Aos poucos, Ganso vai conquistando a torcida do São Paulo (Foto: AP)

Ganso, Muricy jogou mais que você? “Não tem vídeo, acho que ele está enrolando o pessoal”

Aos poucos, Paulo Henrique Ganso conquista a torcida do São Paulo. Depois de duas lesões sérias no joelho, talvez nunca consiga voltar ao nível de futebol que apresentou no Campeonato Paulista de 2010, quando chegou a convencer algumas pessoas de que era superior a Neymar, mas coleciona boas atuações e sabe que precisa de mais regularidade para justificar o alto investimento que o clube do Morumbi fez nele.

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A principal mudança que tenta aplicar no seu jogo é a movimentação. Ano passado, no programa Bem Amigos, do SporTV, o holandês Clarence Seedorf disse categoricamente que Ganso não teria espaço na Europa por ser um jogador muito estático e pouco participativo. O meia poderia, como tantos colegas já fizeram, mas não quis causar polêmicas. Foi humilde e prometeu aceitar as críticas e tentar mudar. “Já coloquei em prática. Hoje, a intensidade do meu jogo é muito maior”, disse.

No evento de um dos seus patrocinadores, Ganso foi paciente o suficiente para tirar fotos com todos os e depois conversou com a imprensa. Um discurso sempre muito bem calculado. Não é tão generalista para os repórteres bocejarem, nem tão polêmico para o seu assessor perder os cabelos. Frases curtas, muito claras, mas sem grandes detalhes. O único momento em que se soltou um pouco mais foi ao responder uma pergunta exclusiva da Trivela sobre a declaração de Muricy Ramalho, que alegou ter jogado mais bola que todos os jogadores de frente do São Paulo.

O que você achou da declaração do Muricy dizendo que ele jogava mais que todos vocês?

Não tem vídeo, não tem foto. Não sei não. Acho que ele está enrolando o pessoal (risos). É um cara super do bem. Tenho certeza que jogava muita bola. Não sei se jogava mais que todo mundo. Não vi jogar, mas é um cara que ensina muito bem e uma pessoa gente boa demais.

Ano passado, Seedorf falou que você não jogaria na Europa, e você respondeu que aceitaria as críticas e colocaria em prática. Já colocou?

Já coloquei em prática. Hoje a movimentação é muito maior, a intensidade do meu jogo é muito maior também. Para melhorar, não só a minha carreira, mas o São Paulo também.

Como vai ser jogar com Pato, Ganso e Luis Fabiano. Você se habilita mais a marcar?

Isso nos treinamentos nós vamos posicionar bem os três. Ainda tem o Osvaldo para ajudar. Posicionar a equipe mais para frente, ocupar os espaços. Roubar a bola mais próximo do gol para a gente fazer a coisa ali mesmo.

Você ainda consegue aprender a marcar depois de tanto tempo de carreira?

Não precisa aprender a marcar. É mais ocupar os espaços, posicionar bem para roubar as bolas mais próximas do gol adversário.

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Contra o CSA, você jogou mais aberto pela direita. Você se sentiu confortável naquela posição?

Eu me senti confortável, sim. Antes eu jogava mais centralizado, mas joguei aberto pela direita, pude encostar mais no Luis Fabiano e ajudar o Pato, mais pela esquerda, mas próximo do meu jogo também.

Muricy já falou sobre isso?

Ele já falou para a gente antes do jogo da Copa do Brasil, arrumou a forma de jogar, e ele vai treinar ainda mais para a estreia no Brasileirão.

Como você analisa o seu começo de ano?

Estou muito bem, mas a gente sempre quer melhorar. Tem o Brasileirão, a Copa do Brasil, para a gente brigar pelo título. Estou melhorando.

Você acha que consegue chegar ao nível que atingiu no Santos, quando foi campeão da Libertadores?

O Santos era outro time. O São Paulo é outra equipe, outros jogadores. Para melhorar sempre, precisa de bastante treinamento. Graças a Deus hoje, estou sem lesões nenhuma. Vai fazer dois anos sem lesões. Importante é manter esse ritmo e melhorar sempre.

Quando começou no Santos, você era bem mais magro. Você ainda faz esse tipo de trabalho?

Na verdade, não é comer mais, é se alimentar na hora certa, com o que a nutricionista passa. Tem o suplemento que a gente toma, o dia certo para fazer academia, para estar bem preparado. Estou no peso ideal, pela idade e pelo peso ideal.

Quanto você engordou?

Ganhei uns cinco quilos, só de massa, não foi gordura. A ideia é manter porque se eu pegar mais quilos, começo a ficar pesado e perder mobilidade.

Ganso teve algumas oportunidades, mas nunca foi o camisa 10 que se esperava na seleção (Foto: AP)

Ganso teve algumas oportunidades, mas nunca foi o camisa 10 que se esperava na seleção (Foto: AP)

Há dois anos, todo mundo dava você e o Pato como certos na seleção para disputar a Copa do Mundo. Agora, juntos, vocês podem se ajudar a chegar à seleção?

Sem dúvida. Perdemos um ano, com muitas lesões, agora os dois recuperados, atuando junto. Esperamos fazer uma boa dupla, para já pensar na seleção de novo, em 2018.

Você esperava, neste momento, estar se preparando para jogar a Copa?

Esperava, sim, estar me preparando para a Copa, com o grupo, mas são fases do futebol que acontece. Eu sou novo, ainda tem muita coisa boa para acontecer na minha carreira.

Você ainda tem esperança de jogar a Copa de 2014?

Copa não, é difícil. O grupo já está fechado, os jogadores já sabem quem vai estar na lista. O negócio é torcer por eles e pensar na próxima.

Como fica sua cabeça? Porque essa Copa será no Brasil. Como você faz para se motivar e deixar isso de lado?

A tristeza pela Copa ser aqui no Brasil. Era uma oportunidade única, mas a cabeça eu tenho que pensar que sou novo, ainda tem muita coisa na carreira e voltar a ter atuações convincentes para voltar à seleção.

Que análise você faz do elenco do São Paulo?

Acho que o São Paulo demorou para achar uma forma de jogar, mas este ano já está encontrando. Vai estar preparado para a Copa do Brasil.

Queria que você falasse um pouco da saída do Juvenal.

Ele estava sempre nos jogos, no CT. É uma pessoa do bem, que fez muita coisa boa para o São Paulo e para mim também, particularmente. Fico feliz de ter chegado no São Paulo com ele como presidente. Uma pena ter essa saída.

Agora muda alguma coisa quando acabou as eleições?

A gente não procura participar dessas coisas, não, apenas espera a hora de cidir o próximo presidente, a gente conhecer e que ele possa estar junto com a gente nesses campeonatos.

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Mudou alguma coisa no São Paulo depois que o Rogério Ceni anunciou que vai se aposentar?

Até agora ninguém pensa nisso, infelizmente o Rogério vai se aposentar. Ninguém procura pensar, apenas treinando com ele no dia a dia, aproveitando um momento único de treinar com um dos melhores goleiros do mundo.

A gente vê o Barcelona, principalmente na imprensa espanhola, que o Neymar, às vezes é craque, às vezes não presta. O que você fala com o Neymar? Existe um racha? Que que ele fala?

Não está em um momento muito bom, ainda mais perto da Copa. Não tem isso de racha de ninguém gostar dele. É impossível não gostar dele. É um menino super tranquilo, humilde, fazendo seu melhor pelo Barcelona. Claro, há um período de adaptação, todos os jogadores do Barcelona estão ajudando ele.

Havia uma desconfiança com você, de ser um jogador que não vibrava, mas você já conseguiu conquistar um pouco a torcida do São Paulo. O Pato sofre as mesmas críticas. Você chegou a falar com ele sobre isso?

Acho que isso é mais pelo estilo de jogo dele. As pessoas falam que ele não é vibrante, mas quem vê os treinamentos dele, vê que é um menino que está se esforçando muito. E fazendo gols, tendo boas atuações, com certeza vai cair nas graças da torcida.