A entrevista coletiva que anunciou o nome de Gilmar Rinaldi como novo coordenador técnico da Seleção brasileira teve Alexandre Gallo como um dos protagonistas. Foi dele uma das falas mais longas, explicando o trabalho que faz como Coordenador das Categorias de Base da Seleção. O seu protagonismo surpreende, porque ele era parte da comissão técnica e foi um dos poucos que ficou após a saída não só de Felipão, mas de vários membros importantes.

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A carreira de Gallo não teve grandes momentos até aqui. Passou por diversos clubes, mas pouco conseguiu fazer. Depois de alguns estágios e exercer o papel de auxiliar técnico, Gallo começou a carreira no Villa Nova, em Minas Gerais, passou pela Portuguesa rapidamente, só por sete jogos, antes de abandonar o clube e ir para o Santos ser auxiliar de Vanderlei Luxemburgo. Foi terceiro colocado no Campeonato Paulista, mas acabou demitido na 28ª rodada do Campeonato Brasileiro, com o Santos em sexto lugar.

Depois de passagem pelo Japão, no Tokyo, foi para o Sport, onde conquistou o título pernambucano em 2007. Deixou o clube para assumir o Internacional, onde conquistou a Recopa, mas foi demitido na 18ª rodada do Brasileiro, com o Inter em 10º lugar. Foi para o Figueirense, onde foi campeão catarinense em 2008, mas acabou demitido na segunda rodada do Brasileiro.

Foi contratado pelo Atlético Mineiro e estreou na quarta rodada. Acabou demitido na 16ª rodada, depois de tomar 6 a 1 do Vasco e beirar a zona do rebaixamento, em 15º lugar. Foi para o Bahia e acabou vice-campeão baiano em 2009, mas foi demitido na nona rodada da Série B daquele ano. Foi para o Náutico, foi vice-campeão pernambucano, mas foi demitido na 25ª rodada da Série B, em 11º lugar. Foi para o Avaí em 2011 na quinta rodada do Brasileiro, mas acabou demitido na 17ª rodada. Assumiu o Náutico em 2012 e evitou o rebaixamento, além de classificar o time à Sul-Americana, terminando em 12º lugar. Tinha renovado o seu contrato para 2013, mas, em janeiro de 2013, foi chamado para ser técnico da Seleção sub-20, e acabou tornando-se coordenador da base (com informações do Futdados).

Seu trabalho à frente da seleção não obteve grandes títulos. Chegou em um cenário de terra arrasada, depois do time sub-20 ter feito uma campanha ridícula. No torneio, disputado na Argentina, o time foi o lanterna do Grupo B atrás de Peru, Uruguai, Equador e até da Venezuela. O fracasso só não foi maior porque o mandante do torneio, a Argentina, também fez campanha desastrosa e acabou em penúltimo no Grupo A, atrás de Chile, Colômbia e Paraguai. Os dois times foram eliminados na primeira fase e acabaram sem vaga no Mundial. O técnico era Emerson Ávila.

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No Sul-Americano sub-17, já sob o seu comando, o Brasil acabou em terceiro lugar, atrás da Argentina e da Venezuela, e se classificou ao Mundial, no México. Lá, o time acabou eliminado nas quartas de final pelo México, que seria campeão. Dos títulos mais importantes, o treinador conquistou duas veze o Torneio de Touloun, em 2013 e 2014. A competição tem pretígio e reúne times sub-21 de alguns dos principais países.

Os resultados podem não ser o principal em uma seleção de base, mas essa afirmação vale mais para clube do que seleção, há um ponto que parece explicar a permanência de Gallo. O famoso relatório que ele e Roque Júnior teriam feito sobre a Alemanha dizia que era indicado povoar o meio-campo e jogar sem um centroavante, com um jogador mais móvel. Felipão escalou Bernard no lugar de Neymar, manteve o meio-campo só com Paulinho e Luiz Gustavo e manteve Fred como centroavante. O relatório vazou para a imprensa, o que gerou críticas a Felipão.

Mais do que isso, Gallo ficou com fama de traíra com a comissão técnica por esse relatório ter ido parar nas mãos da direção da CBF, que ouvia sobre o fato do técnico ser teimoso. A suspeita é que Gallo teria vazado esses relatórios para se distanciar do vexame, além de tentar manter as ótimas relações com a direção da CBF, mostrando que o problema não era ele.

Gallo ganhou força com o projeto Olímpico e trouxe vários dados na coletiva de imprensa da CBF, ganhando apoio de Marin publicamente. A confusão foi tão grande que pareceu em dado momento que ele seria coordenador de seleções, o que não se confirmou. A sua relação com os clubes é difícil, como a ESPN mostrou. A sua força mostrada nesta quinta é uma demonstração que Gallo está forte na entidade, independente do motivo. Até porque até aqui, é difícil entender por que ele é tão prestigiado.

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