Sejamos francos: os times brasileiros são novamente os favoritos à conquista da Copa Libertadores. Sejamos francos pela segunda vez: não é exatamente porque os times brasileiros jogam o fino da bola, mas muito mais pela disparidade econômica entre o país e o restante do continente. Sendo assim a chance de qualquer time “não-brasileiro” abocanhar o título da Libertadores 2014 é por meio de trabalho árduo e um “quê” de sorte. A parte do trabalho já ficou nítida nessas três primeiras semanas de competição.

O principal exemplo foi dado pelo peruano Real Garcilaso na quarta-feira. Contra o melhor time do Brasil e principal candidato ao título, a equipe de Cuzco teve a seu favor a altitude, mas principalmente aplicação tática e bola parada. Os dois gols saíram dos pés de Ramúa. Em cobrança de escanteio ele mandou no primeiro pau, a bola foi desviada e Britez fez o 1 a 0. Depois em cobrança de falta lateral, Ramúa encobriu Fábio e a bola sobrou para Rodríguez marcar o gol da vitória. Bola parada às vezes é fortuita, mas em ambos os casos foi fruto de jogada ensaiada e bom posicionamento dos jogadores.

O mesmo pode ser dito do Independiente Santa Fe. Não no confronto da última quarta-feira contra o Nacional do Paraguai, mas sim no duelo contra o Morelia e a bem da verdade em toda a participação na Libertadores 2013. Com Omar Pérez o time colombiano sempre tem grandes chances de marcar nas cobranças de falta e escanteio. Os atacantes, velocistas em sua maioria, são instruídos a disparar em direção ao gol e conseguir ou o arremate ou sofrer uma falta. É o jeito do Santa Fe trabalhar e novamente não tem nada a ver com sorte.

O Nacional do Uruguai perdeu para o Grêmio, mas levou perigo nos escanteios e cobranças de falta de Cruzado e depois Recoba. É a estratégia do time. Já Atlético Nacional e Emelec têm um repertório bem mais variado, mas sempre estão preparados para decidir o jogo nos escanteios. No time colombiano Sherman Cárdenas é o cara da bola parada e no clube de Guaiaquil Gaibor e Quiñonez se alternam.

Não que os outros times não estejam preparados para decidir jogos em escanteios, mas enquanto os brasileiros e argentinos se esmeram também na maximização do potencial de seus jogadores mais talentosos, Garcilaso, Santa Fe e companhia sabem que a principal chance de vencer é estar compacto na defesa e decidir quando a bola parada se fizer disponível. O foco e a concentração são muito maiores neste tipo de jogada, tanto de quem vai cabecear, quanto dos especialistas Omar Pérez, Ramúa, Cardenas, Recoba e companhia.

Conversando com o técnico Martin Lasarte, ex-Universidad Católica, e jornalistas de toda a América do Sul pude comprovar o que parece senso comum, mas que vez ou outra carece de embasamento: a disparidade econômica entre Brasil e os demais é absurda, mas o trabalho dos técnicos e aplicação dos jogadores de fora das terras da Copa do Mundo é muito maior. Da mesma forma todos trabalham redobrado para ter a chance de bater a técnica e potencial dos melhores times do continente. É por isso que apesar do favoritismo é possível vislumbrar uma supresa. O Olimpia em si era um time limitadíssimo, mas ficou a um ou dois pênaltis do título…

Trabalho e especialistas. É o que resta.

Colombianas

Na Colômbia o Santa Fe tem 100% de aproveitamento e lidera o Apertura com 12 pontos. O Atlético Nacional é o segundo com 9, seguido pelo Boyacá Chicó, também com 9.

Uruguaias

No Clausura uruguaio o Fénix lidera com seis pontos ao lado do Nacional. O Liverpool é o terceiro, seguido por Wanderers e Peñarol.

Chilenas

No Chile o Colo-Colo segue em uma racha ganadora depois de vencer a Unión Española por 4 a 1 e lidera a competição com 16 pontos. A Católica é a segunda, com 13. O O’Higgins é o terceiro com 12. A Universidad de Chile se encontra na sexta posição com 9 pontos.

Bolivianas

O último fim de semana foi de clássico na Bolívia. The Strongest e Bolívar empataram por 3 a 3 em jogo que marcou a quebra de um recorde. O atacante uruguaio William Ferreira marcou duas vezes pelo Bolívar e se tornou o maior artilheiro da história do clássico, com 19 gols.

- Na tabela o Universitario lidera com 10 pontos em quatro jogos. O The Strongest também tem 10, mas em quatro jogos. O Sport Boys é o terceiro, o Real Potosí o quarto e o Bolívar o quinto.

Venezuelanas

Na Venezuela o Zamora lidera com 13 pontos em seis jogos, o Trujillanos tem 11 pontos, mas em cinco jogos. Na sequência parecem Táchira, Tucanes, Mineros e Deportivo Lara. O Caracas é o oitavo.

Equatorianas

No Equador o Olmedo lidera com 8 pontos, mesma quantidade da Liga de Loja. O Emelec é o terceiro, com 7 pontos ganhos, mas um jogo a menos. A LDU é a sexta, o Barcelona o sétimo e o Deportivo Quito o 11º.

Peruanas

A Federação Peruana de Futebol segue como a mais criativa do continente. Neste ano o futebol nacional começa amanhã com a disputa da Copa Inca. O torneio tem dois grupos de oito com jogos de ida e volta. Os vencedores se enfrentam na decisão. Somente depois da Copa se inicia o Campeonato Peruano.

Paraguaias

O Apertura começa hoje com Libertad x Guaraní. Amanhã o Olimpia enfrenta o General Díaz e o Cerro Porteño joga com o 12 de Octubre no domingo.