Fundado oficialmente em 1964, o Club Deportivo El Nacional orgulhava-se do seu patriotismo. A regra era, e continua sendo, formar, contratar e escalar apenas jogadores equatorianos, como, por exemplo, faz o Athletic Bilbao com atletas bascos. Mas um caso de falsidade ideológica quebrou a tradição de mais de cinco décadas do El Nacional. O lateral Rinson López, 30 anos, havia manifestado em sua ficha de jogador profissional que era equatoriano. Mentira: sua verdadeira nacionalidade é colombiano.

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O caso foi descoberto esta semana em uma investigação que revelou outros jogadores que também modificaram seus documentos. Além de López, a Federação Equatoriana de Futebol impôs suspensão de seis meses a Carlos Moreno (Emelec). Abel Araujo (Deportivo Cuenca) e Jonathan González (LDU) estão suspensos temporariamente. O presidente da Comissão de Investigação da FEF, Jaime Jara, que revelou as irregularidades em trabalho conjunto com a Direção Nacional de Registro Civil, afirmou que está analisando 16 casos. “Eles serão julgados com o tempo”, disse, segundo o Studio Fútbol.

Rinson López, que chegou ano passado do Tabacundo ao El Nacional, não precisa ser julgado porque admitiu, em entrevista à rádio Única, que adulterou seus documentos. “Quero pedir desculpas a todo o Equador e ao El Nacional porque cheguei ao Equador para trabalhar aos 17 anos. Havia pessoas que quiseram me ajudar, mas me ajudaram da maneira incorreta. Tiraram esse documento para mim e agora me dou conta de que poderia me nacionalizar tranquilamente. Me deram uma ajuda ruim e agora estou pagando pelos meus erros. Não tenho mais ninguém que me ajude a resolver documentos”, afirmou.

A punição da Federação Equatoriana vale apenas para equipes do país. López, evidentemente demitido do El Nacional, pode buscar emprego em outros países sul-americanos. Inclusive na sua nova pátria colombiana. “Sim, passou pela minha cabeça jogar na Colômbia, mas nunca fui registrado lá, é praticamente começar do zero”, afirmou. “Graças a Deus essa sanção é apenas para o Equador. Não tenho propostas de nenhum lugar, então continuarei treinando sozinho, esperando uma oportunidade”, disse.

López fez questão de inocentar o El Nacional, que “não tem responsabilidade e nem culpa no que aconteceu”, e o clube, aparentemente, não guarda mágoas do seu ex-jogador. “Rinson é uma grande pessoa, um excelente profissional, mas cometeu este erro e está fora da equipe”, disse o presidente da agremiação, Tito Manjarrez.

Rinson López fez 10 partidas pelo El Nacional ano passado e vinha ganhando mais espaço. Em 2017, foram 31 jogos e seu primeiro gol pelo clube, contra o Independiente del Valle, no final de outubro. Acertou uma bela cobrança de falta da entrada da área e arrancou o empate para o seu time aos 49 minutos do segundo tempo. O primeiro gol estrangeiro da história do El Nacional.