Não, a Venezuela não se destacou no 0 a 0 contra a Colômbia, em San Cristóbal, pelas Eliminatórias da Copa de 2018. Segue esquecida como sempre, na lanterna, com apenas sete pontos. Ainda assim, é possível ser otimista. Porque a Vinotinto teve como destaque no jogo o símbolo de uma geração que, quem sabe, possa fazer coisa melhor do que tudo que se viu até aqui na seleção venezuelana: o goleiro Wuilker Faríñez.

Titular na histórica campanha finalista do Mundial sub-20 deste ano, Faríñez já se notabilizara neste torneio. Não só pelo arrojo nas saídas de bola, mas também pela capacidade de aparecer nas horas necessárias – como na semifinal, decidida nos pênaltis contra o Uruguai, quando defendeu as cobranças de Nicolás de la Cruz e José Luís Rodríguez.

Pois bem: mesmo em San Cristóbal, a Colômbia pressionou em busca da esperada vitória. Começou a ver que seria difícil superar Faríñez ainda no primeiro tempo, quando o camisa 1 venezuelano fez defesa dificílima em cabeceio de Radamel Falcao, à queima-roupa. Ou então, no segundo tempo, ao espalmar chute forte de Juan Cuadrado para a linha de fundo, pela direita.

Aos poucos, os Cafeteros apelaram cada vez mais para as bolas aéreas. Sem problemas: invariavelmente Faríñez saía do gol para agarrá-las ou espalmá-las. Grande responsável pelo 0 a 0, o goleiro teve uma atuação para orgulhar um grande companheiro antigo de posição: Rafael Dudamel, hoje seu técnico na Vinotinto.

Contudo, de nada adiantaria o guarda-metas venezuelano aparecer se a Venezuela não pudesse assustar periodicamente a Colômbia. Pois couberam justamente a alguns jovens companheiros de Faríñez no Mundial sub-20 as boas chances que a mandante teve para vencer. Se Salomón Rondón quase marcou os gols – como aos 12 e aos 25 minutos do segundo tempo, em ocasiões nas quais chutou para milagrosas defesas de David Ospina -, isso ocorreu também pelos méritos de Sergio Cordova, 20 anos, que se mostrou confiável no meio-campo. No mesmo setor, cuidando da marcação com esforço, Yángel Herrera, 19 anos, também foi titular na equipe escalada por Dudamel.

A firmeza venezuelana foi suficiente para impor mais uma frustração à Colômbia. Apostando nas jogadas de Cuadrado e na capacidade de finalização de Falcao, os Cafeteros tiveram pouca criatividade. Nem mesmo Edwin Cardona teve atuação tão boa. Assim, embora tenham saído com um ponto, os colombianos decepcionaram novamente – não só por abrirem caminho para serem superados na tabela, mas também por terem na próxima rodada o Brasil como adversário. Ao menos permanecem firmes na zona de classificação, somando 25 pontos.

E mesmo já sem chances de classificação para a Copa de 2018, a Venezuela foi quem saiu sorrindo do estádio em San Cristóbal. Talvez por ganhar mais motivos para pensar o que poderão fazer daqui a alguns anos Faríñez, Herrera, Cordova… ou então gente jovem que não foi vice-campeã mundial sub-20, mas também já povoa o time de Dudamel: Darwin Machís, Josef Martínez…