A França finalmente assegurou uma das vagas na Copa do Mundo de 2018. Foi na última rodada, nesta terça-feira, contra Belarus, no Stade de France. A vitória sobre Belarus por 2 a 1 garantiu o carimbo no passaporte francês para o Mundial, o primeiro objetivo. O futebol, porém, nem sempre convenceu para uma das seleções mais talentosas do mundo. Por vezes o time ficou devendo – e o empate por 0 a 0 com Luxemburgo, em casa, talvez seja o principal exemplo disso. Ainda assim, a expectativa em cima dos Bleus é enorme. Muito mais pelo que pode fazer do que pelo que faz.

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Uma classificação que veio até tarde pelo que as outras seleções mostraram, ainda que o grupo tivesse duas seleções importantes, a Suécia e a Holanda. A campanha dos franceses foi sete vitórias, dois empates e uma derrota. A única vez que o time do técnico Didier Deschamps perdeu foi para a Suécia, no dia 9 de junho, em uma virada na Friends Arena, em Solna. Uma vitória que acabou sendo crucial para a classificação sueca à repescagem, deixando a Holanda para trás.

A vitória nesta terça-feira veio sem precisar jogar muito, mas dominando completamente o jogo contra um adversário tecnicamente muito inferior. Griezmann abriu o placar aos 27 minutos do primeiro tempo. E foi e uma boa jogada pelo primeiro tempo, em uma jogada com a qualidade que se espera de um time técnico como a França. Corentino Tolisso, pelo meio, tocou para Blaise Matuidi, que colocou para Griezmann. O atacante chutou cruzado para marcar 1 a 0.

O segundo gol não demorou. A fórmula, desta vez, veio de uma recuperação de bola. Passe errado que Griezmann interceptou e imediatamente acionou Olivier Giroud. O centroavante dividiu com o zagueiro e viu a bola entrar, com alguma sorte: 2 a 0. O jogo, então, entrou naquele controle absoluto de um jogo de um time forte contra um time fraco.

Belarus conseguiu diminuiu o placar aos 44 minutos, o que deu alguma graça ao jogo. Uma jogada aparentemente despretenciosa acabou em gol. Bola na direita com Kovalev, que conseguiu um cruzamento rasteiro e Saroka finalizou meio mascado para acertar o canto de Hugo Lloris. Placar em 2 a 1 no Stade de France.

O segundo tempo manteve o panorama: França com a bola rodeando a área, esperando uma chance de ampliar. Alguns chutes perigosos aconteceram, é verdade, mas nada que fizesse os torcedores vibrarem muito, nada que arrancasse aquele “UUUUUUH” de quando a bola realmente passa perto.

Belarus até teve uma chance de empatar com Saroka,aos 20 minutos. O atacante acabou errando o alvo e a (falta de) qualidade pesou um pouco. A França não tinha pressa e colocou em campo jogadores para tentar melhorar a criatividade e até a velocidade. Moussa Sissoko, Kylian Mbappé e Dimitri Payet entraram para tentar dar mais velocidade e talvez fazer o time ir além.

Só um lance acabou surgindo com real perigo. Mbappé fez uma bela jogada pelo meio, driblando, e parou ao cair na área. Tentou o pênalti, mas o árbitro não foi na dele e o replay mostrou que ele não foi mesmo tocado. Foi Belarus que teve uma chance no final do jogo, com Saroka, novamente desperdiçada.

O gol não veio, mas o placar de 2 a 1 a favor já era suficiente. A França estava na Copa do Mundo mais uma vez. Garantiu o seu lugar na Rússia para tentar ser o que se espera que ela seja. Por enquanto, é um bom time, mas tem muito mais potencial do que futebol apresentado.

O grande desafio para Deschamps é fazer com que o potencial da França se transforme em futebol para, assim, justificar a pecha de estar entre as favoritas à conquista da Copa do Mundo. Na Eurocopa de 2016, disputada em casa, a França deu a impressão de ser um time muito aquém das próprias possibilidades. Talvez por uma limitação do próprio técnico, que ainda mostrou pouco.

A escalação do time mostra que a diferença entre o que o time joga e o que pode jogar ainda é grande: Hugo Lloris; Djibril Sidibé, Raphael Varane, Samuel Umtiti e Lucas Digne; Corentin Tolisso, Blaise Matuidi, Kingsley Coman e Thomas Lemar; Antoine Griezmann e Olivier Giroud. No banco, o técnico ainda tinha Dimitri Payet, Kylian Mbappé, Moussa Sissoko (os três que entraram), Adrien Rabiot, Alexandre Lacazette, sem falar nos desfalques, como o de Paul Pogba, machucado. É um timaço. Que não joga como tal.

É claro que isso, antes da Copa, vale muito pouco, para não dizer nada. O que importa é aquele mês no qual a Copa é disputada. Quem estiver no melhor mês vence. O talento é abundante no time. As variações táticas do time ainda parecem muito poucas, assim como o futebol jogado.

No papel, sem dúvida a França é um dos melhores elencos de seleções do mundo. Ainda tem Griezmann, um dos melhores jogadores do mundo, ainda que ele, também, precise mostrar isso no maior nível, como uma Copa. Em 2014, ele já foi bem. Em 2015, foi o protagonista do time vice-campeão europeu, o que soou mais como derrota. Agora, é a hora dele ser o grande astro de um time forte em uma Copa.