France Ukraine Wcup Soccer

A França vem à Copa pouco badalada, mas com um time forte o suficiente para ir longe

A França chega silenciosa à Copa do Mundo. Fez uma campanha nas Eliminatórias apenas razoável, nada suficiente para superar a Espanha em seu grupo. Foi obrigada a disputar a repescagem e, com muito sofrimento, eliminou a Ucrânia. Teve um desempenho patético em seu último Mundial, assim como em sua última Eurocopa. Pior que isso, ainda conta com um péssimo histórico de crises de relacionamento em seu elenco, que quase sempre atrapalham (e muito) dentro de campo. Mas, se você se concentrar apenas na convocação e no crescimento nos últimos tempos, é bom ficar de olho nos Bleus desde já.

>>> A França está recebendo menos atenção do que deveria às vésperas da Copa

Três ausências foram sentidas na lista dos 23 nomes elaborada por Didier Deschamps. O mais reclamado é o de Samir Nasri, que vem em boa fase no Manchester City. Mas nada absurdo, considerando que Franck Ribéry e Mathieu Valbuena são intocáveis nas meias, Clément Grenier é mais versátil para mudanças táticas e Antoine Griezmann correspondeu muito bem quando testado na seleção. Os próprios problemas que Nasri causou na Euro 2012, aliás, também devem ter pesado contra em seu currículo.

Já os outros dois deixados de lado são Éric Abidal e Gaël Clichy. Má fase por má fase, o lateral esquerdo do Manchester City foi preterido pelo experiente Patrice Evra, com Lucas Digne ganhando espaço. Abidal, por sua vez, foi importante na classificação ao Mundial por sua liderança e o seu exemplo. Mas isso não importou tanto quanto sua falta de sequência no Monaco e o momento de seus concorrentes – Koscielny, Sakho, Mangala e Varane compõem o quarteto de beques chamados, bastante justificável.

Entretanto, mais do que discutir as ausências pontuais, a França precisa ser destacada pelo time titular completíssimo que pode contar. Hugo Lloris é o ótimo goleiro que lidera uma defesa com ótimas opções, tanto para o miolo de zaga quanto pelas laterais. O meio-campo tem alguns dos melhores volantes da atualidade, com Paul Pogba e Blaise Matuidi, além de alternativas muitíssimo competentes com Yohan Cabaye, Rio Mavuba e Moussa Sissoko. Franck Ribéry é o craque de uma equipe com muita presença pelas pontas. Por fim, o peso da artilharia é de Karim Benzema, inspirado no Real Madrid e recuperado de seu jejum nos Bleus – ainda com a sombra de Giroud e Rémy, que permitem também mudanças na forma do time jogar.

>>> O futuro foi mais importante que o passado na pré-convocação da Itália para a Copa
>>> Pré-convocação da Espanha não resolve uma dúvida: quem serão os atacantes?

O chaveamento já permite uma vida longa à França com o mínimo de esforço. Não deve ter tanto trabalho para passar da primeira fase e ainda pegará o segundo colocado do grupo da Argentina. Desafio, só nas quartas, quando pegará o primeiro do Grupo G (a Alemanha é a favorita) ou o segundo do Grupo H (que não promete tanto assim). Tempo mais do que suficiente para os Bleus botarem ordem na casa, embalarem e fugirem das crises internas. Como aconteceu em 2006, por exemplo, quando nem mesmo a primeira fase caótica atrapalhou a campanha até a final – embora, cabe a ressalva, tivessem Zidane para destruir daquela vez.

Ter que encarar a repescagem e depender de uma vitória por três gols de diferença para se garantir no Mundial, no fim das contas, foi bom para a França. Serviu para unir o elenco e aumentar o ânimo para o Mundial. No último amistoso para a convocação, essa sensação foi reforçada pela vitória por 2 a 0 sobre a Holanda, sem muitos problemas. Se Deschamps conseguir superar os dilemas que quase sempre afetam os Bleus e manter o foco apenas no futebol, só se surpreenderá com os franceses quem realmente não prestou atenção suficientemente neles.

Confira os 23 convocados da França para a Copa do Mundo:

Goleiros: Hugo Lloris (Tottenham), Steve Mandanda (Olympique de Marselha) e Mickaël Landreau (Bastia).

Defensores: Raphaël Varane (Real Madrid), Mamadou Sakho (Liverpool), Mathieu Debuchy (Newcastle), Laurent Koscielny (Arsenal), Lucas Digne (Paris), Eliaquim Mangala (Porto), Bacary Sagna (Arsenal) e Patrice Evra (Manchester United).

Meio-campistas: Yohan Cabaye (PSG), Paul Pogba (Juventus), Blaise Matuidi (PSG), Moussa Sissoko (Newcastle), Clément Grenier (Lyon), Rio Mavuba (Lille) e Mathieu Valbuena (Olympique de Marseille).

Atacantes: Karim Benzema (Real Madrid), Franck Ribéry (Bayern de Munique), Antoine Griezmann (Real Sociedad), Olivier Giroud (Arsenal) e Loïc Rémy (Newcastle)