Estava Nicolas Anelka ofendendo os judeus ou simplesmente prestando uma homenagem ao seu amigo comediante Dieudonné M’Bala M’Bala quando comemorou um gol com o gesto La Quenelle – entenda aqui -, não importa. Os judeus ficaram ofendidos. O problema é que um deles ajuda a pagar o salário do francês, e agora o West Brom se vê em uma encruzilhada porque o principal patrocinador da sua camisa está ameaçando romper o contrato se o clube não se livrar do atacante.

A Zoopla, um site imobiliário, é co-propriedade de Alex Chesterman, um judeu, que segundo a imprensa inglesa, disse à diretoria do clube que pretende retirar o nome da empresa do uniforme do West Brom se Anelka jogar na próxima segunda-feira contra o Everton. O contrato começou em 2012 e expira ao fim da temporada.

Desde o incidente, contra o West Ham, em dezembro, o francês jogou todas as partidas do seu clube. A Associação de Futebol da Inglaterra iniciou uma investigação para apurar se houve racismo no gesto, mas a está conduzindo com a lerdeza de um Fusca 1973. O jornal The Jewish Chronicle e a campanha anti-racismo Kick It Out criticaram-na publicamente pela demora. Em contato com o jornal inglês The Guardian, o diretor técnico Richard Garlick afirmou que não vai comentar o caso enquanto a FA não concluir a sua investigação e “seria bom que ela terminasse assim que possível”. Caso Anelka seja condenado, pegaria no mínimo cinco partidas de suspensão.

O pouco inteligente ex-jogador de Real Madrid, Juventus e Arsenal não tem sido muito importante na luta do clube contra o rebaixamento – marcou duas vezes em dez partidas -, mas o West Brom ficaria bem desfalcado no ataque se tivesse que abrir mão dele, já que vendeu Shane Long para o Hull City. Por outro lado, se a ameaça da Zoopla se confirmar, vai ser difícil fechar as contas no fim do mês.

Não é a primeira vez que isso acontece no futebol inglês. Em 2011, a Umbro, principal patrocinadora de John Terry, distanciou-se do jogador quando ele foi condenado por racismo contra Anton Ferdinand, do Queen Park Rangers, e retirou as fotos do zagueiro do seu site. No ano seguinte, o banco Standard Chartered, parceira do Liverpool, criticou Luis Suárez porque ele não quis apertar a mão de Patrice Evra, do Manchester United, em outro caso notório de racismo.