Neste ano, a Copa Libertadores ganhou um novo estádio que tem tudo para ser um de seus caldeirões mais clássicos. O Cerro Porteño reformou sua antiga casa, a Olla Azulgrana, construída em 1970. A ampla renovação, entretanto, passa longe da arenização atual. A Nueva Olla mantém muitos de seus traços arquitetônicos originais, com a construção de um anel superior nas arquibancadas. Tem a cara das velhas canchas sul-americanas, mas com cheiro tinta fresca. A capacidade do local subiu para 45 mil espectadores, permitindo ao Ciclón prescindir do Defensores del Chaco, onde atuaram tantas vezes. E tudo isso a um custo de US$22 milhões, pechincha nas cifras para obras do tipo. Sete meses depois da inauguração, a Nueva Olla abrigou seu primeiro jogo de Libertadores. Já uma noite continental inesquecível, com os mais insanos requintes de emoção. Aos 51 do segundo tempo, os paraguaios buscaram a vitória por 2 a 1 sobre o Defensor.

O épico começou desde a entrada dos times em campo. Como era de se esperar, a Nueva Olla contou com um recebimento grandioso. Um enorme bandeirão se desenrolou atrás de um dos gols, enquanto os fogos de artifício pipocavam nos céus. Além disso, o azulgrana do Cerro Porteño cintilava nas arquibancadas, em meio a diversas luzes. Os paraguaios dariam apoio total no confronto com o Defensor, já um desafiante considerável na briga pela classificação no Grupo 1.

A situação para o Cerro Porteño se abriu aos nove minutos, quando o Diego Churín inaugurou o placar. Após cruzamento da esquerda, o argentino completou de cabeça. No início do segundo tempo, o Defensor empatou. Aos dois minutos, Carlos Benavídez aproveitou grande jogada de Mathias Suárez para escorar. Porém, Churín seria mesmo o herói. O Ciclón pressionava. Em meio à insistência, o argentino foi lançado – em impedimento. E, de frente para o gol, decretou o triunfo. O relógio estava próximo de completar o sexto minuto dos acréscimos. Quando a bola tocou as redes, até parecia que a Nueva Olla desabaria, tamanha energia da torcida azulgrana na comemoração. Assunção foi o epicentro de um terremoto futebolístico. Um terremoto de Libertadores.

Com o resultado, o Cerro Porteño dispara na liderança do Grupo 1. Depois de ter vencido o Monagas na estreia, jogando na Venezuela, agora apronta contra o Defensor. A princípio, será o grande desafio do Grêmio. Os atuais campeões da América tentam se recobrar do tropeço na primeira rodada, quando empataram no Uruguai, e desta vez recebem o Monagas em Porto Alegre. Mas é bom os tricolores estarem cientes que a viagem ao Paraguai em meados de abril guarda um obstáculo particular. A pressão da massa na Nueva Olla será uma provação a mais.