Muito se criticou o mercado do Chelsea, mas ninguém imaginava que, mesmo sem os reforços que o técnico Antonio Conte queria, o time fosse sofrer logo na estreia da Premier League, contra o Burnley, em casa. Diante de um estádio Stamford Bridge lotado, os torcedores viram um time irreconhecível. Nada parecido com o campeão da temporada passada. No primeiro tempo, nenhum chute a gol e um placar adverso demais: 3 a 0 para o Burnley. Na segunda etapa, com o time um pouco melhor, arrancou uma reação, diminuiu para 3 a 2, mas não impediu a derrota. Um baque logo de cara que já fará o clube se perguntar o que precisa para melhorar.

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Logo a 14 minutos de jogo, o árbitro foi duro: expulsou Gary Cahill, em uma entrada violenta, bem por cima da bola. Craig Pawson foi rigoroso, algo que não vemos com tanta frequência no futebol inglês. E o Chelsea teve que lidar com o fato de ter um jogador a menos tão cedo no jogo. O técnico Antonio Conte resolveu tirar a principal surpresa na escalação, Jeremie Boga, para recompor a defesa com Andreas Christensen.

Aos 24 minutos, Lowton fez o cruzamento, Vokes finalizou meio estranho, mas acertou o canto do goleiro Courtois e marcou 1 a 0. A situação se complicou ainda mais aos 39 minutos. O lateral esquerdo Ward tabelou pela esquerda e acertou um chute forte e cruzado para estufar a rede em Stamford Bridge: 2 a 0 para o Burnley. Incrivelmente, o time visitante abriu dois gols de diferença.

Já parecia inacreditável, mas ficou ainda mais. Aos 43 minutos, um novo cruzamento para a área, desta vez de Defour, que colocou na cabeça de Vokes, livre: 3 a 0. David Luiz, no meio da zaga, pareceu perdido. O Chelsea não conseguia criar nenhuma chance de gol, mesmo tendo, naturalmente, mais a bola. E foi para o intervalo com uma desvantagem enorme.

O Chelsea pouco conseguia fazer em campo. No primeiro tempo, sequer conseguiu acertar um chute a gol. Até por isso, Antonio Conte substituiu aos 14 minutos da segunda etapa: saiu Michy Batshuayi, entrou a grande contratação do time na temporada, Álvaro Morata. A essa altura, o Chelsea já precisava e tinha em Marcos Alonso sua principal opção ofensiva. Foi o lateral que chegou algumas vezes ao ataque pelo lado esquerdo e cobrou uma falta com muito perigo.

Foi justamente com o seu novo camisa 9 que o Chelsea diminuiu o placar. Willian, um dos que mais participava do jogo – embora nem sempre bem – caiu pelo lado direito e fez um cruzamento preciso para Morata, que se posicionou bem, às costas da defesa, e deu um peixinho para marcar o gol, aos 24 minutos.

O Chelsea pressionou mais e arrancou outro gol aos 43 minutos. Com todo mundo no ataque, Azpilicueta fez o lançamento longo, Morata desviou de cabeça e David Luiz, aparecendo como centroavante, diminuiu para 3 a 2. Tornou o jogo ainda mais emocionante no fim, com pressão do Chelsea, que tentou, com cruzamentos, arrancar um empate que, pelo que foi o jogo, já seria muito lucro. Não conseguiu.

Com o apito final, o técnico do Burnley, Sean Dyche, comemorou muito. Um início de temporada conquistando pontos improváveis em Stamford Bridge, contra o campeão Chelsea. Para um time que já entra pensando em lutar contra o rebaixamento, serão pontos muito importantes. E destaque para Sam Vokes, centroavante de técnica limitada, mas de muito faro de gol.

Por sua vez, o Chelsea sabe que precisa melhorar muito. Não só para não ter os vacilos defensivos que levaram aos gols do Burnley, mas especialmente na forma de trabalhar as jogadas. Sem seus dois principais jogadores ofensivos na temporada passada, Hazard e Diego Costa, o time sofreu demais na criação. O jogador a menos também fez muita falta, perdendo força pelos lados do campo.

Fica claro também que o elenco do Chelsea é limitado pensando em repetir o título. Conte sabe disso, tanto que já falou sobre o assunto várias vezes. Será preciso se reforçar até o fechamento da janela, no dia 31 de agosto. Até lá, precisa tirar mais de quem está por lá.

David Luiz pode ter feito o gol, mas não conseguiu ter uma boa atuação e acabou falhando em um dos gols do Burnley. A criação do Chelsea não existiu sem Hazard, o que é um problema. Willian, muito esforçado, pouco conseguiu fazer. As alas não funcionaram como na temporada passada, com Marcos Alonso bem, mas com Azpilicueta sem ter o mesmo nível de rendimento de Moses na temporada passada na função. O que se viu em campo foram falhas defensivas imensas, que se tornam uma grande preocupação para um time que tinha justamente este setor como uma das suas virtudes.

O ponto positivo acabou sendo Morata. Entrou no segundo tempo e, de fato, melhorou muito o time. Tem que ser titular imediatamente no lugar de Batshuayi e pode fazer mais pelo time. Contudo, talvez seja pouco para um time que sonha com vôos altos tanto na Premier League quanto na Champions League.

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