O Fifagate segue rendendo investigações sobre a Fifa. Nesta sexta-feira, a Fifa entregou um relatório de 1,3 mil páginas para a justiça da Suíça, em um material que também será repassada ao Departamento de Estado dos Estados Unidos, responsável pelas investigações que levaram às prisões do Fifagate. O documento, porém, não será divulgado publicamente enquanto as investigações estiverem acontecendo.

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Segundo fontes ouvidas pela ESPN americana, o relatório não traz julgamentos sobre quais indivíduos podem ou devem ser processados. Segundo a fonte que teve acesso ao relatório, que falou em condição de anonimato porque o documento é confidencial, algumas testemunhas chave no processo se recusaram a falar. A Fifa afirmou em comunicado que a promotoria suíça sabe da cooperação próxima e constante.

O relatório completa uma investigação de 22 meses feita pela Quinn Emanuel, empresa americana contratada para fazer o serviço na Fifa depois do escândalo do Fifagate, em maio de 2015. Segundo a entidade, a Quinn Emanuel é chave para ajudar a manter a alegação que a Fifa é vítima da corrupção de seus membros, e não cúmplice.

“A Fifa entende e concordou que o relatório será colocado disponível às autoridades americanas”, segundo a entidade divulgou. O comunicado também informa que a Fifa planeja publicar seu próprio relatório no final de abril dizendo quais mudanças serão feitas em resposta ao relatório. Ainda segundo informação divulgada pela entidade que dirige o futebol.

Quem dirige a investigação na Suíça é o procurador-geral do país, Michael Lauber, que abriu processo de gestão criminosa contra o ex-presidente da Fifa, Sepp Blatter, e seu ex-braço direito, Jérôme Valcke. Os dois foram suspensos pela Fifa em setembro de 2015 e, depois, acabaram banidos do futebol.  Ainda não se sabe se o novo relatório entregue nesta sexta irá implicar em novos dirigentes investigados.

Uma investigação interna levou a Fifa a acusar Blatter, Valcke e Markus Kattner, diretor financeiro da entidade por muitos anos, de fazerem um conluio para pagarem contratos e bônus uns aos outros que totalizam US$ 80 milhões. Katter foi demitido da Fifa em maio de 2016, pouco depois da conclusão das investigações internas.

A promotoria da suíça criticou a divulgação de um relatório de 361 páginas sobre suspeitas de corrupção na organização da Copa do Mundo de 2006. Segundo o escritório da justiça suíça, a publicação de tantas provas aumenta o risco de conluio dos suspeitos, incluindo Franz Beckenbauer, lenda do futebol alemão, que foi parte do Comitê Organizador e acusado de irregularidades. O caso da Alemanha surgiu das investigações na Fifa e passou também à justiça alemã, que investiga também a DFB (Federação de Futebol Alemão).

Os promotores na Suíça já examinaram ao menos 172 suspeitos de lavagem de dinheiro em transações usando bancos suíços. O caso conduzido pelo escritório liderado por Lauber pode levar até cinco anos.

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O que é o Fifagate?

O caso da justiça americana foi lançado há cinco anos e teve como principal testemunha da acusação o ex-secretário-geral da Concacaf, Chuck Blazer. Ele era o americano em cargo mais alto na Fifa durante a gestão de Blatter na Fifa. Ele foi preso e condenado pelo não pagamento de impostos relativos a atividades da Concacaf.

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Foi o fio do novelo que os investigadores começaram a puxar e veio uma série de delações que levaram a mais de 40 executivos de futebol e marketing que foram condenados ou aceitaram acordos assumindo como culpados e colaborando com as investigações.

Entre eles estão José Maria Marin, ex-presidente da CBF, além de Ricardo Teixeira, além de dois ex-presidentes da Conmebol e diversos dirigentes do futebol das Américas. O atual presidente da CBF, Marco Pólo Del Nero, é um dos investigados e, por isso, não viaja para fora do país – ele pode ser preso pelo FBI por envolvimento no esquema de corrupção e lavagem de dinheiro.

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