Arsenal é campeão da FA Cup 2013/14 (AP Photo/Kirsty Wigglesworth)

Fim do jejum do Arsenal foi trepidante, mas dá início a uma nova realidade

Após oito anos, 11 meses e 26 dias, o torcedor do Arsenal finalmente tirou o grito de título da garganta com a conquista da Copa da Inglaterra neste sábado. Assim como a temporada dos Gunners, o triunfo sobre o modesto Hull City foi inconstante, trepidante e até trágico em um momento. Os dois gols sofridos nos primeiros oito minutos do jogo prenunciavam uma tragédia, mas os comandados de Arsène Wenger conseguiram se equilibrar psicológicamente para reverter sua própria sorte e dar fim a uma incômoda sequência de temporadas e mais temporadas sem títulos.

No final do mês passado, Arsène Wenger, no comando do Arsenal desde 1996, havia dito que gostaria de continuar no clube londrino para a próxima temporada. Por um certo tempo durante este sábado, era seguro dizer que seria difícil para o francês realizar esse desejo. Uma derrota em uma decisão contra um time como o Hull, sob tais circunstâncias, dificilmente motivaria os donos do clube a seguir apostando na reviravolta do técnico após a Copa do Mundo.

Com isso em mente, a reação da equipe na decisão contra o Hull pode ter garantido ao time e a Wenger um planejamento a médio prazo que não deveria ser seguido no caso de uma derrota. Agora, se o time seguir o novo padrão de ação no mercado de transferências que iniciou com a contratação de Mesut Özil, o obstinado francês deverá ter uma chance maior de entregar a torcida e dirigentes os resultados que não entregou nesses quase nove anos.

Neste período em que ficou sem título algum, o Arsenal se caracterizou com uma postura muito passiva no mercado de transferências. O comportamento não era de uma equipe da grandeza que têm os Gunners. O olhar apurado de Wenger encontrava jovens talentosos e por preços razoáveis, mas após desenvolverem-se em Londres, eles iam para outras equipes, como nos casos de Gael Clichy e Samir Nasri para o Manchester City e Cesc Fàbregas para o Barcelona, para citar alguns. Ao pagar € 50 milhões por Özil no começo da temporada, o Arsenal mostrava que era hora de deixar a preocupação financeira de lado e investir para atualizar a sala de troféus.

Temporada inconstante e conquista mais difícil que o cenário imaginado

O ótimo início de Premier League deu aos torcedores a esperança de que nessa temporada a fila não se estenderia. Peças-chave, como Santi Cazorla e o próprio Özil, começaram bem, enquanto outras que até então não tinham provado seu valor mostraram maior potencial que o esperado, como Aaron Ramsey e Olivier Giroud. Esse começo positivo, de oito vitórias em dez jogos, no entanto, logo foi substituído por inconstância, causada principalmente por problemas físicos do elenco.

A forma como se desenharam as semifinais da Copa da Inglaterra, com o Arsenal pegando o Wigan, e Hull City e Sheffield na outra chave, deixou os Gunners com a quase certeza de que a equipe voltaria a levantar uma taça. Na prática, foi tudo muito mais complicado que o imaginado. Contra os Latics, a classificação à final veio apenas na disputa de pênaltis. Contra os Tigers, na decisão, mais drama: desvantagem por 2 a 0 com menos de dez minutos de jogo, reação e empate no tempo normal e confirmação da conquista apenas na prorrogação, com Ramsey. Assim como a temporada dos Gunners, o título da Copa da Inglaterra veio de forma bem claudicante.

O próximo passo

Britain Soccer Premier League

A conquista da FA Cup tira dos ombros dos jogadores do Arsenal e principalmente do de Arsène Wenger um enorme peso. A temporada seguinte agora se iniciará de maneira como não se iniciava há um bom tempo. Haverá, sim, a expectativa de mais conquistas, sobretudo mais importantes, mas as circunstâncias agora são completamente diferentes. Se a diretoria estiver disposta a investir para a briga pela Premier League, por exemplo, ou até mesmo pela inédita conquista da Liga dos Campeões, a tendência é de que o time tenha uma campanha mais regular que as últimas.

O problema da queda de rendimento na segunda metade de uma temporada ainda é um desafio a ser ultrapassado pelos Gunners, e apenas o tempo poderá definir se isso será coisa do passado. Mas a pressão por títulos, fator determinante para esse problema quase sistemático do time nos últimos anos, já não existirá mais. Apesar de se tratar apenas de uma projeção, o Arsenal inicia, a partir de hoje, um novo momento. E na pior das hipóteses, ainda será melhor que a realidade vivida pelo time nesses nove anos anteriores.