Vinte grandes ídolos que nos fazem lembrar como o Parma já valeu bem mais que € 1

10 de Fevereiro de 2015 às 18:52




O Parma nunca esteve entre os clubes mais tradicionais da Itália. A bem da verdade, a ascensão dos gialloblù só aconteceu graças ao dinheiro da Parmalat, que também se aproveitou do clube para cometer fraudes. Porém, para quem se lembra um pouco dos grandes times montados durante os anos 1990 e 2000, bate uma pena em ver a situação atual do clube. Lanterna da Serie A, com apenas nove pontos em 21 rodadas, o Parma foi vendido pela segunda vez em dois meses. E pelo preço irrisório de € 1. Um valor apenas simbólico, diante da dívida de € 200 milhões que o novo presidente Giampietro Manenti deverá arcar, € 15 milhões necessários nas próximas semanas para que a falência não chegue.

“Vamos começar o nosso trabalha amanhã. Temos que tomar cuidado com as necessidades imediatas, enquanto haverá tempo para os planos técnicos. Estaremos concentrados nos novos membros da diretoria e honraremos nossos compromissos a curto prazo. A atmosfera é serena, as pessoas parecem regeneradas”, declarou Manenti, em sua chegada. Já deve ter consciência que o recomeço acontece na segunda divisão, e em um país cujo futebol sofre bastante com o desgaste econômico. E uma das primeiras medidas é enxugar o elenco, que possui mais de 70 jogadores, a maioria espalhada em empréstimos.

Desde 1990/91, o Parma se ausentou da primeira divisão por apenas uma temporada. Mesmo com a debandada de jogadores a partir da quebra da Parmalat, em 2000, e com a falência do clube em junho de 2004, os gialloblù conseguiram se manter como uma equipe média. Chegaram mesmo a terminar o campeonato em 2013/14 na sexta posição, o que daria uma vaga na Liga Europa. Porém, os problemas financeiros os barraram do torneio continental, o que deflagrou ainda mais a crise interna.

Para um clube que até a década de 1980 só havia disputado a Serie A uma vez, e que tinha como maiores feitos quatro títulos da Serie C (dois deles, sob o comando de Cesare Maldini e Arrigo Sacchi), a década de 1990 se transformou em um conto de fadas. Mesmo na liga mais rica do mundo na época, o dinheiro da Parmalat tornou os gialloblù uma potência nacional. Não a ponto de conquistar o Scudetto. Ainda assim, para chegar a um vice e a três Copas da Itália. E, além disso, se tornar uma força secundária nas competições europeias, com dois títulos da Copas da Uefa e uma Recopa Europeia. Sem falar nos craques que vestiram a camisa amarela e azul.

Neste momento, a torcida que visitou o Ennio Tardini nestes anos todos precisa se manter unida em torno do clube. Dificilmente o clube terá a sorte de usufruir de um mecenato como o da Parmalat, mas poderá se manter com as próprias pernas em uma cidade de 200 mil habitantes. Talvez nem como um time médio, mas para viver na gangorra entre as duas primeiras divisões sem precisar desaparecer. Olhar para as glórias, agora, apenas nas páginas amareladas dos antigos jornais que narravam as epopeias de verdadeiros timaços.