O primeiro campeonato europeu de seleções apresentou números modestos, ainda: somente dezessete seleções nacionais decidiram participar de um torneio que era disputado num sistema diferente do que é conhecido hoje. Após play-offs de classificação, oito equipes disputavam as quartas de final. E, em todos esses duelos, o sistema era de partidas de ida e volta, em cada país. Só então, os classificados disputariam a fase final numa mesma sede, definida entre os quatro, de comum acordo, com jogos únicos.

E as quartas de final trariam uma curiosidade que marcou o torneio. Para isso, é necessário lembrar algo: vez por outra, usa-se “vermelho” como sinônimo de “comunista”. Sob esse ponto de vista, pode-se chamar a primeira Euro de “vermelha”: dos quatro que chegaram à fase final, três do Leste Europeu (Tchecoslováquia, União Soviética e Iugoslávia) enfrentaram a França, dona da casa. E o aspecto político não ficou apenas nessa curiosidade: a URSS só avançou às semis ao vencer por WO o duelo contra a Espanha, que seria em Moscou. A razão do WO: o Generalíssimo Francisco Franco simplesmente proibiu a delegação espanhola de ir à capital soviética.

A França mais uma vez justificou a fama de seleção goleadora, que ostentara a partir da Copa de 1958: contando ainda com Just Fontaine e Raymond Kopa no ataque, além de Jean Vincent, aplicou 5 a 2 e 4 a 2 na Áustria. Contando já com a liderança de Josef Masopust e Jan Popluhar, além do destaque Vlastimil Bubnik, no ataque, a Tchecoslováquia não deu a menor chance à Romênia para chegar à fase final, fazendo 3 a 0 e 2 a 0. Já a Iugoslávia teve mais dificuldades contra Portugal: foi superada em Lisboa (2 a 1, com o principal destaque luso sendo Matateu, do Belenenses), mas devolveu com juros e correção monetária na volta: foi às semifinais com um 5 a 1, em Belgrado.

Na fase final, os soviéticos provaram que não chegaram ali apenas por benefício do WO espanhol. Na semifinal, em Marselha, destroçaram os tchecos por 3 a 0. A outra semi foi bem mais equilibrada: em Paris, no Parque dos Príncipes, iugoslavos e franceses protagonizaram o jogo que teve mais gols até hoje na história da Euro (nove). A Iugoslávia de Drazen Jerkovic, futuro artilheiro da Copa de 1962, foi heróica, tendo virado o placar adverso de 3 a 1 para 5 a 4.

Mesmo derrotada, a Tchecoslováquia conseguiu bater a França na decisão do terceiro lugar, fazendo 2 a 0. Na final, também em Paris, o heroísmo foi da União Soviética. Pouco antes do intervalo, Milan Galic pôs a Iugoslávia na frente. Já no início do segundo tempo, Slava Metreveli empatou. E o goleiro Lev Yashin tratou de fazer uma jornada exemplar, levando o jogo para a prorrogação. E aí, Viktor Ponedelnik – eleito o melhor do torneio -, aos 8 do segundo tempo, deu o título da primeira Euro aos soviéticos.