Apesar de oficialmente não ter concorrentes no Brasil, a série Fifa Football (antigo Fifa Soccer), da Electronic Arts, está investindo pesado para recuperar o espaço perdido para a Konami e seu Winning Eleven (WE) – que no país entra apenas importado ou por métodos ilícitos.

Comparado com as versões anteriores, o Fifa 06, nas lojas desde o final de setembro, evoluiu bastante. Principalmente na jogabilidade. Uma das grandes críticas de jogadores mais inveterados foi corrigida nesta versão: jogadores não se atravessam como se fossem fantasmas – problema que, vez por outra também acontecia com a bola. Outras situações de jogo, como tabelas e passes também foram aperfeiçoadas e se aproximam mais da realidade do que em edições anteriores.

Por outro lado, alguns tropeços clássicos da série persistem. O pior deles aparece quando se controla um atacante contra a defesa adversária: os zagueiros sempre levam vantagem. Até mesmo o zagueiro de um time da terceira divisão da Inglaterra ganha na corrida de um Thierry Henry, mesmo com o botão de corrida apertado. Nesse aspecto, o WE segue com ampla vantagem sobre o Fifa.

Na parte gráfica, porém, não há comparação: a Electronic Arts mais uma vez caprichou. Na tela do computador, dá para distinguir os jogadores dos times mais improváveis apenas no visual, sem falar nos uniformes atualizadíssimos dos mais de 250 clubes das cerca de 21 ligas cobertas pelo jogo. Outro cuidado pela equipe da EA foi com a atualização dos elencos. Até os times brasileiros estão com as transferências em dia. Dos principais clubes do planeta, só Sergio Ramos, que trocou o Sevilla pelo Real Madrid, não está no clube certo. Mas Robinho está. Não só está com a camisa 10 dos merengues como, ao menos na escalação original, desbancou Adriano na Seleção.

Outra ligeira melhora em relação a versões anteriores é na narração. Muitas das frases que Milton Leite e Rogério Vaughn têm mais a ver com seus estilos, menos presos à versão original, em inglês. Alguns deslizes, porém, ainda acontecem. Sobretudo nas pronúncias dos nomes de jogadores. Por exemplo: Scholes, do Manchester United, continua 'Xoles', como no primeiro Fifa narrado em português. Ou então Kanouté, do Sevilla, que no joguinho é 'Kanout', sem o 'e' grave no final.

A grande vantagem que a série Fifa leva em relação ao WE e que nesta versão foi aperfeiçoada em relação à anterior é o módulo 'carreira'. Nele, o jogador assume o comando de uma equipe por 15 temporadas e tem de controlar o time tanto dentro de campo quanto nos bastidores.

Trata-se de uma alternativa no melhor estilo 'arcade' dos videogames das antigas para aqueles que se cansam rapidamente de apenas jogar os campeonatos ou amistosos. Não dá para comparar a interface do modo 'manager' à de um Football Manager/Championship Manager. Trata-se de um outro estilo, muito menos compromissado com a realidade, mas que está ali para prender o jogador por mais tempo do que as versões anteriores. E esse objetivo, o Fifa 06 atinge com sucesso, sem concorrência e com a garantia de divertir.

Vale também um adendo à sempre espetacular trilha sonora que acompanha o jogo entre uma partida e outra. Para quem gosta do melhor do por/rock internacional, o Fifa 06 oferece ritmos e variações para agradar os mais diferentes gostos musicais. Passa pelo eletrônico (Vitalic, “My Friend Dario”), pelo rock independente britânico (Bloc Party, “Helicopter”) até o nu-metal em francês – sério! – (KYO, “Contact”).