Giovani dos Santos é um nome que sempre soa como um fracasso, ao menos para os brasileiros. Para a seleção mexicana, não é. Ele é um dos jogadores que sofreu na má fase do time, que capengou nas Eliminatórias, mas que teve outra chance dada pelo técnico Miguel Herrera e voltou a ser uma figura-chave da seleção. Neste primeiro jogo da Copa do Mundo, foi assim. O camisa 10 foi importante para o time, participou bem do jogo e, apesar de não ter marcado o gol, participou dele. A vitória por 1 a 0 sobre Camarões tem a marca de Giovani dos Santos.

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Sim, é verdade, Gio, como é conhecido no México, nunca conseguiu estar à altura das expectativas que se criaram sobre ele. No Barcelona, era considerado um novo Ronaldinho, pela semelhança física e a habilidade com a bola nos pés. Nunca foi, não se firmou e deixou o clube. Nem no Tottenham, por onde também passou, conseguiu mostrar que poderia ser um jogador importante em um time grande. Desde que voltou à Espanha, porém, tem se destacado, tanto no Mallorca quanto no Villarreal. É um atacante habilidoso, criativo, e é desses jogadores que cresce na seleção. Foi campeão mundial sub-17 em 2005, ganhou a Copa Ouro duas vezes (2009 e 2011), além do título mais importante, a medalha de ouro nas Olimpíadas de Londres, em 2012.

No primeiro tempo do jogo contra Camarões, ele marcou dois gols. Pena que o juiz não permitiu que os dois fossem validados. Em dois impedimentos mal marcados – o segundo um lance inacreditável de tão ridiculamente mal marcado – , o México acabou muito prejudicado e sem dois gols que lhe dariam uma vantagem confortável para o segundo tempo. E não dá para dizer que não fez falta, mesmo com a vitória, porque além do time ter que se esforçar até o fim do jogo para segurar a vantagem de um gol, ainda pode ser decisivo no saldo de gols, que será o critério usado em caso de empate entre os dois times. Mas, ao menos, a vitória mexicana saiu.

Giovani dos Santos participou de muitos lances importantes no ataque mexicano e o gol veio em um lançamento para ele, que chutou de pé direito, o goleiro defendeu e Oribe Peralta mandou para dentro. Do meio do segundo tempo em diante, o México recuou, já sentindo um pouco do desgaste físico, e o camisa 10 também apareceu menos. O time sofreu um pouco no final, mas conseguiu manter o 1 a 0. Ele era uma referência do time no ataque, em um jogo que tecnicamente ficou devendo muito. A chuva pode até ter atrapalhado, mas os dois times estão muito aquém do que já foram um dia.

O camisa 10 do México é o jogador diferente do time. Aquele que gosta de chamar a responsabilidade. Para uma equipe como a do México, que ainda está longe de ser organizada e forte, ter alguém forte individualmente será fundamental. Mas, para isso, Gio terá que vencer um dos seus grandes problemas na carreira: regularidade. Ele foi o principal jogador do time neste primeiro jogo da Copa do Mundo. Terça-feira o jogo é com o Brasil. Será preciso que ele, e o time, tenham uma atuação melhor.

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