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Galo está longe de ser o mesmo de 2013 e precisará se transformar para evitar seu velório no Horto

O roteiro até pode parecer o mesmo. O Atlético Mineiro começou os mata-matas da Copa Libertadores de 2014 em um calvário bem parecido ao do ano passado, na campanha do título inédito: vendo Victor se santificar perante a torcida e tomando sufoco fora de casa. Aos alvinegros mais fanáticos, porém, a confiança no velho lema é inabalável. Caiu no Horto, está morto. Mas será que ainda é assim? Muita coisa mudou desde a façanha comandada por Cuca. E o ceticismo é até natural depois da derrota por 1 a 0 sobre o Atlético Nacional, no Estádio Atanásio Girardot, em Medellín.

Desde antes do apito inicial, o Galo já tinha noção da parada duríssima que teria pela frente. As derrotas do Nacional para o Grêmio na fase de grupos pareciam mais uma exceção do que a regra para um time que vem em ótima fase no futebol colombiano há um tempo. E não seria mera coincidência a eliminação do Newell’s Old Boys, em Rosário. Os verdolagas possuem um time muito técnico, bem superior do que a amostra fajuta dada contra os gremistas. Mais do que isso, desta vez eram empurrados por uma torcida fanática, que coloriu as arquibancadas de verde e branco para empurra seu time.

O Atlético Nacional pôde atuar como bem queria. Tinha espaços para trabalhar seu bom toque de bola, orquestrado por Sherman Cárdenas. Faltava um pouco mais de agressividade, mas os anfitriões tinham todo o tempo para si. Ameaçavam principalmente em jogadas pela linha de fundo. E iam parando em Victor. O goleiro foi praticamente perfeito no duelo. Se em 2013 o camisa 1 do Galo se consagrou pelos pênaltis defendidos, talvez sua atuação com a bola rolando seja até superior nesta campanha. Foram pelo menos quatro defesas difíceis, que evitavam o pior para os atleticanos. Mesmo quando ele errava, como em uma saída de gol no inicio do segundo tempo, dava sorte de ver o adversário não acertar o alvo.

Victor

E a postura do time de Paulo Autuori era completamente permissiva. Se Cuca encaixou peças que sabiam se defender, a equipe atual do Atlético é bem mais limitada, contente em sitiar o arredor de sua área para tentar afastar os adversários. Sobretudo, desorganizada. Claro que não deu muito certo. A saída de bola dos mineiros era inexistente, com um Ronaldinho que teve apenas lampejos, além de Jô e Diego Tardelli muito isolados. Durante 90 minutos, foram míseras duas finalizações. A primeira, só no fim do primeiro tempo, cruzou a pequena área e não entrou por centímetros. Já a outra, na reta final do confronto, teve o goleiro Armani dando sua resposta a Victor ao fazer também uma grande defesa.

Somente nos acréscimos é que a pobreza de espírito do Atlético Mineiro foi punida. Sherman Cárdenas só não era o melhor em campo porque Victor fechava o gol. Algo que o maestro do Atlético Nacional reverteu aos 46 minutos do segundo tempo. Sem arriscar tanto até aquele momento, o meia resolveu tentar a sorte pela última vez. Acertou um chutaço de fora da área, que encobriu Victor (em um posicionamento que não era dos melhores) e morreu nas redes. A justiça por tudo que os verdolagas tinham criado, o domínio evidente em Medellín.

A derrota por um gol de diferença não é o fim do mundo para o Galo, embora um mísero tento do Nacional já complique um pouco. A questão maior é a postura da equipe. Mesmo invicta na Libertadores até então, os comandados por Paulo Autuori não convencem. Tanto pela falta de atitude, como pela própria fluidez entre os jogadores, que não estão na melhor forma. A exceção é Victor, que, por enquanto, vai acumulando mais agradecimentos em seu altar alvinegro. Se o próprio elenco não buscar a mudança, em um coletivo que não funciona e que faz desaparecer os talentos individuais, o goleiro terá que seguir operando seus milagres. Só é difícil crer que eles, sozinhos, evitem um velório dentro do Independência.