Na Super Copa Gaúcha, o gol qualificado é aquele marcado em casa. Bem, pelo menos no confronto entre Brasil de Pelotas e São Paulo de Rio Grande será assim. As duas equipes foram punidas com perda de mando de campo por incidentes em anteriores e encontraram uma brecha que lhes permitiu basicamente inverter o mando de campo. Com mando do Brasil, o primeiro jogo não será disputado em Pelotas, no Bento Freitas, mas, sim, na casa do São Paulo, no Aldo Dapuzzo, em Rio Grande. Já a segunda partida, cujo mandante é o São Paulo, acontecerá no Bento Freitas.

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Apelidada de Copa Fernandão em 2014, a competição começa com um mata-mata de 22 equipes, em que os 11 vencedores de confrontos de ida e volta avançam para a segunda fase, além do “melhor perdedor”. Um desses confrontos que começam a ser disputados hoje é o de ida entre Brasil e São Paulo, em Rio Grande. Como o gol como visitante conta como critério de desempate e os mandos foram “invertidos”, na prática teremos um “gol qualificado em casa”. Confuso, mas juridicamente perfeito no ponto de vista de Luiz Fernando Costa, diretor jurídico da FGF.

“Tanto o Brasil quanto o São Paulo têm perdas de mando de campo a cumprir. Coincidentemente, jogam os dois entre eles agora. Pelo regulamento, o clube que é punido tem a prerrogativa e a faculdade de indicar o campo, desde que não seja na sua cidade. Que que o Brasil fez? Indicou o campo do São Paulo. O São Paulo aceitou, anuiu com essa requisição do Brasil e vai jogar lá. O São Paulo, por via transversa, também indicou o brasil, que aceitou. Então não há inversão do mando de campo, há uma coincidência”, explicou o diretor jurídico, em entrevista ao programa Bom Dia Rio Grande.

A punição ao Brasil de Pelotas foi de perda de dois jogos de mando por causa dos incidentes do clássico Bra-Pel em setembro do ano passado, pela Copa Fronteira-Sul, confronto interrompido aos 33 minutos do segundo tempo quando uma confusão entre as torcidas tomou conta das arquibancadas, com arremesso de pedras de ambos os lados. Já o São Paulo tem uma punição de três jogos por incidente em partida contra o Riopardense ainda em abril do ano passado.

Na prática, é como se não houvesse punição. O acaso de duas equipes de cidades diferentes terem sido punidas e se encontrarem, com a possibilidade da troca de mando com base jurídica, torna tudo completamente aceitável. Resta à Federação Gaúcha dar uma repensada no seu regulamento para evitar a repetição de casos como esse, caso queira de fato seguir com suas punições. Os torcedores de Brasil e São Paulo, que nada têm a ver com isso, é que agradecem. Até quem quiser ver as duas partidas, partindo de Pelotas ou de Rio Grande, terá pela frente apenas cerca de 58 km de viagem. Quase como se fosse na mesma cidade.