BELÉM – Favorita a Seleção sempre é considerada, mas faz tempo que o time não é unanimidade entre imprensa e torcida no Brasil. A inédita classificação com duas rodadas de antecipação, o clima de euforia em torno da equipe e tão pouco questionamento entre quem deve estar no time titular são alguns exemplos do bom momento vivido pela equipe de Carlos Alberto Parreira.

Por outro lado, a Seleção tem um histórico de sair-se melhor em Copas do Mundo quando a pressão é maior. Foi assim em 1958, em 1970, em 1994 e também em 2002. Não são poucos os que apontam o Brasil como favorito absoluto. Marcello Lippi, técnico da Itália, declarou isso após a classificação da Azzurra no fim de semana e Franz Beckenbauer já cansou de dizer que aposta em um novo triunfo brasileiro na Alemanha.

“Nossa responsabilidade é maior agora, que somos os defensores do título. Desde 82 não somos tão favoritos. Precisamos apenas trabalhar mais para confirmarmos isso”, afirmou o capitão Cafu.

O volante Emerson, que viveu o período de críticas antes do último Mundial, é outro que se preocupa bastante com esse clima de euforia. “O elogio é muito perigoso nesta hora. Estamos acostumados a viver dificuldades nas eliminatórias e isso não aconteceu desta vez. Essa situação pode relaxar um pouco o grupo”.

De acordo Roque Júnior, essa questão é levantada também pela comissão técnica. “Temos trabalhado muito isso internamente, para não decepcionarmos.”

Segundo Parreira, o clima nos bastidores é bom, mas “não adianta termos os melhores do mundo sem um bom resultado final.”

Roberto Carlos, por outro lado, não acredita que o favoritismo possa, de alguma maneira, prejudicar o time. “O Brasil é sempre favorito, em qualquer competição que entra. Não vejo motivos para nos preocuparmos com isso e vamos sempre entrar para ganhar.”