Karim Benzema é o camisa 10 da seleção francesa. Mas não é Michel Platini, muito menos Zinedine Zidane. Está, porém, honrando o número que leva nas costas nesta Copa do Mundo. Depois de arrebentar Honduras – marcou dois gols e o outro foi contra, depois de um chute seu -, fez outra partida monumental contra a Suíça, mesmo um pouco longe da sua posição favorita: o mais próximo possível da meta adversária.

Didier Deschamps deixou Antoine Griezmann no banco de reservas e entrou em campo com Olivier Giroud como centroavante. Um pouco mais de presença na área e um reforço no jogo aéreo contra uma defesa (hoje, apenas teoricamente) muito sólida. Funcionou, o atacante do Arsenal abriu o placar de cabeça, mas isso significou que Benzema precisou ser deslocado à ponta esquerda. E quem disse que isso seria um problema para ele?

Benzema não foi tão ponta esquerda quanto a escalação inicial poderia prever. Muitas vezes, e guardadas as devidas proporções, emulou o seu antecessor da camisa 10 francesa e ajudou o meio-campo. Como no lance do segundo gol, quando dominou na intermediária e lançou Matuidi. Jogada de armador. E quando a bola estava no lado direito, e Giroud se aproximava dela, centralizou na entrada da área, como na foto a seguir:

A jogada toda pela direita, e Benzema se apresenta como opção na esquerda

A jogada toda pela direita, e Benzema se apresenta como opção na esquerda (Bruno Bonsanti/Trivela)

Mas também pela ponta esquerda criou dificuldades para a Suíça, de forma até irônica. Porque não teve a velocidade necessária para surgir do outro lado do lançamento nas costas da defesa, como os jogadores dessa posição costumam fazer, mas protegeu a bola e tentou driblar até sofrer o pênalti de Djourou, quando o máximo que conseguiria seria um cruzamento. Desperdiçou a cobrança, mas iniciou, também pela esquerda, o contra-ataque que terminou nos pés de Valbuena e no fundo das redes.

No final do primeiro tempo, Deschamps já esboçou o que tentaria posteriormente para punir ainda mais a aberta defesa suíça. Deslocou Giroud à esquerda e colocou Benzema pelo centro. Foi assim que o time passou a jogar na etapa final, depois que Pogba substituiu Giroud, aos 18 minutos. E foi assim que a vitória tranquila da França virou goleada.

Aqui, Benzema é centroavante

Aqui, Benzema é centroavante (Bruno Bonsanti/Trivela)

Benzema fez o seu, em passe brilhante de Pogba, como centroavante. Da entrada da área, deu o lançamento para Sissoko marcar o quinto. E teria ampliado a sua contagem particular, não fosse o apito precoce do árbitro Bjorn Kuipers, no último segundo da partida. Nada que preocupe o francês, alegre como uma criança na manhã de natal ao passar pela zona mista, assobiando e balançando uma garrafa de água. “Para mim, não tem problema. Estou aqui para trabalhar para os meus companheiros. Perdi um pênalti, mas depois marquei e todos fizeram uma grande partida”, afirmou.

A França perdeu Franck Ribéry pouco antes da Copa do Mundo. Um forte abalo na suas pretensões dentro do torneio, mas mantém muita qualidade no setor ofensivo, liderado por um Karim Benzema em estado de graça, seja pelo meio-campo, pela ponta esquerda ou como centroavante.