Um prata da casa. Joga desde seus 11 anos num clube de destaque, é apontado como grande esperança. Um belo dia, ganha uma chance no time titular com 19 anos e faz chover. Estoura, seu nome é bombardeado pela mídia, que não se contenta em ver o jovem craque fazer campanha brilhante pelas seleções de base, ganhando um disputado campeonato europeu sub-19, e quer vê-lo no ataque da caudiclante seleção principal, sem títulos e com muitos jogadores acomodados.

Já ouviu essa história em algum lugar? Bom, aqui, não falamos de Wayne Rooney, Cristiano Ronaldo ou mesmo Robinho, mas de Fernando ‘El Niño’ Torres, titular absoluto do Atlético de Madrid e talvez a maior esperança de gols da Fúria na Copa do Mundo. Isso se dá não só pela qualidade do jogador, mas também pelo momento complicado da seleção espanhola, com Raúl voltando de contusão, Morientes em final de carreira e com Davi Villa por demais cru.

Aliás, a história do garoto ‘colchonero’ tem inúmeras similaridades com o dono da camisa 7 do Real Madrid. É inegável que Fernando Torres lembra muito Raúl, tanto na importância que tem para seu time quanto como grande esperança de transformar a Fúria em algo mais do que uma seleção média. Mas, ao contrário do seu conterrâneo, ‘El Niño’ ainda não tem o rei na barriga. Está certo que suas declarações não são sempre felizes, mas o garoto ainda está longe de reeditar o maior goleador da Espanha, tanto por não ter a galeria de títulos e prêmios, mas também por ser e estar num clube que hoje é mais ‘low profile’.

De qualquer maneira, Torres tem currículo para ser apontado como esperança de gols. Desde sua primeira participação internacional, em 2003, Fernando já marcou 10 tentos em 27 participações com a camisa vermelha, mantendo uma média igual à de Emílio Butragueño e pouco inferior à Raul (0,46 gols por jogo). Nas eliminatórias para a Copa, foi o maior marcador com sete gols e, para aumentar a semelhança com sua contraparte ‘blanca’, ganhou a braçadeira de capitão no amistoso contra o Canadá – aos 21 anos -, tornando-se um dos jogadores mais jovens da história a ter a honraria.

No entanto, jogar num clube dado a furacões tem colocado um peso extra nas costas do atacante. Além da relação com o falecido Jesus Gil y Gil, figura emblemática ‘colchonera’, Fernando sofreu com o plano fracassado de transformar o Atlético de Madrid em potência européia, com o argentino Carlos Bianchi à frente e contratações de peso como Mateja Kezman, Maxi Rodrigues e Martin Petrov. ‘El Niño’ sentiu os problemas e seu futebol caiu numa má fase que colocou sua presença na seleção questionada, com saudosistas exigindo a volta de Morientes.

Contudo, Fernando Torres conseguiu voltar às boas com a torcida, sendo o preferido dos ‘rojos’ e dos ‘blancos’. A troca de técnico beneficiou o avante, que, com o apoio de Pepe Murcia, desandou a marcar na onda de seis partidas vitoriosas sob o novo comandante. Isso sem contar feitos como ter conseguido ‘dobletes’ contra o Barcelona no Camp Nou em duas ocasiões diferentes.

O garoto já é astro do Altético. Resta saber se vai conseguir encantar todo o país durante a Copa do Mundo. Difícil dizer, mas uma Fúria bem-sucedida passa pelos pés do camisa 9. Seus gols vão aparecer na Alemanha – resta saber se serão suficientes.