Não foi a partida mais técnica. Nem a mais disputada. Sequer teve muitas chances de gol. Mas quem se importa com isso, diante do épico vivido pelo Atlético Paranaense na Libertadores? O Furacão pareceu morto na Vila Capanema, e em mais de um momento. Ressuscitou três vezes. Eliminou o Sporting Cristal, sacramentou sua vaga na fase de grupos. No sufoco com a vitória por 2 a 1 no tempo normal, na emoção com o triunfo por 5 a 4 nos pênaltis. Os rubro-negros não são favoritos ao título continental. Porém, diante de tamanha prova de fé, merecem respeito de qualquer um que cruzar o seu caminho.

Assim como foi na visita a Lima, não faltaram ressalvas à atuação do Atlético. O time foi a campo com três volantes, mesmo precisando da vitória. Criou poucas oportunidades de gol e caía na cera dos peruanos. Zezinho foi expulso após cair na pilha de Balbín, enquanto os peruanos arrastavam o jogo e abusavam dos cartões amarelos. O cenário era negro quando os paranaenses seguiram ao intervalo, sem sequer obrigarem o goleiro Penny a sujar o uniforme. A equipe de Miguel Ángel Portugal precisaria ressurgir pela primeira vez.

A falta de ligação do time tentou ser solucionada com a entrada de Fran Mérida. Não melhorou tanto a fluidez do Atlético, mas o espanhol ao menos teve estrela para participar do gol que abriu o placar. Cobrou a falta que Manoel desviou para as redes, de cabeça. Alegria que durou pouco, com o empate de Irven Ávila minutos depois, aproveitando também um lance de bola parada. E em posição irregular, para a revolta dos anfitriões.

Mesmo com a expulsão de Cossío, que colocava o Furacão em vantagem numérica, o coma se tornava cada vez mais profundo. Para piorar, Marcelo Cirino se machucou e deixou os rubro-negros também com nove homens em campo. Era necessário ressurgir das cinzas outra vez. O que aconteceu apenas nos acréscimos. Rebatida na área, Ortíz afastou com a mão. Pênalti. Ederson cobrou com maestria. A vitória por 2 a 1 dava sobrevida na decisão por pênaltis.

Novamente, os atleticanos viram suas esperanças se esvaírem. Deivid e Nathan desperdiçaram suas cobranças. A três penalidades do fim, o Furacão precisava de dois erros do Sporting Cristal e de um acerto de Natanael. O impossível aconteceu. E, nas cobranças alternadas, sem mais tantos apuros, os brasileiros prevaleceram. Manoel converteu o último pênalti do time, antes que Aquino fizesse a Vila Capanema explodir. O preto, do luto pela eliminação quase certa, foi dominado pelo vermelho do sangue que correu nas veias para reverter a situação.

O Atlético tem muito a resolver para engrenar na Libertadores. A falta de encaixe do time, com sérias dificuldades em conectar meio-campo e ataque, é uma delas. Outro problema sensível é a falta de profundidade do elenco. Além de Mérida, Portugal mandou a campo no segundo tempo Mosquito e Nathan, um garoto de 18 anos e outro de 17 que faziam a segunda partida como profissionais. Fogueira que, mais do que depositar confiança nas promessas, deixa exposta a falta de opções. Mostrando-se empenhado para entrar em forma, Adriano pode ser um ganho e tanto não apenas pelo faro de gol, mas também pela experiência no torneio que adicionará ao time.

O caminho no Grupo 1 não é tão duro assim, mas o Atlético precisa evoluir.  O Vélez Sarsfield é o adversário mais qualificado, o Universitario está acima do Sporting Cristal que deu tanto trabalho e o Strongest impõe um grande desafio na altitude. A classificação às oitavas de final é palpável, só que não virá por inércia. Ainda assim, por mais que a situação não seja tão simples, os atleticanos não devem perder a confiança. A superação já é um dos trunfos do Furacão nesta Libertadores.