O Ranking da Fifa muitas vezes falha em sua missão de transmitir uma escala de forças do futebol mundial. Ainda assim, é um elemento importante, sobretudo pela maneira como influencia chaveamentos rumo à Copa do Mundo. Em uma semana que também é decisiva nos bastidores da entidade internacional, em meio a decisões importantes que devem ser tomadas às vésperas da Copa do Mundo, os dirigentes anunciaram adaptações no cálculo do ranking. Serão baseados no chamado ‘método Elo’, já existente extraoficialmente, e que serve de base ao ranking de outros esportes. As alterações trarão impactos aos números.

Talvez a mudança mais significativa seja a adoção da somatória de pontos, não mais a média. Isso porque algumas seleções passaram a adotar a estratégia de evitar amistosos, menos valorizados, e subir no ranking com isso. O melhor exemplo é o da Polônia, que graças à opção acabou se tornando cabeça de chave na Copa do Mundo de 2018. A somatória também permite que a Fifa passe a valorizar mais os jogos por competições e diminuir o peso dos amistosos.

Mais do que isso, a entidade também promete aumentar a pontuação relativa aos jogos de mata-matas em torneios internacionais. Da mesma maneira, as eliminações nos mata-matas não serão contadas, para não prejudicar as equipes. Assim, espera-se que a Copa do Mundo de 2018 tenha uma importância grande dentro da configuração das posições. A Fifa, inclusive, já prevê a inclusão da Liga das Nações no novo cálculo do Ranking. Por enquanto, a competição é restrita à Europa e à Concacaf, que embarcou na ideia. Entretanto, a Fifa busca ampliar o projeto por outras confederações – em meio à sua atual queda de braço com a Uefa.

Assim, a pontuação do Ranking da Fifa considerará: 5 pontos para amistosos fora da Data Fifa; 10 pontos para amistosos na Data Fifa; 15 pontos para fase de grupos na Liga das Nações; 25 pontos para os playoffs da Liga das Nações; 25 pontos para eliminatórias; 35 pontos para jogos de fase final de competições continentais, até as quartas de final; 40 pontos para jogos das fases finais das competições continentais, das quartas de final em diante; 40 pontos para jogos pela Copa das Confederações; 50 pontos para jogos da fase final da Copa do Mundo, até as quartas de final; 60 pontos para jogos da fase final da Copa do Mundo, das quartas de final em diante. Está pontuação entrará no cálculo que também considera a posição dos adversários no Ranking.

Segundo a Fifa, há vários benefícios. O primeiro deles é que a mudança do método não afetará as posições anteriores do Ranking, na fórmula antiga. Também evitará que os resultados se desvalorizem ao longo dos anos – já que, a partir de agora, a Fifa não mais ponderará as pontuações ano a ano, o que potencializava os resultados recentes, mas também aumentava flutuações entre posições. Além disso, foram retirados os pesos dados às diferentes confederações, que dificultava escaladas de equipes de fora da Europa ou da América do Sul, oferecendo condições mais igualitárias de crescimento. E a Fifa aponta ainda que seleções que serão sedes das competições internacionais acabarão bem menos afetadas por se ausentarem dos processos eliminatórios, sem naturalmente despencarem no Ranking por isso.

Não há dúvidas que o Ranking da Fifa necessitava de mudanças. As distorções dos últimos anos tornavam o método pouco condizente com a realidade e necessário apenas em momentos específicos. É ver se a nova configuração realmente será efetiva, ainda que existam decisões questionáveis, como a supervalorização da Copa das Confederações.