Palmeiras, sabe como funciona. Lógico que, em dez jogos, se vai bem em todos, com certeza continuaria. O futebol coloca dessa maneira. Tem que ter resultados.

O que foi bom e o que foi ruim no trabalho dele?

Não posso analisar como ele escalava, como era o treino, porque foi muito rápido e estou de fora. Só posso analisar o que vi em campo. Em determinados momentos, teve méritos grandíssimos, em determinados momentos, não. Apenas não teve a oportunidade de ter a tranquilidade de dizer “vou continuar”, isso talvez tenha prejudicado um pouco.

O que achou da escolha do Roger para ser o técnico do Palmeiras?

Havia poucas possibilidades. E dentro dessas poucas opções, o Roger era um das que tinha capacidade.