[Exclusivo] Alex: “É a hora de tomar a CBF de assalto”

Por Bruno Bonsanti e Ubiratan Leal

Na sua camisa, lia-se “vivendo como James Dean”, acima de uma foto do irresponsável ator que morreu jovem em um acidente de carro e brilhou no filme Rebelde Sem Causa. Tudo que Alex não é. Ele se rebela, por meio do Bom Senso e das suas declarações, com um objetivo claro: melhorar o futebol brasileiro. Os pés pagaram as contas desde que estreou pelo Coritiba, em 1995, mas é na cabeça sensata que reside o seu grande trunfo. Depois de usá-la para fazer gols e dar passes geniais, ela agora serve para fazer análises e articular o movimento que acabou de completar dois anos de vida, enquanto aguarda o momento certo de passar suas ideias como treinador.

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Fala sobre tudo, da crise da Fifa à do Coritiba. Conta histórias da Turquia, do Cruzeiro e do Palmeiras. Critica dirigentes que mentem, que fogem, que se escondem e agradece aos que estão abertos a conversar. Antes de começar a entrevista exclusiva com a Trivela, comentou até a aproximação da presidente Dilma Rousseff com o seu correspondente turco Tayyip Erdogan. Sempre equilibrado, o tom manso com que pronuncia as palavras distrai do conteúdo contundente e firme das suas declarações.

“É hora de tomar a CBF de assalto”, afirmou, sobre a fragilidade da entidade, cujo ex-presidente  está prestes a viajar algemado e sob custódia do FBI da Suíça para os Estados Unidos. O atual não arrisca nem  uma visita rápida à padaria. “O principal problema é que quem comanda sabe que está comandando errado, sabe o caminho que tem que ser seguido para melhorar, mas não quer mudar”, completa. Diante desse cenário, Alex confia que a Primeira Liga, projeto tocado por clubes grandes de Rio, Minas Gerais, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, será chancelada e pode ser o embrião de uma liga nacional.

O estilo de Alex, além de camisetas com ex-estrelas de Hollywood, trocou a chuteira pelos óculos para observar melhor o jogo como comentarista da ESPN Brasil. O próximo passo será acrescentar uma prancheta e um apito enrolado no pescoço. Desde a época em que era jogador de futebol profissional, imagina-se como treinador no futuro e começará em breve a fazer os cursos da CBF, licenciados pela Fifa, para conseguir as suas credenciais. O pontapé inicial dessa nova carreira ainda é incerto. Quer ter tempo de ver o filho jogar futsal, a filha dar raquetadas em bolinhas de tênis e ir a festas de aniversário antes de ocupar a sua cabeça com esquemas táticos.

Trivela: Como que está a vida de comentarista?

Alex: Eu não me sinto comentarista. Acho que comentarista é o Paulo Calçade, um cara que estudou a vida inteira e fala de futebol de uma maneira teórica muito próxima da prática. Sou um cara que fala de futebol, como estou falando com você aqui, que teve uma oportunidade na televisão. Fui convidado, achei legal, e vou lá expressar minhas opiniões. Acho que seria prepotente da minha parte dizer que sou comentarista.

Trivela: Muito jornalista tem preconceito com comentarista jogador. Acha que não se prepara para fazer aquilo. Mas você é um cara que está acompanhando, não é simplesmente um palpiteiro. Como tem sido acompanhar futebol agora que parou?

Alex: A única diferença é que antes eu ficava muito preocupado com quem eram nossos concorrentes. Isso começou com o Felipão e depois foi lapidado pelo Luxemburgo. Quando eu jogava no Palmeiras, eu sabia quem concorria com a gente. Que o Vasco, o Corinthians e o Cruzeiro eram fortes. Sempre dividi em três blocos: quem briga em cima, embaixo e o intermediário. Quando voltei ao Coritiba, a intenção era brigar no bloco intermediário, mas, em dado momento, percebemos que era para baixo. Minha preocupação era saber qual era meu campeonato. É uma ilusão que todo mundo passa que todos os times podem brigar pelo título. O Coritiba fez isso este ano. Um diretor falou que lutaria pelo título brasileiro, mas não vai lutar. Quem conhece um pouco de futebol sabia que a briga era da 12ª posição para baixo. Mas vendem tanta ilusão para o torcedor que você fica taxado de prepotente por dizer o que pensa. A história do Palmeiras é gigante, um dos maiores clubes do mundo, mas ano passado brigaria embaixo. Todo mundo via isso. O Palmeiras só escapa da segunda divisão quando entende que está brigando embaixo. Tem que separar o time do clube. Era dessa forma que eu via quando era jogador. Hoje, vejo de uma maneira geral. Quem são os melhores times, os que vão brigar embaixo, quais podem ter uma evolução ou não. Quais jogadores vivem um bom momento, quais pararam no tempo e por que pararam no tempo. Sem a preocupação de ter que ganhar, de como vamos marcar esses caras.

Trivela: Assim é mais fácil.

Alex: Aqui é mais fácil. Você não ganha, não perde. Não tem pressão. A única coisa, que é um ledo engano do torcedor, é que ele acha que o comentarista protege A ou B. Mesmo como jogador eu já não via isso. Quem está falando tem uma opinião. Pode até ter o clube dele, mas não é bobo de falar bem desse clube quando a situação for ruim.

Trivela: Às vezes incomoda você ter que criticar jogadores que até outro dia jogavam no seu lado?

Alex: Não. A crítica que incomoda o jogador de futebol não é a esportiva, é a pejorativa. “Fulano está dormindo em campo, fulano tem um comportamento ruim fora de campo e por isso não rende dentro”. Temos que procurar entender por que o jogador não está rendendo bem. Pode ser por causa dele, por culpa do companheiro, porque o adversário está marcando bem. Aprendi que eu tinha três formas de não jogar bem: eu não joguei nada, o que às vezes acontece; meu time não me ajudou a jogar bem, porque, como meia, eu dependia muito dos meus volantes, dos meus laterais; ou o adversário teve um mérito muito grande de me marcar bem, tirar todas as bolas. Eu fui taxado de que dormia em campo, não vibrava, não participava. Era um ledo engano de quem estava vendo. Eu participava da minha maneira, vibrava da minha maneira e estava atento a tudo que acontecia. Pensando nos grandes nomes, se o Messi, um dos maiores que temos, passar três jogos sem fazer gol ou achar alguém que faça, falam que ele não é mais o Messi.

Trivela: Na pior temporada que ele teve recentemente, fez 40 gols (41, na verdade).

Alex: E foi ruim, os caras acharam ruim. Quando você tem um jogador que é media cinco, ele vai sempre jogar nessa média cinco. No dia que fizer uma média sete, ele será valorizado. Quando fizer uma média quatro, vai mudar pouco para ele. Mas o cara que é decisivo, quando passa duas ou três rodadas sem ser decisivo, o nível dele caiu. Se o nível dele subir, sobe apenas um pouquinho. É o caso do Robinho do Palmeiras. Ele veio para ser coadjuvante. Quando voltou a ser o Robinho só participativo, sem ser decisivo, falaram que ele caiu de produção. Mas ele jogou acima do que era esperado por todos. Robinho, como coadjuvante, será super importante para todos, mas nunca vai ser o decisivo. Exemplo clássico de um cara que todo torcedor queria e nunca foi decisivo é o Zinho. Nunca foi o melhor jogador do campeonato, o artilheiro, mas era o organizador.

Trivela: E o Zinho demorou para ser reconhecido. Em 1994, teve a história da enceradeira.

Alex: Mas porque as pessoas olhavam assim. Em 1987, no Flamengo, no time que tinha Renato Gaúcho, Bebeto e Zico, ele já tinha sua importância. Não para fora, porque para fora importa a plasticidade, mas ele era importante para o Carlinhos.

Trivela: E acabou só sendo reconhecido por esse lado participativo no final da carreira, por Cruzeiro, Grêmio…

Alex: Ele só foi reconhecido por esse lado participativo quando as pessoas começaram a falar em participação. No Brasil, é o “time do fulano”, não é o time. É o time do Edmundo, do Evair. Quando, na verdade, é o time de todos. Todos têm que participar de alguma forma. O cara que é decisivo precisa de alguém para ele conseguir ser decisivo. Não existe jogador decisivo em time ruim. O Ricardinho no Corinthians é outro exemplo. O decisivo era o Luisão, o Edílson, o Marcelinho Carioca. Ele era o da participação, o que colaborava, o que organizava. É menos importante que o Marcelinho? Não é, mas não aparece tanto. É o caso do Robinho no Palmeiras e comigo no Coritiba. O decisivo era eu, mas, para mim, o jogador mais importante do time era ele. Esses jogadores fazem dois, três gols seguidos, e depois ficam sem fazer gol por duas ou três rodadas e são criticados. Mas aquilo era um bônus. O Robinho voltou contra o Fluminense e, enquanto esteve bem, se movimentando, o Palmeiras dominou o jogo.

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Trivela: Depois que ele saiu, foi outro jogo.

Alex: Até com ele em campo, mas já caindo fisicamente, sentindo o tempo que ficou parado, ao mesmo tempo em que começa a surgir a figura do Gérson no Fluminense, fazendo o que Robinho estava fazendo, e o jogo se inverteu. A valorização tem que ser de conjunto, não de individual. Quando vem a crítica, se a crítica for em cima do que o atleta faz dentro de campo, ele não vai se ofender. Se um cara for ruim tecnicamente, você fala que ele tem dificuldades técnicas, mas traz benefícios de outra forma. O Amaral, do Palmeiras, não tem técnica para dar, mas ele tem poder de marcação, vibração, posicionamento tático. Se focar apenas na parte negativa, ele pode ficar chateado, porque ele também tem um lado positivo. Vivi isso com o Galeano. Era um time todo técnico, e o Galeano fugia disso, mas tinha a participação dele.

Trivela: Você falou do Robinho, do Palmeiras. Quando ele foi contratado, houve muitas contestações, mas você defendeu a contratação dele. Parece que estava certo.

Alex: Eu defendia porque é um cara que trabalha muito, muito dedicado, preocupado em fazer a vida dele como atleta. Ele quer marcar uma época, não quer passar o tempo. Teve a chance no Santos e não conseguiu jogar. Tinha uma vida pessoal atribulada naquele momento. Quando consertou a vida fora de campo, e voltou a jogar futebol, ele marca (época) no Avaí, no Coritiba. Apesar de ser questionado pela torcida do Coritiba, ele foi muito importante. Eu apostava nisso. Meu único medo era que ele fosse colocado como camisa 10, o decisivo, porque isso ele não é. Mas vai colaborar com todo mundo, vai puxar os caras para cima, vai correr e se entregar. Acredito muito na história dos clubes. A maneira como ele joga se encaixa no que o palmeirense gosta. É tecnicamente bom jogador, um cara vibrante, faz seus gols. Acho que hoje ele já é um jogador do Palmeiras. O palmeirense já entendeu.

Robinho, apoiado por Alex, acabou fazendo dois golaços em Rogério Ceni

Robinho, apoiado por Alex, acabou fazendo dois golaços em Rogério Ceni

Trivela: Tem também o ex-jogador que fala que o jornalista precisa ter jogado bola para comentar.

Alex: Eu discordo disso. De futebol, todo mundo entende um pouco. Agora, para saber o que fazer com um time de futebol tem que estar dentro de campo. Cadeira de faculdade nenhuma oferece isso. Um jornalista sem experiência de campo não sabe se o treino tem que ser mais forte, mais fraco, se tem que treinar de manhã ou de tarde, quando tem que dar folga para o jogador. Jornalista pode acompanhar treino todos os dias, mas não conversa com o jogador, não sabe a condição, o sentimento dele. Hoje em dia, tem jornalista que fala que os caras reclamam de jogar muito. Se fosse só jogar, ótimo. Os jogadores mais antigos dizem que na época deles se jogava mais. Sim, mas eles corriam três, quatro quilômetros. Hoje, correm 12, correm 13. Antes, jogava-se regionalizado. Eram 100 times, mas dentro da sua região. Hoje, se o Fortaleza ou o Remo sobem, próprio Sport, ou a Chapecoense, lá no lado da Argentina, é foda. Os caras da logística precisam trabalhar muito bem. A Chapecoense não sabe se pega ônibus até Florianópolis, briga com o tempo. Jornalista entende de futebol, acompanha muito, estuda muito. Tem essa coisa de dizer que jogam no 4-2-3-1, no 4-4-2, mas, se der para esse jornalista uma bola e 22 coletes, que tipo de situação ele vai oferecer? O que ele vai fazer na hora de sair da teoria e colocar na prática? Comentaristas como o Mario Sérgio podem falar de todos os lados. Ele jogou bola para cacete, foi treinador, diretor e hoje é comentarista. Tem visão de todos os lados. Por mais teoria que você tenha, a prática oferece muita coisa. Se você me der uma bola e 22 coletes, eu tenho algumas ideias na cabeça, mas, para saber como executá-las, preciso colocar no papel, trocar ideias com uns amigos, porque não é tão simples ser treinador e passar ideias para caras com cabeças diferentes, educações diferentes.

Trivela: Você já pensou nisso?

Alex: Sim. Diariamente. Troco ideia diariamente com esses caras.

Trivela: Mas em você ser treinador?

Alex: Várias vezes. Mesmo quando jogava, e agora como ex-jogador e comentarista.

Trivela: O que te impede de tentar neste momento?

Alex: Nada me impede. Eu só quero viver a minha vida como estou vivendo. Perdi aniversário de filho, casamento de irmão, perdi fim de semana com a família. Hoje, eu quero ter isso com eles. Quero ver meus filhos. Tenho a condição de ver minha filha jogar tênis e meu filho jogar futsal ao invés de ficar preocupado em montar um time. Minha vida é muito tranquila. Este mês vou ter uma correria por causa da biografia, mas é tudo muito bem definido. Posso virar para a televisão e falar que não posso porque tenho o aniversário da minha filha. Como jogador, era “papai está trabalhando”. A vida de jogador de futebol não é simples, e a de treinador é mais difícil ainda. O jogador treina e vai para casa. Cuida dele. Tem que se alimentar, descansar e treinar. Treinador tem que deixar você que está no banco de reservas satisfeito. Tem que cuidar dos burburinhos de vestiário, fazer projeção dos adversários. Tem que se prevenir de uma possível derrota. Tem que aguentar nós da imprensa com perguntas que fogem do cotidiano. Um dia desses, o Levir Culpi teve que responder a um jornalista que perguntou por que ele estava dando folga aos jogadores depois de uma derrota para o Sport. O que que ele tem a ver com as folgas do elenco? Levir está no futebol desde a década de sessenta, o jornalista tem 25 anos. O que ele entende sobre dar ou não dar folga?

Trivela: Ver sua filha jogar tênis, ficar mais próximo da sua família, foi isso o que mais pesou na sua decisão de parar de jogar? Você poderia ter jogado até os 40 anos.

Alex: Fisicamente, eu poderia. Mentalmente, não mais. Sempre fui o decisivo, desde os 20 anos. O Palmeiras tinha um monte de jogador consagrado e eu era um menino de 20 anos, mas eu era o decisivo. Fui o artilheiro da Mercosul, fui importante na conquista da Libertadores. Posso não ter feito gols na final, mas no caminho para chegar a ela, fui muito importante. Fui decisivo no Palmeiras, no Cruzeiro, na Turquia, no Coritiba, nesse meu retorno. Mas eu tinha 37 anos, e os caras estavam me cobrando para ser decisivo como era antes. Eu poderia estar no Coritiba este ano e ganhar dois, três jogos, mas não seria mais tão decisivo. E não temos cultura para entender isso. “Fica, Alex, e joga só 20 minutos”. Não funciona assim no Brasil. O Zé Roberto pode jogar porque não é decisivo, é jogador de complemento. Enquanto tiver saúde física, pode jogar.

Eu joguei o Campeonato Paranaense, fiz dois jogos bem pegados e percebi que meu poder de decisão não era tão grande. Percebi que havia chegado meu momento. Não conseguia mais fazer o que fazia antes. Sempre tive uma jogada, na qual recebia do volante, tentava dominar de frente para o meu ataque e partia. Sempre parti em condições melhores que o meu marcador. Quando essas condições, eu com 37 anos e meu marcador com 20, começaram a se igualar, não dava mais. Eu sempre ganhava mais do que perdia, 60 a 40, e precisava de uma bola para ganhar o jogo. Cada ano eu teria um ano a mais, minha condição física diminuiria, e os marcadores teriam 22, 23, chegariam ao auge deles. Antes que me parassem, porque isso acontece no Brasil, eu parei jogando bem. Poderia ser titular do Coritiba hoje em dia ou em outras equipes do Brasil. Não teve nada a ver com a família, ela poderia esperar um pouco mais. A partir do momento que eu paro, porém, quero viver com a minha família. Não preciso encontrar um fato novo para ficar fora de casa.

Trivela: O ano passado do Coritiba foi difícil. Ficou zona de rebaixamento e conseguiu escapar, até com uma rodada de antecedência. Teve aquele jogo contra o Bahia. Como foi toda essa campanha?

Alex: O Coritiba passa por dificuldades políticas desde 1989. Isso é um fato. Quando o Coritiba não foi a Juiz de Fora jogar contra o Santos e, no meu modo de ver, a CBF dá uma canetada, e o clube cai de divisão na Justiça, começa a ter problemas internos. O Coritiba cai para a terceira divisão. Retorna para a segunda. Sobe em um ano que subiam 12. Em 1993, cai de novo, naquele campeonato que caíam 20. Entre 1989 e 1993, sobe e desce uma ou duas vezes. Em 1994, joga a Série B e quase sobe. Em 1995, eu surjo. Jogo o primeiro ano da Série B e subimos junto com o Atlético Paranaense. E o Coritiba joga de 1996 até 2006. Cai. Sobe em 2007. Joga 2007, 2008 e cai em 2009. Era terra arrasada. O Coritiba fez 100 anos e ninguém queria assumir o clube. Aparece a figura do Vilson (Ribeiro de Andrade, ex-presidente). De fora do clube, do mundo corporativo. Foi a ideia que ele vendeu, que não era real. Ele trabalhava no clube na década de oitenta. Traz a figura do (superintendente de futebol Felipe) Ximenes, e eles começam a montar um time para evoluir. Esse time ganha a segunda divisão com o próprio Ney Franco. Fazem a final da Copa do Brasil em 2011 e 2012. Eu volto quando eles tinham acabado de perder a decisão de 2012 para o Palmeiras, em setembro. Pego um Coritiba arrumado, as coisas funcionando bem, e brigando para não cair de divisão. Nos salvamos nas últimas rodadas. Entra 2013 com uma perspectiva muito boa. Apostam em um treinador novo, o Marquinhos Santos, eu havia retornado, houve a confirmação do Deivid. Logo no início de 2013, perdem o Éverton Ribeiro para o Cruzeiro, mas monta-se um bom time. Somos campeões paranaenses e fazemos um bom início de Campeonato Brasileiro.

Alex, pelo Fenerbahçe (Foto: AP)

Alex, pelo Fenerbahçe (Foto: AP)

Trivela: Foi o último time invicto a perder.

Alex: Sim. Lideramos seis ou sete rodadas e começamos a ter um problema: os jogadores foram saindo. Escapamos na última rodada, em Itu, contra o São Paulo. Mas começam os problemas para 2014. O presidente, em um jogo contra o Criciúma, chama os jogadores de vagabundos, e aquilo mexe muito com o grupo. O Tcheco assume no final, no lugar do Péricles Chamusca, e o discurso era de ficarmos quietos e devolvermos para o presidente depois. E já começa a ter problemas salariais. Então, 2014 começa no jogo contra o Criciúma, em 2013. Começa o Campeonato Paranaense de 2013, chega o Dado Cavalcanti e lhe é dado um time. No meio do Paranense, ele começa a perder jogador atrás de jogador. Lincoln sai para o Bahia, William para o Cruzeiro. A discussão salarial começa. Chico sai para a Turquia. O auge do problema foi em uma semana de Atletiba. O pessoal decidiu entrar com uma faixa no campo: “Cadê o presidente? ”. Porque ele vinha nos programas de São Paulo, no SporTV, na ESPN, e vendia um discurso de boa administração. Nesse momento, havia uma discussão grande do Bom Senso com os clubes, e o Vilson era o presidente da associação de clubes. A MP 671 começa a ser discutida naquele momento. Tanto que eu pedi para não me colocarem nessas discussões. O Paulo André e os executivos do Bom Senso iam para as reuniões.

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Existia uma briga, uma distância enorme entre a diretoria e os jogadores. O auge foi essa faixa. Compramos uma briga fodida, e o desgaste para mim era muito grande. Eu era da casa, era um grande nome que tinha feito história fora e estava voltando. Sou indiretamente envolvido na política do clube porque sou casado com a filha de um ex-presidente, conheço muita gente, sou muito preocupado com a evolução do clube. Curitiba é uma cidade muito pequena. Fiquei muito ligado a isso. Falavam que meu rendimento havia caído porque eu estava envolvido com política e com o Bom Senso. Nunca perdi cinco minutos com nada disso. Eu era voltado a jogar futebol 24 horas por dia. Volto àquela discussão: meu rendimento era ruim perto da minha carreira, mas, dentro do time, eu era o melhor. E questionado não pelo meu momento, mas pela minha carreira. Eu já não tinha condições, com 37 anos, de manter a média que eu fazia com 29, 30 anos. Decido parar quando perdemos para o Maringá, em maio. Cheguei em casa e falei que havia parado, não jogaria mais bola. Minha mulher tomou um susto, minhas filhas adoraram a ideia e meu filho ficou puto comigo. É o mais novo, ama futebol, e me chantageou por dois dias. Voltei para jogar até o Brasileirão, mas já anunciei que pararia. Minha sorte é que no final do campeonato meu nível de futebol aumentou um pouquinho. Fui decisivo contra o São Paulo, contra o Palmeiras, contra o Atlético Mineiro, e o jogo contra o Bahia foi uma festa. O pessoal perguntava se nós fossemos para a Libertadores ou rebaixados, e seria igual. O ano do Coritiba foi muito problemático porque o presidente criou essa situação. Ele mentia demais para os jogadores. Ficamos na primeira divisão porque o time tecnicamente não era bom, mas era de uma hombridade que eu acho que nunca vi na minha carreira. Os caras deram a vida que o Coritiba permanecesse.

Trivela: Não sei o quanto você tem informação do que acontece no dia a dia do Corinthians, mas muitas vezes se fala que o Corinthians está fazendo essa campanha, apesar de atrasar salários, porque o Tite e o Edu são honestos com os jogadores. Quanto você acha que isso realmente acontece e quanto é importante que a diretoria seja aberta com os jogadores?

Alex: Do Corinthians, eu não sei de nada. Tenho amizade com o Cristian, mas não falo com ele sobre futebol. Desde que parei, não converso de futebol com meus amigos que ainda estão jogando. Isso é uma coisa que eu me reservei. Se falo de futebol, é que nem no Resenha (programa da ESPN Brasil), contando história. A importância é vital. O clube pode dever salário. Tem as dificuldades dele, às vezes fez algum negócio imaginando uma coisa e não aconteceu. Às vezes aposta em um jogador de custo alto e ele não retribui. Isso é inerente ao futebol. O que não pode é o presidente, como no Coritiba, vir à televisão contar uma linda história e não ser assim.

A pior coisa em um time é o “vou te pagar dia tal” e não pagar. É muito mais fácil ser verdadeiro, dizer que está sem dinheiro. E o jogador faz o quê? Pergunta: “Qual sua ideia de pagamento? ”, e o dirigente sempre cai nessa armadilha. “Tenho a ideia de pagar dia 15 do próximo mês”. O cara se organiza até o dia 15. Chega o dia 15, e o presidente diz que não arranjou dinheiro. É melhor ser honesto, até porque os que têm uma condição salarial mais alta falam para pagar a molecada e os funcionários que ganham menos. O problema é ficar na esperança, porque a princípio você acredita no seu dirigente.

Alex foi campeão brasileiro de 2003 pelo Cruzeir

Alex foi campeão brasileiro de 2003 pelo Cruzeir

Vou falar uma coisa que atrapalhou muito o Cruzeiro de 2003 para 2004. Sentamos com o Alvimar (Perrella, então presidente) e perguntamos quando ele pagaria o prêmio do título. Ele falou que pagaria antes do jogo contra o Bahia. Na semana desse jogo, ele disse que estava com dificuldades e que não pagaria. Falou que pagaria na reapresentação, em janeiro. Chegou a reapresentação e ele falou que estava sem dinheiro e só poderia pagar parcelado em seis vezes. O questionamento era por que ele não conseguia pagar e mesmo assim havia contratado o Rivaldo. Isso aconteceu porque ele não foi honesto desde o começo. Ele protelou duas vezes, e na hora de pagar, ofereceu parcelado. Você acaba aceitando porque é o seu dinheiro, mas jogador não fica pedindo bicho. O bicho é oferecido. O time não ganha duas ou três partidas e acham que dando dinheiro ele vai começar a ganhar. É uma cultura nossa. Se eu oferecer dinheiro para você fazer uma boa entrevista, não vai mudar sua entrevista, mas, se eu estou te dando dinheiro, você vai pegar. Isso acontece toda hora. Aconteceu no Coritiba ano passado. O Júlio César (atacante) era questionadíssimo pelo torcedor, mas, se visse o ambiente do Júlio dentro do vestiário, ele o carregaria no colo. O Júlio dava carona, levava a molecada para almoçar. O Coritiba ficou quatro meses sem pagar salário.

Trivela: Esse amadorismo do dirigente parece muito comum. Teve algum lugar aqui no Brasil na sua carreira que isso não aconteceu?

Alex: Palmeiras. Vencia dia 5. Se dia 5 fosse sábado, pagavam dia 4. Falavam que pagariam o prêmio e pagavam o prêmio. Nunca tive problema financeiro no Palmeiras, em todas as passagens. Meu presidente sempre foi o Mustafá (Contursi). Ele era muito sério, participava pouquíssimo do futebol. Participava da contratação e depois sumia. Se ele falasse que te daria um Iphone no dia tal, ele dava o Iphone no dia tal. No meu último ano no Palmeiras, em 2002, rescindi meu contrato que ainda tinha 40 dias e abri mão do último mês. O Palmeiras pagou o que me devia. Foi o único clube em que eu não tive problema. Na Turquia, nunca tive problema com salário, mas com bicho, tive vários. Eles eram loucos.

Fomos jogar contra o Sevilla, pela Champions League, era oitavas de final. O presidente disse que ganharíamos US$ 1 milhão para nos classificarmos. Chega o intervalo, o Sevilla está vencendo, e o presidente entra no vestiário e fala que não seria mais US$ 1 milhão, seria US$ 1,5 milhão. Tudo bem, não muda nada. Fomos para o jogo, perdemos por 3 a 2, fomos para os pênaltis e nos classificamos. Voltamos para a Turquia com US$ 1,5 milhão para receber. Como capitão, perguntei ao presidente quando seria o pagamento. Ele disse que pagaria depois do jogo contra o Chelsea. Eu respondo que era melhor não porque poderíamos estar eliminados naquele momento, e ele fala que haveria outro prêmio para o jogo contra o Chelsea. Aquele era para o jogo contra o Sevilla.  Acabou o jogo contra o Chelsea, fomos eliminados de cabeça erguida, ganhamos em Istambul e perdemos em Londres. Fui cobrar o presidente, e ele disse que não pagaria o dinheiro do Sevilla porque perdemos para o Chelsea. Mas ele falou, palavras dele, não minhas, que o jogo do Sevilla era uma coisa e o do Chelsea era outra. Passaram seis meses e fomos enfrentar o Besiktas. Ele reuniu o grupo novamente e falou que pagaria US$ 1 milhão para ganharmos aquele jogo. Eu comecei a dar risada. Deu uma discussão feia nesse dia. Falei: “Presidente, o senhor deve US$ 1,5 milhão para esse grupo. US$ 1 milhão a mais ou a menos não vai fazer diferença. Ninguém está aqui pelo prêmio. Vamos tentar ganhar o que for possível”. Ele me chamou de demagogo, e eu falei que não, que eu não devia nada para ele, mas ele devia US$ 1,5 milhão para 80% daquele grupo. Se vencêssemos o Besiktas, ele deveria US$ 2,5 milhões. Acho que não vai pagar. Isso acontece. O único clube em que não vivi isso foi o Palmeiras. O Mustafá era ruim de dar dinheiro, mas quando falava que daria, ele dava.

Trivela: E o presidente do Fenerbahçe pagou o que devia?

Alex: O dinheiro do Sevilla não. O do Besiktas, ele pagou, mas o do Sevilla ficou para a história.

Trivela: Aquela campanha do Fenerbahçe na Champions foi a melhor do clube em competições europeias. O técnico era o Zico, e parecia que a carreira dele realmente explodiria. Mas, no final das contas, não decolou. O que você acha que está faltando para o Zico dar certo como técnico, dirigente ou mesmo candidato à presidência da Fifa?

Alex: Não sei. Ele é bom treinador. Foi para a Rússia, depois para o time do Felipão (o Bunyodkor do Uzbequistão). Ele saiu muito valorizado do nosso time.  A torcida ama o cara. Se ele quiser treinar qualquer time da Turquia, ele treina. Tem muita moral. O trabalho dele foi muito bom. Eu não conheço o motivo principal porque não sei a fundo como ele foi na Rússia e no Uzbequistão. Sei que teve propostas para dirigir times turcos, mas acabou não acertando. Ele tentou ser dirigente no Flamengo e foi minado no próprio clube. Na questão da Fifa, desde o início, sabíamos que ele não conseguiria. O sistema é muito corrompido. Se o próprio país dele não oferece apoio…os japoneses foram na hora. Os brasileiros falaram em esperar. O caminho do Zico é a CBF. Seria um caminho interessante. Ele passou dos 60 anos e os filhos dele já estão crescidos. É ele e a Sandra. Tem que ver o que ele imagina. Não sei se ainda pensa em ser treinador, apesar de estar na Índia fazendo isso.

Trivela: Esses escândalos da Fifa, corrupção na macro-administração do futebol, os jogadores dão alguma importância para isso no dia a dia?

Alex: Depende do jogador. Alguns, sim. Jogador é muito individual. Preocupado em receber o dele. Se o dele estiver legal, ele está tranquilo. Enquanto não mexer com o dele, não existe um corporativismo de melhorar. Vi isso com o Bom Senso. É muito difícil convencer um jogador a lutar por uma causa maior que o contrato dele. O cara lê a notícia, passa por cima, mas não mexendo com o micro dele…

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Trivela: O mérito do Bom Senso foi ter feito muitos jogadores entenderem que os problemas mais gerais do futebol brasileiro afetam o dele também?

Alex: Foi desgastante. Eu juntava os jogadores no Coritiba, o Seedorf no Botafogo, o Rogério no São Paulo, o Juninho no Vasco. Você tinha que explicar o que era aquilo, o objetivo daquilo. No início, existia uma babaquice de que era um elitismo. O que eu ganho com o Bom Senso? Nada. Em vários momentos, tive que sair da minha casa lutando por gente de terceira divisão. Acho que a incorporação do Ruy foi uma das melhores. Ele jogou no Grêmio e no Cruzeiro, mas também no Brasiliense e no Mixto, do Mato Grosso. O Ruy viveu do auge do Cruzeiro, campeão brasileiro, a um time sem divisão que jogava para 20 pessoas. Ele conta histórias que viveu e conhece a fundo. Mas foi desgastante ter que juntar esses jogadores. O principal problema é que quem comanda sabe que está comandando errado, sabe o caminho que tem que ser seguido para melhorar, mas não quer mudar. Porque de alguma forma sustenta um sistema inteiro. Existe uma pergunta que ninguém responde: para que serve a federação, além de ser um cartório dos clubes? Para nada. A federação paulista está em briga com a Primeira Liga. É legal porque os caras estão se mexendo. Eu acho que a federação deveria organizar para os times menores.

Trivela: Você não acha estranho que a CBF não tenha resistido de verdade a essa liga até agora?

Alex: A CBF não tem força para nada hoje em dia. O presidente não pode ir à padaria. É o momento, desculpe a palavra, de tomar a CBF de assalto. O ex-presidente está preso, será extraditado. O Del Nero não pode participar das situações inerentes ao seu cargo. Por alguma razão, ele não vai. Receio, medo, sabe Deus o quê. As palavras do (Alexandre) Kalil (presidente da Primeira Liga) nos últimos dias são verdadeiras. Ele não precisa da CBF. Eu acho que a CBF vai chancelar a liga. Se chancelou a do Nordeste, por que não chancelar essa? A Copa do Nordeste, a Lampions League, funciona bem para caramba. Estádios lotados, várias equipes participando, e os estaduais acontecem. Minha torcida é para que esses modelinhos do Nordeste e dessa primeira liga sejam embrionários para uma liga nacional fortalecida, com os clubes fortalecidos e protegendo os clubes menores. É um longo caminho.

Trivela: Uma das bandeiras do Bom Senso é o calendário. Quando você coloca uma nova competição, sem diminuir os estaduais, você não piora isso?

Alex: Piora.

Trivela: Mas ainda assim é importante que entre esse campeonato agora?

Alex: O importante é que esses caras não joguem o estadual. O Paranaense independe do Coritiba, do Atlético e do Paraná. Ele pode ser disputado por regiões. O nascimento da liga não pode matar os estaduais, mas ela precisa dar acesso aos estaduais. O Londrina tem que ter o direito de brigar por um acesso a essa liga. Não pode ser fechada e não precisa eliminar o estadual. Tem que diminuir o papel dos grandes. É muito melhor o Flamengo enfrentar o Grêmio do que o Madureira, mas o Madureira tem que ter a chance de enfrentar o Flamengo. Para montar a liga, os estaduais têm que ser fortalecidos. Uma liga nacional favorece os estaduais. O campeão paranaense tem que ganhar vaga para a quarta divisão  dessa liga.

Trivela: A Primeira Liga está em boas mãos com o Kalil na frente dela?

Alex: Não sei nada da Primeira Liga. Eu conversei, no começo, duas ou três vezes com o André Macias sobre isso. Perguntei dos times pequenos e não gostei muito porque eles estavam muito preocupados em fazer uma liga para as equipes que participassem dela, e as outras ficariam nas mãos da federação. Agora, a liga não está na mão do Kalil. Ele é o presidente. A liga está nas mãos dos clubes. Ofereceram a presidência ao Kalil. Lá atrás, ouvi o nome do Leonardo. Espero que as coisas funcionem bem. Minha preocupação não é com eles, mas com quem está abaixo deles. O que será feito com o paranaense, o catarinense, o gaúcho, o carioca…

Trivela: Por que o Bom Senso abandonou os protestos públicos?

Alex: Não abandonou o processo público. Nós queríamos chamar atenção para sermos recebidos por quem era de direito nos receber. A CBF nos recebeu algumas vezes, com o Marin de presidente, foi muito acessível. A Rede Globo também. Paramos no Plenário em Brasília, fomos ao Senado, sentamos com a Casa Civil e com a Dilma. Trocamos ideais e discutimos o Profut, mas nós não executamos. Somos alguns ex-jogadores, outros ainda são jogadores, mas a execução de lei passa pelo parlamento. A execução da mudança no futebol passa pelas diretorias, por quem dirige os clubes.

Nossa grande briga foi a não participação do sindicato, porque ele sempre nos olhou como uma linha paralela, o que não é verdade. Sempre tentamos trabalhar junto com o sindicato. A única coisa que o jogador de futebol poderia fazer era uma greve, mas, para isso, precisamos do sindicato. Sempre falei que não queria nada do sindicato. Eu quero que essas pessoas, principalmente das camadas menores, tenham as condições mínimas de exercerem suas profissões. Tem um milhão de coisas para serem feitas.

Os treinadores de futebol não participaram. O Felipão, quando era treinador da seleção brasileira, falou comigo duas vezes sobre isso. Ele tinha ressalvas porque era funcionário da CBF. Se o Felipão voltar um dia, e a condição for igual, ele vai sentir isso na pele. O único treinador que participou de maneira efetiva foi o Paulo Autuori. Outros achavam a ideia boa, o Tite se posicionou algumas vezes, mas eles nunca falaram: “vamos parar”. Preparadores físicos falam, mas de maneira vazia. Nunca houve um congresso com preparadores físicos importantes dizendo que não dá para continuar desse jeito.

O Bom Senso teve um trabalho legal, completou dois anos agora, conversou com as pessoas. Agradeço à Globo, à CBF, aos presidentes de clube que nos receberam bem. Sempre brinquei que somos o líbero do vôlei: podemos defender, levantar uma bolinha, mas nós não atacamos. Nós não pontuamos. Temos que levantar as discussões, mas a execução passa por quem dirige os clubes. Acho que isso vai acontecer? Acho que sim. Sou otimista.

Trivela: Qual sua projeção para o futuro?

Alex: Eu vou fazer o curso que a CBF promove agora em janeiro. Depois, parece que tem mais dois ou três blocos. Vou buscar as credenciais para uma possibilidade de me tornar treinador. Mas eu não fico pensando em quando isso vai acontecer.

Trivela: Você se imagina também seguindo carreira na imprensa? Virar colunista ou continuar como comentarista?

Alex: Nunca programei nada. Eu caí de paraquedas na ESPN. Não tinha programado isso. Um dia, o Arnaldo (Ribeiro) me ligou falando que queria conversar comigo. Disse que era sério e que viria para Curitiba. Veio ele e o Palomino, recebi os dois, e acabei entrando na televisão. Nunca tinha me imaginado com um fone lá em cima falando sobre futebol. Já escrevi várias coisas, mas nunca me imaginei sendo um colunista. A única coisa que imaginava era dirigir um time como treinador. E vou buscar a credencial. Isso me encanta. Deve ser satisfatório. Acho que o Tite senta com a família dele e pensa que trabalhou legal, que o time está redondo. Deve ter sido legal o Felipão montando o time do Grêmio e do Palmeiras. O Luxemburgo, o Muricy. Deve ser legal ter uma ideia, desenvolvê-la, e após um tempo, ver que a coisa aconteceu por insistência sua. Recuperar um cara que você sabe que é bom jogador. Tirar um cara da esquerda e colocá-lo na direita. Enfatizar com alguém que tem problema com uma perna e ele fazer um gol aos 44 minutos do segundo tempo daquele jeito. Mas quando? Não tenho pressa nenhuma.

Trivela: Quem ama mais o Alex? O torcedor do Coritiba, do Palmeiras, do Cruzeiro ou do Fenerbahçe?

Alex: É uma boa discussão. Eu posso dizer em qual sou mais questionado, e é no Coritiba. Dizer que a torcida do Coritiba me ama menos seria injustiça. Sou super bem tratado pelos palmeirenses, pelos cruzeirenses e pelos turcos. Sou muito bem tratado pela torcida do Coritiba, mas o tratamento é diferente porque eu me torno um deles. Aí talvez more a diferença. Eu não me considero ídolo do Coritiba. Se eu fizesse uma lista do Cruzeiro, eu devo aparecer entre os dez. No Fenerbahçe também. Em uma lista do Palmeiras, apareço entre os 25. No Coritiba, se eu fizer uma lista, acho que tem um número maior de pessoas na minha frente. Até porque sou torcedor do clube, cresci lá, é uma relação diferente. Entra nessa parte política. Algumas opiniões que eu emiti e algumas pessoas não assimilaram bem. Até no Flamengo, pelo qual eu não joguei porra nenhuma, foram dois meses de merda, mais por culpa minha do que do Flamengo, sou super bem tratado. Mesmo em outros clubes. O são paulino lembra o gol que fiz no Rogério, os corintianos, os atleticanos. Minha rejeição é pequena. Minha vida pós-jogador me mostrou uma coisa que valeu a pena. Eu não quero ganhar dinheiro, posso não ganhar nenhum título, fazer nenhum gol, mas uma coisa que eu quero é ter o respeito das pessoas, e acho que isso eu consegui.