Não são apenas Real Madrid e Atlético de Madrid que comemoram o fato de estarem envolvidos na final da Liga dos Campeões da Europa. A cidade de Lisboa, sede da partida, tem vários motivos para festejar a realização do jogo no estádio da Luz, casa do Benfica.

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O fato de ter sido escolhida pela Uefa como a sede da decisão do principal campeonato europeu de clubes faz com que a capital portuguesa fature, em poucos dias, um dinheiro que demoraria tempo para levantar. Um estudo elaborado pelo Instituto Português de Administração e Marketing (Ipam) dá conta que € 46,3 milhões vão entrar nos cofres portugueses por conta da partida entre os clubes madrilhenhos. A maior parte da verba vem do setor hoteleiro, que ficará com 54% do total do dinheiro. O restante será dividido, principalmente, entre as áreas de alimentação, transporte e turismo.

A injeção econômica ocorre num momento mais do que oportuno. Portugal está “se livrando” da ajuda econômica que recebeu nos últimos tempos da União Europeia e vem, lentamente, saindo de uma grave crise. A taxa de desemprego na capital é de 18,5% e, mesmo quem trabalha, tem do que reclamar. O sindicato dos funcionários de hotéis, por exemplo, promete fazer panfletagem no aeroporto para mostrar aos turistas as más condições de trabalho do setor.

O próprio aeroporto, aliás, ajuda a dar a dimensão de como as coisas estão diferentes na capital lusa por estes dias. A demanda aumentou consideravelmente. Somente no sábado (24), dia do jogo, são esperados 740 movimentos (num sábado comum, são 425), entre pousos e decolagens. O número é maior do que o registrado no dia da final da Eurocopa, em 2004. Somente os voos diretos entre Madrid e Lisboa serão 135, carregando 25 mil pessoas de um lado para o outro. Além disso, as viagens noturnas, normalmente proibidas, foram autorizadas a acontecer.

A expectativa dos organizadores é de receber cerca de 120 mil turistas, praticamente o dobro da capacidade do estádio. Assim, muita gente estará perambulando – e gastando – pela capital, mesmo sem poder passar pelos portões da Luz. O efeito colateral disso é o aumento da preocupação com segurança, principalmente por se tratar de um clássico entre dois times da mesma cidade. Por isso, a ideia de instalar telões públicos foi descartada pela Prefeitura de Lisboa.

Com tanta gente pelas ruas, o trânsito também deve sofrer. As autoridades não citam números, mas é esperada uma grande quantidade de carros que chegarão a Lisboa, vindos da Espanha. Afinal, a distância entre as duas capitais é de 630 quilômetros e a viagem pode ser feita em menos de sete horas. Isso sem contar quem vai de ônibus de linha e de excursões.

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Maior responsável pelos ganhos financeiros da cidade com a final da Champions, a rede hoteleira é também o alvo das principais críticas. Em alguns lugares, os preços das diárias aumentaram em até 300%. Até mesmo o presidente da Associação Hoteleira de Portugal, Luís Veiga, reconheceu que os preços são “proibitivos”. O setor, por sua vez, alega que teve de encarecer as diárias avulsas para não correr o risco de ficar com a capacidade lotada e, assim, deixar de atender a quem já tinha comprado pacotes turísticos que dão direito à hospedagem. Quem deixou para a última hora, vai gastar de € 600 num quarto triplo com banheiro compartilhado em residências a € 7 mil num hotel de luxo.

Mas não é apenas a receita adquirida que vale como motivo de comemoração para a capital portuguesa. A publicidade gratuita da cidade é algo de proporção incapaz de se medir e que dará frutos por bastante tempo. Ao ver a cobertura televisiva dos últimos dias, quantos fanáticos por futebol no mundo todo, por exemplo, não começaram a imaginar que seria bacana fazer uma viagem turística por Lisboa, para conhecer a Luz, a estátua de Eusébio e vários outros locais?

De acordo com o estudo do Ipam, o valor que será recebido por Lisboa equivale a 11% do total arrecadado com a final da Champions. Pode parecer pouco, mas é uma ajuda e tanto para quem busca sair de uma grave crise financeira. Somente em receita fiscal, Portugal irá faturar € 20 milhões com o jogo.

E quando o dia seguinte amanhecer e os espanhóis estiverem tomando o rumo de casa, o morador da capital portuguesa terá de se acostumar com outra novidade temporária: o Rock in Rio Lisboa, que começa no domingo. E que vai gerar outros milhões de euros para a economia.

Certamente, este mês de maio não é o mais tranquilo de Lisboa. Mas é o mais lucrativo dos últimos tempos.

Nota: a coluna fará a análise do recém-encerrado Campeonato Português na próxima semana.

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