Zlatan Ibrahimovic é um dos grandes atacantes da história da Suécia. Aos 36 anos, voltou a jogar recentemente pelo Manchester United e, depois da classificação da Suécia para a Copa do Mundo sem ele, o debate sobre a sua importância para a seleção nacional é grande. E também sobre a sua importância ao futebol do país. O atacante reclamou do tratamento recebido pelos meios de comunicação da Suécia e diz que não o defendem por um racismo velado.

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Filho de pai bósnio e mãe croata, Zlatan Ibrahimovic nasceu em Malmö e cresceu na periferia da cidade. “Eles ainda me atacam. Porque eles não podem aceitar que eu sou Ibrahimovic. Se outro jogador sueco fizesse o mesmo erro que eu, eles o defenderiam. Mas quando se trata de mim, eles não me defendem”, afirmou o jogador do Manchester United.

Ibra, porém, diz que as críticas são um combustível para o tornar mais forte. “Isso é sobre racismo. Eu não digo que há racismo, mas eu digo que há um racismo velado. Isso existe, eu tenho 100% de certeza. Porque eu não sou Andersson ou Svensson. Se eu fosse, acredite em mim, eles iriam me defender mesmo se eu roubasse um banco. Mas eles não estão me defendendo do modo como deveriam”, contou o jogador.

“Eu sou provavelmente o melhor jogador da história da Suécia. O que eu fiz, ninguém fez antes. A Bola de Ouro da Suécia [prêmio dado ao melhor esportista masculino da Suécia]. O melhor que já tinha ganho o prêmio tinha dois. Quantos eu tenho? Eu tenho 11. Eu tenho 11 Bolas de Ouro da Suécia”, afirmou o treinador.

Quando perguntado se talvez a imprensa da Suécia não o achasse muito arrogante, ele deu uma resposta bem típica da sua personalidade. “Isso não importa. Eu sou o melhor que há. Ou você está orgulhoso ou aprecia o que tem, ou você não tem orgulho algum”, disse Ibrahimovic.

Ibrahimovic foi criado no distrito de Rosengard, no subúrbio de Malmö, e na sua autobiografia, escrita em 2011, ele conta um pouco mais sobre como sua personalidade foi formada – e como ter sido criado nessa região influenciou isso. Segundo o livro, a primeira vez que ele foi ao centro da cidade foi quando estava no final da sua adolescência.

Na entrevista ao Canal+, ele conta um episódio que exemplifica isso. Ele estava andando em uma área nobre de Estocolmo, quando uma pessoa o reconheceu na rua e perguntou: “O que você está fazendo aqui?”. A pergunta o incomodou e ele respondeu imediatamente: “Que porra você está fazendo aqui?”, percebendo depois que o homem talvez não quisesse dizer que ele não era bem-vindo ali, mas sim mostrando surpresa por ver um jogador de futebol famoso em pessoa. Ele descreve que essa reação instintiva é um mecanismo de defesa.

“Minha resposta foi muito agressiva, porque eu senti que ele me olhou de cima a baixo como algo ‘o que você está fazendo nesta vizinhança’. Isso é por causa de onde eu venho”, contou Ibrahimovic, refletindo uma história muito comum em grandes cidades pelo mundo. Ele contou ainda que não se sentiu bem-vindo quando saiu do distrito de Rosengard, nem quando se tornou profissional no Malmö. “Nós levamos esta atitude para fora”, explica Ibrahimovic. “Mas isso não é arrogância, é confiança. É uma grande diferença”, disse ainda o atacante sueco.

A história de Ibrahimovic, crescendo como um filho de imigrantes dos Bálcãs em um país do norte da Europa, vivendo na periferia, é algo que muita gente pode se identificar. E é um traço que acaba fazendo parte da composição deste personagem que Ibrahimovic se tornou.

Não é a primeira vez que Ibrahimovic trata sobre identidade sueca em público. Em 2014, ele regravou o hino da Suécia, que se tornou um sucesso, a ponto de ser tocada três milhões de vezes. Na época, ele falou sobre a questão da sua identidade multicultural.

“Isso é como a Suécia se parece em 2014. Eu não falo sueco perfeito, mas é assim que é. Misturas em todos os lugares. Eu sou sueco de qualquer forma. Nós somos todos diferentes e, ainda assim, iguais. Meu pai é da Bósnia e é muçulmano. Minha mãe é croata e católica. Mas eu nasci na Suécia e eu sou cidadão sueco. Você não pode mudar isso”, explicou o jogador.

Até a convocação da Suécia para a Copa, veremos mais discussões sobre Ibrahimovic e a Suécia.