O assunto do momento é a Copa do Mundo de 2018, mas o mês de junho também será decisivo ao Mundial de 2026. No próximo dia 13, véspera da abertura da competição internacional, a Fifa se reunirá em congresso para escolher a sede da Copa de 2026. E, nesta semana, a entidade internacional publicou um relatório avaliando as candidaturas, em análise sobre as condições de Marrocos e da proposta conjunta de Canadá, Estados Unidos e México. Diante do documento publicado pela federação, fica claro como a América do Norte está passos à frente dos marroquinos na corrida pelo torneio. Entre pontuações atribuídas a estádios e a questões infraestruturais, o trio leva a melhor em todos os quesitos sobre os magrebinos.

Em 10 de junho, a Fifa realizará uma aprovação das candidaturas. Já no dia 13, acontece a escolha. Para nortear a votação, a entidade publicou o relatório, baseado no veredito de inspetores que se debruçaram sobre as ofertas estruturais das sedes. Vale lembrar que a Copa de 2026 será a primeira realizada com 48 países, o que demandará ainda mais da organização. Assim, um grupo de cinco pessoas avaliaram garantias e riscos em ambas as candidaturas.

Foram avaliados nove componentes técnicos, seis infraestruturais e três comerciais. A cada um dos itens, os inspetores da Fifa conferiram uma pontuação e um rótulo de riscos (entre baixo, médio e alto). Entram na análise: estádios; instalações a times e árbitros; acomodações; transporte; infraestrutura às telecomunicações; Fan Fest; custos de organização; mídia e marketing; e venda de ingressos e hospitalidade. A partir disso, a Fifa determinou uma somatória de pontos, para apontar a capacidade das candidaturas. O item “estádios” é o mais preponderante, determinando 35% da avaliação. Os outros variam de 3% a 13% do total.

Assim, a candidatura de Canadá-EUA-México levou 402,8 pontos de 500 possíveis. Há baixos riscos em oito dos nove componentes técnicos. A única preocupação se concentra nos custos de organização, avaliados em US$14,3 bilhões, quase o dobro dos US$7,2 milhões orçados por Marrocos. Além disso, recebem o rótulo de “médio risco” a questão do apoio dos governos (tendo em vista as discussões sobre migração no governo americano) e dos direitos humanos. Ainda assim, nada que deve atravancar os planos dos três países junto à Fifa. Dos 23 estádios que compõem uma pré-lista na candidatura, 17 estão prontos e seis precisam ser reformados. Nenhuma nova arena será construída. Ao final, 16 devem se tornar sedes da Copa.

Já Marrocos recebeu uma avaliação geral de 274,9 pontos, dentro da pontuação máxima de 500. Há uma clara preocupação quanto aos estádios, já que não há nenhum pronto. Dos 14 propostos, cinco precisam ser reformados e nove terão que ser construídos do zero. Por isso mesmo, o componente técnico dos estádios recebe o rótulo de “alto risco”, assim como acomodações. Há ainda “riscos médios” em outros seis itens, incluindo transportes. O único quesito com baixo risco é a mídia e o marketing. Além disso, os inspetores da Fifa apontam certa preocupação com segurança, serviços de saúde e direitos humanos.

A avaliação dos inspetores, todavia, não garante a escolha do país-sede. Rússia e Catar foram assinalados como sedes de maior risco que seus concorrentes, mas, ainda assim, acabaram escolhidos para 2018 e 2022 – em processos cuja a falta de transparência e a corrupção foram entraves claros. Após o Fifagate, a entidade internacional pediu um rigor maior nas análises. É ver como serão os reflexos desta vez.