Tony Blair governou o Reino Unido durante dez anos e, nesse período, ficou obcecado por uma ideia que revolucionaria o futebol da ilha: a união das ligas da Escócia e da Inglaterra. Segundo ele, essa ideia frequentemente ventilada, mas que nunca recebeu apoio concreto das equipes, nem chegou perto de virar realidade, seria uma boa maneira de manter as culturas dos dois povos interligada.

LEIA MAIS: O que o futebol tem a ver com o referendo de independência da Escócia

Na política, a Escócia tem uma vocação separatista, embora no último referendo sobre o assunto em 2014, a independência tenha sido derrotada nas urnas, mas segue em busca de mais autonomia em relação ao poder central de Londres. Uma pauta que o trabalhista Blair afirma ter apoiado durante seu mandato como primeiro-ministro britânico, entre 1997 e 2007.

A entrevista foi dada à BBC na ocasião dos 20 anos de outro referendo, quatro meses depois de Blair levar o Partido Trabalhista a uma vitória acachapante nas urnas, que resultou na criação do Parlamento Escocês, em Edimburgo, dois anos depois. O político, porém, acha que uma seleção britânica seria ir “longe demais”.

“Eu sei que soa estranho, mas, na época, eu era bem obceado com a ideia de, por exemplo, unir as ligas da Inglaterra e da Escócia”, disse. “Eu sempre achei que deveríamos buscar maneiras de garantir que as pessoas sentissem uma conexão”.

A primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, não gostou das declarações do torcedor do Newcastle. “Eu sempre disse que Tony Blair não entendia realmente a Escócia”, afirmou. “E talvez a ideia de que deveríamos ter fundido as ligas de futebol é apenas evidência do quão pouco ele entendia a mentalidade escocesa. As ligações culturais, familiares e sociais entre a Escócia e o resto do Reino Unido são fortes, são profundas e sempre durarão”.

A ideia mais forte nesse sentido seria que Celtic e Rangers disputassem as ligas inglesas, como fazem algumas equipes do País de Gales, como Swansea e Cardiff.