A Associação de Jogadores Profissionais, FIFPro, que representa a categoria globalmente, enviou uma carta à Fifa pedindo que o peruano Paolo Guerrero receba permissão para jogar a Copa do Mundo. O capitão da seleção do Peru foi suspenso por doping, depois de aparecer um metabólico da cocaína em um copo de chá que ele tomou a serviço da seleção peruana. Embora a WADA tenha reconhecido que a substância não é cocaína e que a ingestão não foi proposital e nem trouxe ganho de desempenho, pediu punição de 14 meses ao jogador em recurso enviado ao Tribunal Arbitral do Esporte (TAS). Com isso, o jogador fica fora da Copa do Mundo, a primeira do Peru em 36 anos.

LEIA MAIS: A seleção peruana lamenta a perda de Guerrero, mas já mostrou recursos para superá-la

Segundo a FIFPro, a punição é desproporcional e a entidade que representa os jogadores espera por novidades nas próximas 48 horas. Ainda nesta segunda-feira, a entidade anunciou no Twitter que três capitães de seleções que serão adversárias do Peru no Mundial apoiam o pedido: o da França, Hugo Lloris; o da Austrália, Mile Jedinak; e o da Dinamarca, Simon Kjaer. O Peru está no Grupo C da Copa do Mundo ao lado dessas três seleções.

Aos 34 anos, Paolo Guerrero foi suspenso inicialmente por 12 meses depois de aparecer o metabólico da cocaína em um exame antidoping realizado após o jogo contra a Argentina, pelas Eliminatórias da Copa, em novembro. A Fifa reduziu a punição para seis meses, o que permitiu que o jogador voltasse a campo neste mês de maio pelo Flamengo e já vivesse a expectativa de ir à Rússia capitaneando o seu país. Ele foi convocado na lista provisória do Peru.

A WADA, agência mundial antidoping, recorreu da sentença no TAS sob a alegação que Guerrero tem responsabilidade no caso. O argumento foi que o peruano “cometeu algum erro ou foi negligente” pelo teste positivo e, portanto, deve receber uma punição entre 12 e 24 meses, segundo as regras de antidoping da Fifa. O tempo de punição está dentro do que a WADA costuma aplicar nos mais diversos esportes, mesmo com os atenuantes.

O TAS alegou aceitar que Guerrero não teve a intenção de beber um chá contaminado e que o chá não era para melhora de desempenho. Mesmo assim, acatou a alegação da WADA e, assim, voltou a aumentar a punição, chegando a 14 meses – dos quais o jogador cumpriu seis. Assim, Guerrero fica fora da Copa do Mundo, a primeira do Peru em 36 anos.

Diante da sensação de injustiça, a FIFPro resolveu agir, como representante de mais de 60 mil jogadores dos todos os continentes, segundo a própria entidade. Veja a carta enviada pela FIFPro, com a assinatura dos capitães das seleções adversárias do Peru na Copa, publicado no site da entidade: