O Grêmio sofreu muito, mas conseguiu a classificação contra o Pachuca na semifinal do Mundial de Clubes. A vitória por 1 a 0, conseguida só na prorrogação, manteve a tradição de jogos complicados na semifinal do torneio, desde a mudança de formato em 2005. O jogo complicado contou com grandes atuações de dois defensores gremistas. Bruno Cortez foi um dos melhores em campo com intervenções cruciais quando o jogo estava empatado. Geromel, o capitão, foi outro a dar muita segurança para o time. Além dos dois em campo, outro personagem teve atuação decisiva: Renato Portaluppi.

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Atualmente técnico e eternamente ídolo gremista, Renato foi muito bem nas alterações que fez ao longo da partida. O Grêmio não conseguiu exercer o seu melhor jogo contra o Pachuca, que fechou os espaços. O treinador, porém, mostrou a mesma ousadia que tinha quando estava em campo, vestindo a camisa 7 do Grêmio: tornou o time mais ofensivo, criado opções de ataque para o time que justamente sofria para criar mais jogadas. O gol da classificação veio do banco, com Everton, já na prorrogação. Mas foi além disso. O técnico mexeu bem no time para tentar encontrar alternativas e buscar a vitória.

Sem Arthur, machucado, Renato Portaluppi optou pela entrada de Michel, titular no começo do ano. Assim, formou dupla com Jaílson, que vinha sendo titular na reta final da Libertadores. O time perdeu criatividade no meio, já que Arthur era um jogador que organizava o time no setor. Michel fazendo as vezes de Arthur não foi eficiente com a bola. Assim, Luan teve que fazer as vezes de armador também, sobrecarregando um pouco o camisa 7, já muito marcado. Fernandinho, com velocidade, tentou algumas arrancadas, mas o Pachuca conseguia impedir qualquer cruzamento ou chute limpo.

Como era esperado, o Grêmio tinha mais a bola e tentava trabalhar as jogadas. O Pachuca usava velocidade para tentar chegar rápido ao ataque e finalizar. O japonês Keisuke Honda, por exemplo, tentou a finalização de longa distância. O Grêmio é quem rondava mais a área e estava mais tempo no campo de ataque. Mesmo ficando mais no ataque, o time brasileiro não criou chances claras de gol.

Luan fez um lindo lançamento nas costas da zaga, aos 29 minutos, e achou Ramiro. O meio-campista se esforçou para chegar na bola e finalizou torno, sem conseguir dar direção. A chegada foi perigosa por estar perto do gol, mas sem uma finalização que de fato leve perigo. Os chutes mais perigosos do Grêmio no primeiro tempo vieram em cobranças de falta. O lateral direito Edílson bateu com curva e ela assustou o goleiro mexicano Oscar Pérez, mas foi para fora. Já no final do primeiro tempo, aos 40 minutos, Fernandinho cobrou falta do lado esquerdo do campo e a bola passou muito perto do gol.

Honda, com liberdade, quase conseguiu abrir o placar no último lance do primeiro tempo. O japonês aparecia nas costas da defesa gremista e Cortez evitou o pior para o tricolor gaúcho com um bloqueio instantes antes da finalização. Os dois times foram para o intervalo empatados em 0 a 0, com os mexicanos levando sustos ao torcedor gremista pelos pés de Honda. Que continuaria sendo ameaça na etapa final.

No início do segundo tempo, Renato fez a primeira alteração no Grêmio. Tirou de campo Lucas Barrios e colocou Jael. O Pachuca chegou a ter uma chance em chute de fora da área. Jaílson perdeu a bola, Urretaviscaya chutou de longe e Marcelo Grohe defendeu, aos 10 minutos. Aos 14, Luan chutou de forma perigosa de fora da área e Oscar Pérez defendeu, a bola bateu na trave e foi para escanteio.

O Pachuca tentava se organizar rápido com a bola no ataque, tendo espaço para avançar pelo meio. Honda seguia conseguindo conduzir a bola no meio, mas a defesa do Grêmio conseguia cortar. Geromel, repetindo as boas atuações neste ano, interceptou bem alguns lances, cortando ataques do Pachuca de forma eficiente. O Grêmio mudou de novo aos 27 minutos do segundo tempo. Com a dificuldade de criar jogadas, Renato escolheu levar a campo Everton, atacante, e tirou Michel, que pouco fez em campo. Ramiro foi recuado para atuar ao lado de Jaílson.

O time criou uma chance com Everton, que conseguiu bons dribles dentro da área, mas não conseguiu finalizar. Acabou travado. Do outro lado do campo, Geromel, fazendo uma partida impecável, continuava sendo importante para impedir que o Pachuca tivesse mais espaço. Mesmo assim, aos 34 minutos, o Pachuca conseguiu levar perigo em um cruzamento para a área que Guzmnán cabeceou e a bola passou muito perto.

Aos 41 minutos, um lance muito perigoso. Depois de Fernandinho chutar e ser travado, a bola foi para escanteio. Na cobrança, a bola desviou no alto e bateu em Luan, na pequena área. Com o fim do jogo, a prorrogação teve que ser disputada. Renato aproveitou para fazer mais uma substituição: trocou Edílson por Léo Moura. E foi logo no início do tempo extra que o tricolor chegou ao gol. Cortez cobrou lateral, Everton ganhou de Martínez, gingou na frente da marcação e chutou colocado: 1 a 0, logo a cinco minutos.

Com a vantagem, o Grêmio gastou mais a posse de bola, desacelerando o jogo. O Pachuca, claro, sabia que precisaria do contrário, mas o primeiro tempo da prorrogação terminou sem mais gols. No segundo tempo, com mais espaço, o Grêmio tocava a bola e tentava aproveitar para segurar a bola. Dominando o jogo, o Grêmio se mantinha no campo de ataque. Gastou o tempo e foi quem chegou mais perto de aumentar o placar para 2 a 0. No final, o placar ficou mesmo em 1 a 0.

A vitória gremista agora cria a expectativa do confronto entre o campeão da Libertadores e o da Champions League, que ainda precisa vencer o Al Jazira, nesta quarta-feira (15h, horário de Brasília ao vivo no SporTV e Fox Sports). A final será disputada no próximo sábado, em Abu Dhabi, também às 15h. O Grêmio já está garantido na decisão. Terá, agora, que descansar, porque o desafio, ao que tudo indica, será muito mais complicado na decisão.