Hummels comemora seu gol contra a França (AP Photo/Matthias Schrader)

Alemanha anulou o melhor da França para avançar às semifinais

A crônica

Camisa pesa, sim. Apesar da tradição da França, a da Alemanha ainda é maior. A experiência dos jogadores alemães atuando como um time só, unido, que se conhece bem, também. Os Bleus tinham os talentos individuais e também um bom conjunto, mas isso não foi suficiente para superar a frieza e inteligência dos comandados de Joachim Löw. Sabendo anular a maior qualidade da França, seu meio de campo, a Alemanha venceu por 1 a 0, administrou a partida e teve até chances para ampliar. Os franceses ameaçaram chegar ao empate, mais pelo abafa dos momentos finais que por uma mudança na partida. Venceu o time mais calejado com esse tipo de experiência.

Nos minutos iniciais, a Alemanha tinha maior posse de bola, mas a França era mais incisiva. A primeira boa chance da partida foi dos Bleus, com Valbuena aparecendo bem pela esquerda, girando dentro da área e cruzando para Benzema. O atacante pegou de primeira na bola e mandou a poucos centímetros da trave direita de Neuer. A resposta da Nationalmannschaft foi rápida e letal. Aos 13 minutos, Toni Kroos cobrou falta da intermediária, levantando na área, e Mats Hummels subiu melhor que Varane para fazer de cabeça o gol alemão, contando ainda com um desvio no travessão antes de balançar a rede.

A partir do gol, a Alemanha ficou mais tranquila e conseguiu dominar o meio de campo. Os jogadores se aproximavam uns dos outros, diminuindo a possibilidade de erros de passe e isolando os franceses uns longes dos outros. Com a bola, os alemães faziam uma série de triangulações bem-sucedidas, enquanto os franceses não conseguiam trabalhar a bola da defesa ao ataque. Karim Benzema passou a ficar completamente isolado, e Matuidi e Pogba não conseguiam fazer a diferença. Griezmann buscava a bola no meio do campo, mas apostava demais na jogada individual e era rapidamente parado pela marcação alemã.

Apesar de tentar subir a marcação para levar mais perigo à Alemanha, a França só conseguia retomar a posse da bola em seu terço defensivo, já quando a Nationalmannschaft já estava para finalizar. E, quando fazia isso e partia para o contra-ataque, encontrava uma Alemanha surpreendentemente rápida em recompor a marcação, especialmente por causa da introdução de Khedira ao meio de campo titular.

Yohan Cabaye, que nos outros jogos foi essencial com seu primeiro toque de qualidade no meio do campo, estava mal na partida, e então a França começou a recorrer a um recurso que funcionou contra a Suíça: ligação direta. Aos 33 minutos, Varane deu um chutão para a frente, Griezmann dominou e cruzou para Valbuena. O baixinho, ofuscado por um mascote quase do seu tamanho na hora da execução dos hinos, apareceu bem para finalizar, e Manuel Neuer fez grande defesa para evitar o empate.

Depois do intervalo, a Alemanha seguiu com sua proposta de dominar o jogo a partir do controle no meio do campo, e as dificuldades francesas só cresciam conforme o tempo passava. Os Bleus não evoluíram taticamente. Só conseguiram levar perigo quando partiram para aquela pressão comum ao time que busca um empate salvador para evitar uma desclassificação. Aos 30 minutos do segundo tempo, Benzema recebeu boa bola dentro da área, mas foi brilhantemente interceptado por Mats Hummels, uma verdadeira barreira no jogo. Um minuto depois, foi a vez de Matuidi levar perigo, mas Neuer parou o jogador.

Depois disso, a França passou a dar espaços relevantes para contra-ataque, e assim a Alemanha chegou com perigo quase ampliando o placar. Aos 36 minutos, um contra-golpe iniciado pela esquerda parou nos pés de Schürrle, dentro da área, no canto direito. Livre, o jogador do Chelsea bateu cruzado, com pouquíssima força e muita displicência, uma marca do ataque alemão na reta final do jogo. A última grande chance do jogo foi da França. Karim Benzema recebeu dentro da área e mandou uma bomba, no alto, mas Neuer esticou de maneira firme o braço, que serviu como uma trave para ricochetear a bola para frente.

Neuer salva a Alemanha na última boa chance da França (AP Photo/Thanassis Stavrakis)

Neuer salva a Alemanha na última boa chance da França (AP Photo/Thanassis Stavrakis)

Pela quarta vez consecutiva, a Alemanha chega pelo menos às semifinais de uma Copa do Mundo. Esse tipo de experiência, mesmo com a transição de gerações, conta muito para uma equipe, e a Nationalmannschaft mostrou hoje que ter vivência e, consequentemente, tranquilidade para fazer o jogo que você se propõe a fazer, são fatores chaves para jogos decisivos. A capacidade do time de Löw de se adaptar a diferentes tipos de adversários é admirável, e Colômbia ou Brasil agora terão que estar atentos a isso na semifinal.

FICHA TÉCNICA

França 0×1 Alemanha

França

França

Hugo Lloris; Mathieu Debuchy, Raphäel Varane, Mamadou Sakho (Laurent Koscielny, 27′/2T) e Patrice Evra; Paul Pogba, Yohan Cabaye (Loïc Rémy, 28′/2T) e Blaise Matuidi; Mathieu Valbuena (Olivier Giroud, 40′/2T), Karim Benzema e Antoine Griezmann. Técnico: Didier Deschamps.

Alemanha

Alemanha escudoManuel Neuer; Philipp Lahm, Jérôme Boateng, Mats Hummels e Benedikt Höwedes; Bastian Schweinsteiger, Sami Khedira, Thomas Müller, Toni Kroos (Christoph Kramer, 47′/2T) e Mesut Özil (Mario Götze, 38′/2T); Miroslav Klose (André Schürrle, 24′/2T). Técnico: Joachim Löw.

Local: Maracanã, no Rio de Janeiro
Árbitro: Néstor Pitana (ARG)
Gols: Mats Hummels, 13′/1T
Cartões amarelos: Sami Khedira e Bastian Schweinsteiger
Cartões vermelhos: nenhum

O cara

Mats Hummels

Mats Hummels não apenas subiu muito bem para fazer o único gol do jogo e garantir a vitória da Alemanha. O zagueiro foi incrível também na defesa, como no lance em que interceptou Benzema, aos 30 minutos do segundo tempo, evitando o empate da França.

Os gols

13′/1T: GOL DA ALEMANHA!

Toni Kroos levanta bola na área em cobrança de falta, e Mats Hummels ganha disputa pelo alto com Varane para cabecear para o gol, contando ainda com um desvio no travessão.

A Tática

Escalações iniciais de França e Alemanha

Escalações iniciais de França e Alemanha

Sem a bola, o 4-3-3 da França virava um 4-5-1, com Valbuena e Griezmann fazendo linha com os meio campistas. No ataque, a formação francesa seguia quase à risca o posicionamento inicial de seus jogadores, com exceção dos pontas, que eventualmente revezavam os flancos. Pogba e Matuidi apareciam com liberdade para atacar. Já a Alemanha deixou o 4-3-3 dos últimos jogo para lá e apostou em um 4-2-3-1, com Khedira reforçando a marcação, para dar mais liberdade para os meio-campistas avançarem. Lahm voltou à lateral direita, com Schweinsteiger sendo titular no meio, e Müller foi para a direita, com a promoção de Klose ao time titular.

A Estatística

10

De 1966 para cá, a Alemanha chegou à fase de semifinais em dez oportunidades. Só não conseguiu em 1978, 1994 e 1998.


Alemanha e França decidem uma vaga nas semifinais da Copa do Mundo. Um grande clássico para o Maracanã. Quem passar pega o vencedor de Brasil x Colômbia