Se você nunca jogou nenhuma versão da lendária série Championship Manager nem conhece o Football Manager (que são o mesmo jogo, onde a mudança de nome teve razões burocráticas), talvez estranhe o entusiasmo para o mesmo merecer uma resenha. Mais estranho ainda pode parecer a devoção cega que os usuários do jogo têm para o mesmo. E esta versão não deixa a desejar.

Em linhas gerais, se trata de um jogo onde você é o treinador-diretor do clube, onde seus encargos vão desde contratar a comissão técnica até decidir quem escalar em cada jogo, passando pelo mercado de contratações, que é um dos pontos altos do jogo.

A versão 2006 do FM veio realmente bem cuidada, com alterações no sistema de treinamentos individuais de cada jogador e uma lustrada no visual, já muito bom. E mais uma vez, para quem não conhece, o termo ´visual´, aqui, não se refere à computação gráfica que faz o bonequinho ter a cara do jogador.

A virtude do jogo é simular com perfeição o ambiente do futebol, levando em conta detalhes mínimos, como o time de coração de cada atleta, até um banco de dados colossal, com mais de 200 mil jogadores, técnicos e diretores inclusos, além de estádios, cidades, climas e competições.

Ao contrário da série Fifa da EA Sports, onde a habilidade manual do jogador é o grande destaque, no FM, a maior virtude é estratégica. Mais uma vez, o jogo massacra a concorrência, fazendo uma simulação da realidade absolutamente crível, elevando o detalhamento a níveis assombrosos.

Como sempre, as versões iniciais do jogo têm falhas, especialmente durante as partidas, onde eventualmente jogadores atuam de modo irreal, mas os ´patches´ de atualização feitos pela SI são geralmente muito bons. O FM 2006 veio com alguns ´bugs´ defensivos, onde os zagueiros centrais patinavam eventualmente e também no novo sistema de treinamento – potencialmente melhor que o anterior, mas ainda precisando de um debug.

A realidade é que a legião de fanáticos pelo jogo (onde a redação da Trivela certamente se enquadra) já sabe muito melhor do que ninguém o quanto o novo jogo é bom. Se você ainda não sabe, dois conselhos: o primeiro, é para não se frustrar no início, uma vez que o jogo tem tantas variáveis que é possível que você se sinta meio como os nossos ´professores´ de plantão.

O segundo, é para refletir bem antes de começar a jogar. Se você é realmente fã de futebol, sem tomar cuidado, é certo que seu conceito de ´diversão´ vá ser revisto para incluir o jogo. Nessas, você pode muito bem se tornar um ermitão ou deixar a sua namorada assistindo TV na sala.