Ricardo Gareca, novo técnico do Palmeiras (Foto: AP)

Gareca preferiu a Colômbia à Europa: foi trivice da Libertadores e deixou de ganhar a Copa

Ricardo Gareca, novo treinador do Palmeiras, não era um craque, mas sabia bater na bola. Foi um bom atacante, que marcou mais de duzentas vezes na carreira e disputou 20 partidas pela seleção argentina. Em 1985, pouco depois de uma transferência polêmica do Boca Juniors para o River Plate, recebeu uma proposta para defender o Atlético de Madrid e a recusou. Preferiu o América de Cali e a Colômbia.

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Em entrevista à Revista del América, Gareca tenta explicar a decisão, mas ele não parece muito certo dos motivos. Tanto que citou vários:

“Estava cômodo no meu país. Havia um monte de motivos para não sair. Estive a ponto de ir para o Atlético de Madrid, estava a ponto de me casar. E chegou a oferta da Colômbia. E estou contente. Aqui, posso falar com todos, Gladys sente-se bem. Gosto do clima e do ambiente. Eu tive minha oportunidade (de ir para a Europa). Não quero dizer que nunca vou aceitar, ainda tenho cinco anos de bom futebol, mas não é uma obsessão. Quando chegaram as propostas, eu as coloquei de lado. Talvez tenha vindo para a Colômbia porque é perto do meu país. E meus objetivos são ganhar a Copa Libertadores com o América. Ganhar o interclubes.”

Gareca nunca alcançou o seu objetivo. Chegou à final três vezes consecutivas com o América de Cali e bateu na trave em todas elas. Perdeu Do Argentinos Juniors, que treinaria em 2003, do River Plate, pelo qual pouco jogou em 1985 antes de acertar com o América, e do Peñarol.

Bater na trave foi uma constante na sua carreira de jogador de futebol. Fez seis gols pela seleção e dois deles chamam à atenção. Um foi na Copa América de 1983, contra a seleção brasileira. O goleiro curiosamente era Émerson Leão, lendário jogador do Palmeiras. Outro foi contra o Peru nas Eliminatórias para a Copa de 1986. Valeu a classificação da Argentina, mas o técnico Carlos Bilardo o preteriu.

“Pensei cuidadosamente. (Jorge) Valdano era uma certeza. Minhas opções eram (Sergio) Almirón, (Pedro) Pasculli e Gareca. Almirón está fenomenal, tem potência e faz gols. Pasculli me ofereceu gols nas eliminatórias, foi muito importante. Eu acho que se Gareca tivesse ficado na Argentina, seria um homem fixo na seleção”, disse Bilardo ao El Tiempo, de Bogotá.

Gareca foi convocado pela primeira vez por César Luis Menotti em 1981, mas não ficou no time para a Copa de 1982. Fez o gol da classificação para 1986 e perdeu a chance de ser campeão mundial, nas palavras de Bilardo, por ter ido para a Colômbia. Esteve próximo de uma carreira na Europa, mas ficou na América do Sul. Chegou três vezes à final da Libertadores e nunca a venceu.

O palmeirense espera que Gareca, tricampeão argentino com o Vélez, já tenha abandonado o hábito de bater na trave.

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