Nesta terça, os Estados Unidos encaram uma situação mais tranquila do que muitos poderiam prever na rodada final das Eliminatórias da Concacaf. Um empate fora de casa contra Trinidad e Tobago já deve ser suficiente para confirmar o US Team como a terceira seleção da região confirmada no Mundial, seguindo México e Costa Rica. E depois de muitos percalços na campanha no hexagonal final, o triunfo decisivo contra Honduras permitiu aos americanos não apenas respirarem tranquilos, como também terem sua dose de saudosismo. Os trinitinos trazem doces lembranças por aquilo que aconteceu há 28 anos.

As Eliminatórias para a Copa de 1990 foram um tanto quanto atípicas na Concacaf. O México, bicho-papão da região por décadas, estava fora da disputa, suspenso por escalar jogadores acima da idade no Pré-Olímpico de 1988. Assim, o caminho estava aberto no pentagonal final. A Costa Rica disparou na competição, com seus jogos realizados antecipadamente num calendário completamente bagunçado, e assegurou a participação inédita no Mundial. Já a outra vaga contava com uma disputa parelha entre os Estados Unidos e Trinidad e Tobago. Na última rodada, as duas equipes se enfrentariam em Port of Spain. Ambas somavam nove pontos. E quem ganhasse iria à Itália, com o empate favorável aos trinitinos.

Pressão demais sobre os americanos? Não só por isso. Na época, os Estados Unidos já tinham sido escolhidos como sede da Copa de 1994. Contudo, existiam rumores de que se a classificação à Itália não viesse, a Fifa cogitava mudar o local do Mundial posterior. E os jogadores tinham consciência do que estava à mesa. Uma geração basicamente formada por jovens, a maioria beirando o amadorismo, órfãos de uma liga profissional após a falência da NASL. Eram esses rapazes que seriam responsáveis por carregar o peso do ‘soccer’ sobre suas costas.

Aos 30 minutos do primeiro tempo, aconteceu o gol que emudeceu os 35 mil no Estádio Nacional. Que marcou o nome de Paul Caligiuri, definitivamente, na história da seleção americana. O meio-campista soltou um chutaço do meio da rua. Contou com a colaboração do goleiro, é verdade, mas teve muitos méritos no lance. Determinou a vitória por 1 a 0, que recolocou o US Team na Copa do Mundo pela primeira vez desde 1950.

Em eleição feita pela revista Sports Illustrated, este foi o gol mais importante do futebol nos EUA em todos os tempos, até mais que o de Gaetjens contra a Inglaterra em 1950. Afinal, o que fez Caligiuri seria fundamental para que a modalidade fincasse raízes no país, especialmente por aquilo que viria quatro anos depois. Um golaço que foi bem mais bonito por aquilo que possibilitou.