Maior campeão egípcio, o Al Ahly ratificou a sua hegemonia no país na última semana. Os Diabos Vermelhos chegaram ao 39° título nacional, bicampeões da Premier League. A conquista desta temporada, entretanto, teve uma marca um tanto quanto especial. O técnico Hossam El-Badry montou uma defesa cujos números são raríssimos na história das ligas nacionais pelo mundo. A equipe sofreu míseros nove gols em 30 rodadas disputadas até o momento, com mais quatro jogos por fazer. Curiosamente, a partida que selou a festa teve um dos “piores” desempenhos da zaga, no empate por 2 a 2 com o Misr Lel Makasa.

Defensor emblemático o do Al Ahly até os anos 1980, El Badry retornou ao clube no início desta temporada. Veio para substituir Martin Jol, que, apesar de levar a liga em 2016, não vinha agradando e pediu demissão após uma enorme confusão causada pela torcida durante um treinamento. E o novo comandante soube extrair o melhor de seu elenco, na terceira passagem pelo banco dos Diabos Vermelhos. Superou desfalques importantes ao longo da campanha e viu o zagueiro Saad Samir ascender como novo xerife da equipe. Colheu resultados impressionantes.

Sem a concorrência do rival Zamalek, em campanha modesta, o Al Ahly sobrou e segue invicto no Campeonato Egípcio. Ganhou 23 de seus primeiros 30 jogos, sempre contando com a solidez de sua defesa. Em 23 dessas partidas, sendo 20 vitórias e três empates, o clube da capital não sofreu um gol sequer. Entre novembro e abril, o time chegou a tomar apenas um gol em 18 partidas consecutivas. Segurança impressionante, que encaminhou a taça. Na temporada passada, por exemplo, foram 24 gols levados em 34 rodadas. Para efeito de comparação, na história das cinco grandes ligas europeias, nunca houve uma defesa tão difícil de ser batida, com média igual ou inferior a 0,3 gols sofridos por jogo.

Ainda assim, o ataque também teve os seus destaques. O time sofreu com a produtividade da linha ofensiva em algumas partidas, mas melhorou a partir de janeiro, especialmente após as contratações do nigeriano Junior Ajayi e Souleymane Coulibaly – este, ex-jogador do Tottenham e Bola de Ouro do Mundial Sub-17 de 2011. Coulibaly, contudo, abandonou o elenco no final de semana, alegando ser tratado pelo clube “como um escravo”. As declarações foram refutadas por diversos membros do clube, incluindo outros jogadores, acusando o marfinense de forçar o fim de seu contrato.

Acima do Campeonato Egípcio, no entanto, o objetivo principal do Al Ahly é recuperar a taça na Liga dos Campeões da África. Os octacampeões continentais lideram o seu grupo no torneio, com sete pontos somados em três partidas na fase de grupos. Como era de se esperar, a defesa permanece intransponível depois de cinco partidas, contando também a fase preliminar. Fortaleza que pode levar os Diabos Vermelhos bem mais longe.