Já imaginou uma Liga Mundial de seleções? A Fifa está pensando, segundo relata o Estadão, em um sistema de disputa que dure o ano todo e separe todas as seleções mundiais em primeira, segunda e terceira divisão. É parte de um processo de reformulação das competições que a Fifa trata. Então, que tal pensar em diminuir as datas de jogos de seleções?

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A ideia de uma Liga Mundial é uma resposta dos dirigentes à Liga das Nações da Uefa, que impede seleções europeias de fazer amistosos. As confederações fora da Europa não gostaram da criação da Liga das Nações da Uefa.

Na prática, significa que suas seleções não poderão fazer amistosos com os europeus, o que impacta negativamente na arrecadação, já que são potenciais jogos muito atraentes para patrocinadores e para transmissão na televisão.

Além disso, há uma preocupação, ao menos nos grandes países, como Brasil e Argentina, em um prejuízo na preparação das equipes, já que perdem a chance de se medirem contra essas seleções mais pesadas.

A Fifa devia repensar o calendário internacional de jogos para diminuir o número de datas para jogos. São muitas partidas de seleções ao longo do ano, especialmente no segundo semestre. A escolha não é aleatória: o segundo semestre é e metade inicial da temporada na Europa. O primeiro semestre e o momento dos jogos decisivos no continente europeu e, por isso, os clubes querem seus jogadores mais inteiros para as disputas. Justo, não é? É, para eles, sim.

O problema é que o segundo semestre é o momento decisivo de muitos países que têm o seu calendário de jogos no chamado ano solar, ou seja, do começo ao fim do ano, e não do meio de um ano até o meio de outro.

É o caso do Brasil, que tem suas principais competições em momento decisivo entre outubro e dezembro. Vale para a América do Sul, que também passou a ter as decisões no segundo semestre. Isso é um problema para os sul-americanos, que veem seus jogos decisivos interrompidos por jogos de seleções. Mais ainda em ano anterior à Copa, com duelos de repescagem, por exemplo.

Para usar o próximo ano como exemplo, 2018 terá cinco das chamadas Datas Fifa, contando como uma dessas datas a Copa do Mundo, que tem no mínimo três jogos para as seleções participantes. As demais Datas Fifa têm dois jogos cada. O total, portanto, é de ao menos 11 jogos de seleções no ano. Se não contarmos a Copa, que é, de fato, excepcional, são oito jogos de seleções em 2018.

Para não usar um ano de Copa, podemos olhar para 2019. Em um ano sem Copa do Mundo, serão 10 partidas de seleção, no mínimo, em cinco Datas Fifa. São jogos em março, junho, setembro, outubro e novembro. Basicamente, um jogo por mês no segundo semestre.

Será mesmo que é necessário ter tantas datas para jogos de seleções? Em um calendário tão complicado para encaixar as competições, seria bom que a Fifa pensasse em termos menos jogos, tirando, no mínimo, uma Data Fifa e idealmente ao menos duas. Termos três datas Fifa ao longo do ano parece mais adequado. No mínimo, seria importante equilibrar um pouco os jogos entre primeiro e segundo semestre. Afinal, do jeito que está, o prejuízo é maior dos sul-americanos.