Conhecido por ter grandes reservas de uma das principais riquezas do planeta, o petróleo, e pelos inúmeros conflitos de cunho religioso, o Oriente Médio tenta ganhar projeção no mundo do futebol. No entanto, a região, que tem dois representantes na próxima Copa (Irã e Arábia Saudita), enfrenta diversos problemas para a expansão do futebol na região.

Um deles é a religiosidade. Apontada como o principal obstáculo ao crescimento qualitativo do futebol na região, já que o planejamento não pode ser feito de maneira adequada (mas cá entre nós, onde ele é feito?), ela interfere decisivamente na preparação física dos atletas. Para se ter uma idéia, no mês do Ramadã as pessoas jejuam desde o nascer até o pôr do sol, sem contar as cinco rezas diárias normalmente feitas pelos islâmicos.

Hoje, técnicos e preparadores de diversos países atuam na região, com destaque para os brasileiros e, mais recentemente, para oriundos de países balcânicos e do leste europeu (sérvios, croatas e romenos). O intercâmbio com profissionais de outros países acontece desde a década de 70, com a participação efetiva de muitos brasileiros, como, por exemplo, Carlos Alberto Parreira, Zagallo, Candinho, Carpegiani, Cabralzinho, Marcos Falopa, entre outros.

Muitas seleções usaram e ainda usam os serviços de técnicos estrangeiros, como são os casos da Arábia Saudita (Marcos Paquetá, brasileiro), Irã (Branko Ivankovic, croata), Síria (Miloslav Radinovich, sérvio-montenegrino), Omã (Srecko Juricic, croata) e Kuwait (Mihai Stoichita, romeno).

Atingir a excelência no futebol não é tarefa fácil, mas dinheiro para bons estádios e para contratar bons profissionais não falta para esses países, pelo menos para os que dispõem de grandes reservas de petróleo. Resta saber até quando o choque cultural ocidente X oriente vai atrapalhar o desenvolvimento do futebol na região.

Invasão bárbara?

Nos últimos anos, o Oriente Médio vem se destacando pela aquisição de um grande número de jogadores estrangeiros, a maioria deles desconhecidos, mas também algumas figurinhas carimbas do futebol mundial, a maioria em final de carreira. Para ficar só em alguns famosos, foram para lá nomes como: Romário, Batistuta, Hierro, Petkovic e Vampeta.

Mas o que atrai esses jogadores para um lugar de cultura completamente diferente de suas realidades? A principal resposta é o dinheiro. Mas enganam-se, porém, os que acreditam no enriquecimento garantido. Segundo Marcos Falopa, técnico brasileiro pioneiro no Qatar na década de 80 e que hoje reside e trabalha no Omã, os salários, de modo geral, não são comparáveis com os dos grandes centros europeus ou até mesmo com os do Brasil. Grandes times contratam os jogadores mais famosos e pagam caro por eles, mas essa não é a realidade da maioria, igual que em qualquer outra parte do mundo. Muitos dos jogadores brasileiros que vão para lá são anônimos aqui e se submetem a viver em uma cultura diferente em busca de uma oportunidade melhor.

Os grandes centros da região são a Arábia Saudita, os Emirados Árabes, o Irã e o Kuwait. São para esses lugares que acontece a maioria das transferências do Brasil. Por falar no nosso país, transações envolvendo jogadores brasileiros tornaram-se verdadeiras dores de cabeça para dirigentes e para os próprios atletas. Muitos, para não falar a maioria, não ficam sequer uma temporada na Ásia e trazem na bagagem de volta muitas frustrações, como a falta de pagamento, o descumprimento do contrato e a difícil adaptação. Experiências negativas incluem a do volante do Fluminense Marcão, que ficou pouco mais de um mês no Qatar e acabou não sendo sequer relacionado para os jogos, e a do zagueiro do Internacional Fabiano Eller, que teve o passaporte retido por dirigentes do Al Wakrah.

De olho neles

Apesar de não serem considerados reais ameaças, os representantes da região na Copa, Arábia Saudita e Irã, podem surpreender. O Irã está no grupo D junto com México, Angola e Portugal, e quem sabe um empatezinho com o México não possa fazer com que os iranianos sonhem com a segunda fase. A Arábia também caiu em um grupo equilibrado, o H, junto com Espanha , Ucrânia e Tunísia. Os árabes vão tentar reeditar a campanha de 1994, quando alcançou as oitavas-de-final em um grupo que contava com Holanda, Bélgica e Marrocos.

Ao analisarmos de maneira objetiva, vemos que o futebol na região tem que evoluir muito para as suas seleções serem temidas em competições internacionais (apesar de na última Olimpíada a seleção iraquiana ter feito grande campanha – foi a quarta colocada). Ainda é pouco, mas quem sabe na próxima Copa, na África do Sul, em 2010, a situação possa ser outra e essas seleções possam, realmente, fazer frente às grandes equipes.