Alegria, brincadeiras e um discurso que enfatizou trazer de volta os sorrisos aos torcedores. Um ambiente surpreendentemente positivo para um clube que vive uma temporada péssima para os seus padrões dos últimos 20 anos e que acabou de demitir o técnico. Mas foi esse o ambiente que Ryan Giggs deu a sua primeira entrevista como técnico interino do Manchester United. Uma entrevista cheia de boas frases, boas sacadas e com um ambiente bem leve – o que por si dá um sinal de como as coisas não iam bem com David Moyes.

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“Quando Ed [Woodward, diretor de futebol do clube] me pediu para cuidar do time nos quatro jogos estantes, eu não hesitei em dizer sim. Eu tenho que dizer que é o momento que mais me orgulho na vida. O clube tem sido a maior parte da minha vida desde que tenho 14 anos”, declarou Giggs à MUTV, canal oficial do clube. Aliás, ele já ligou para Fergusin para pedir dicas. Nada mais natural para alguém com quem esteve trabalhando tão perto por mais de 20 anos.

“Eu estou orgulhoso, feliz, um pouco nervoso, mas ainda assim como estou como jogador, eu mal posso esperar pelo jogo de sábado. Eu não posso esperar pelas 17h30 [horário de início do jogo na Inglaterra] quando nós entrarmos em Old Trafford. Eu sei o lugar que eu estarei entrando. Eu disse aos jogadores: ‘Eu confio em vocês e eu sei do que são capazes. Vão lá e mostrem isso’”.

Giggs esteve no período que o Manchester United passou de um time grande na Inglaterra para o time mais vencedor do país e um dos mais importantes do mundo. Ele sabe que o time precisa jogar melhor, um futebol mais atrativo. “Será a minha filosofia. Será a filosofia do Manchester United”, afirmou Giggs. “Paixão, velocidade, ritmo, ser corajoso, imaginação. Trabalhar duro, mas acima de tudo apreciar. Se você aprecia, você pode se expressar mais”.

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O galês ressaltou um componente que considera essencial o componente da paixão. “Nós temos três jogos no Old Trafford, onde a fase em casa não tem sido boa, e eu quero ver gols, desarmes, jogadores cegando junto em jogadores e empolgando a torcida. Eu quero a paixão que deveria vir junto com ser um jogador do Manchester United”, explicou o agora jogador/técnico. Sobre o fato de ainda não estar aposentado, o jogador ainda brincou. “Eu me dei um contrato de cinco anos”, brincou Giggs, que tem 40 anos.

“Moyes não ouviu conselhos da comissão técnica”, afirma ex-funcionário

René Meulesteen foi auxiliar técnico de Alex Ferguson no Manchester United de 2007 a 2013 muito elogiado pelo lendário técnico escocês em sua autobiografia, lançada em 2013. Deixou o clube pouco depois da chegada de Moyes, que decidiu levar a sua própria comissão técnica para o clube de4 Old Trafford. Meulesteen deu declarações importantes sobre Moyes e como o técnico não soube ouvir os conselhos de quem já estava na estrutura.

“Você precisa olhar para o Manchester United e o trabalho que David Moyes aceitou”, disse. “O United foi um time muito bem sucedido, com muitos anos de sucesso no seu passado. As estratégias em curso funcionaram. Mas David ignorou os conselhos que foram dados a ele por muitos dos membros da comissão técnica que estava lá na época”, declarou.

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“Ele optou por colocar os seus próprios planos em ação, o que ele pode perfeitamente fazer, mas eu acho que o tiro saiu pela culatra., Eu sempre acredito fortemente que os desempenhos e os resultados são um reflexo do que realmente aconteceu atrás das portas e não foi bom o bastante, simples assim”, continuou.

“Não esqueça que David foi um respeitado técnico na Premier League que trabalhou por 11 anos no Everton de um jeito muito bom. Mas eu o avisei: ‘Você entende que, depois de tudo no Everton, você está saindo de um iate para um navio de cruzeiro? Esse é o tamanho da diferença’. Não é apenas necessariamente o trabalho de campo. É tudo que envolve o Manchester United, os jogadores, o desempenho nos jogos, a pressão, o estilo, a identidade. E eu acho que ele subestimou isso. É sempre fácil fazer isso em retrospectiva, mas infelizmente isto lhe custou seu emprego”, analisou.

Os desafios de Giggs como técnico
Giggs com Van Persie: gestão do galês começou bem (Foto: Manchester United)

Giggs com Van Persie: gestão do galês começou bem (Foto: Manchester United)

No blog Talking Sport, do Guardian, Jamie Jackson falou sobre cinco pontos que Giggs deverá mudar como técnico interino do Manchester United. São pontos bastante relevantes, então resumimos aqui:

1. Estilo de jogo: Com Moyes, o Manchester United foi burocrático e teve um futebol muito ruim. A indicação de Giggs, um jogador que sempre se destacou pelo aspecto ofensivo, dá esperanças aos torcedores nesse sentido. E a escolha de Paul Scholes como auxiliar, um jogador de meio-campo criativo, ajuda a pensar em um futebol mais ofensivo, que corra mais riscos.

2. Adaptar-se: a falta de flexibilidade de Moyes foi apontado como um grande erro do escocês. Giggs deu declarações em março sobre se adaptar e criar seu próprio estilo como técnico. Foi durante seu curso para tirar a licença pro de técnico. É preciso saber se adaptar, e não ter um estilo definido sem possibilidade de adaptação. Moyes foi questionado no seu método de treinamento, teve problemas com jogadores e não soube se adaptar a eles.

3. Escalar ele mesmo: Giggs foi pouco utilizado por Moyes e, mesmo que não seja a solução para o meio-campo do Manchester United, ele pode ajudar a dar experiência e bom passe no setor. O galês escalaria ele mesmo um pouco mais do que Moyes? Ele não disse se irá colocar a si mesmo para jogar, mas é mais provável que não jogue.

4. Gestão de pessoas: Os jogadores pareceram insatisfeitos durante toda gestão de Moyes. Foram declarações do tipo: “Os outros jogadores estão ocupando o meu espaço”, disse Van Persie após a derrota para o Olympiacos. Saber deixar os jogadores felizes é uma tarefa crucial para qualquer técnico. E como diz o post, será difícil ser pior nesse quesito que Moyes.

5. Aproveitar o ambiente de Old Trafford: Jogar em casa sempre foi algo positivo para o Manchester United, mas se perdeu nesta temporada. Giggs sabe como poucos como o ambiente do estádio do time pode ser importante para empurrar a equipe e pode passar isso aos jogadores.

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