Em 2009, ano em que se comemorava o centenário de nascimento do poeta cearense Patativa do Assaré, foi instituído o Dia do Nordestino. A escolha de 8 de outubro, por sua vez, fazia referência ao maranhense Catulo da Paixão Cearense, compositor do clássico ‘Luar do Sertão’. E no final de semana em que a data é celebrada, os nordestino deram a sua contribuição para a festa dentro de campo. Tudo bem, as chances de uma final entre dois representantes da região na Série C eram enormes. O confronto final, ainda assim, acabará privilegiando as duas grandes histórias de redenção vividas em Alagoas e no Ceará. CSA e Fortaleza, duas camisas pesadíssimas, terão a oportunidade de erguer uma taça nacional.

Em um dos lados da chave, o Nordeste já havia assegurado um finalista. Fortaleza e Sampaio Corrêa se enfrentariam em seus Castelões. Na capital cearense, o Leão do Pici garantiu a comemoração de sua torcida, com a vitória por 1 a 0. Já neste sábado, os tricolores precisavam encarar o Tubarão em São Luis. Apesar da pressão da Bolívia Querida, os visitantes terminaram o primeiro tempo em vantagem, graças a um contragolpe arrematado por Bruno Melo. O Sampaio buscou a virada na volta do intervalo, com Marlon e Maracaz. No entanto, no momento em que os maranhenses necessitavam do terceiro tento para alcançar a classificação, o Tricolor ratificou sua vaga na final. Nos acréscimos do segundo tempo, Bruno Melo decretou o empate por 2 a 2.

Já em Maceió, também no sábado, o drama foi bem maior. O CSA havia saído em vantagem no jogo de ida, ao derrotar o São Bento por 1 a 0 em Sorocaba. Contudo, o Bentão não se sentiu intimidado no Trapichão e conseguiu dar o troco. Mesmo com um jogador a menos desde os 20 minutos do segundo tempo, os paulistas arrancaram a vitória por 1 a 0 nos acréscimos, em pênalti convertido por Everaldo. O placar levava a decisão para a marca da cal. Então, o CSA contou com a estrela de Mota. O goleiro pegou justamente o chute de Everaldo e Maxuel fechou a conta a favor dos alagoanos em 4 a 2. Como havia acontecido na Série D de 2016, o Azulão foi o algoz do São Bento.

Que o acesso tenha sido o mais importante, a taça pode abrilhantar ainda mais as epopeias – seja a do renascimento do CSA após os anos de desesperança ou a do fim da maldição sobre o Fortaleza. Além do mais, poderá ser o primeiro título nacional de qualquer um dos dois. O Castelão e o Trapichão certamente irão tremer em ambas as finais. Uma decisão para exaltar não apenas as camisas tão pesadas, mas a paixão do nordestino pelo futebol, como um todo. A empolgação pelo momento promete duelos memoráveis.