Diego Godín sempre foi um bom zagueiro. Nunca dos mais badalados, é verdade. Começou no Cerro e fez uma escala no Nacional antes de rumar ao futebol europeu. Um sucesso local que também foi suficiente para que chegasse à seleção do Uruguai em 2005, um ano antes de Óscar Tabárez assumir o comando e torná-lo opção fixa na área. Mesmo assim, Godín era só mais uma peça na zaga ao lado do capitão do Diego Lugano, ou até mesmo perdia espaço para Sebastián Coates, como na reconquista Copa América. No entanto, 2014 é definitivamente um ano glorioso para o camisa 3.

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Pelo Atlético de Madrid, Godín se eternizou. Marcou o gol do título de La Liga em uma partida nervosa contra o Barcelona. Reverteu o que poderia ter sido uma enorme frustração para os colchoneros, transformando na maior alegria em anos. E quase repetiu o feito na final da Liga dos Campeões, quando uma cabeçada certeira também dava o título contra o Real Madrid – até Sergio Ramos mudar o destino daquela final. Na Copa do Mundo, outra vez, a sorte esteve ao lado do zagueiro-herói.

Godín não começou bem o Mundial. Ao lado de Lugano, foi desastroso na estreia contra a Costa Rica, sem velocidade para acompanhar Joel Campbell e os rápidos homens de frente dos Ticos. Mas a saída do capitão, de certa forma, acabou beneficiando seu parceiro de zaga. Godín herdou a braçadeira e ganhou a companhia de José María Giménez, jovem promessa do futebol uruguaio e seu parceiro de clube.

Giménez foi, na Celeste, o Miranda que Godín possui no Atlético de Madrid. O zagueiro de 19 anos, que menos de um ano atrás disputava o Mundial Sub-20, não sentiu o peso da camisa. Demonstrou vitalidade e ótimo senso de posicionamento, não desgrudando dos atacantes italianos. Ajudou Godín a fazer seu trabalho ainda melhor, seguro nos lances mano a mano e nas bolas pelo alto.

Jogo aéreo que, mais do que uma força de Godín na zaga, é o seu diferencial no ataque. O camisa 3 não deu uma cabeçada certeira como aquelas pelos colchoneros, contra Barcelona e Real Madrid. Usou novamente a sua boa estatura e a sua impulsão para subir, mas na confusão na área acabou dando as costas para a bola. O suficiente para que ela batesse em seu ombro e entrasse, vencesse Gianluigi Buffon no contrapé.

Godín não é o zagueiro mais técnico do mundo. Ninguém pode negar que, mesmo assim, ele está entre os melhores de sua posição. O diferencial é a sua vontade, a entrega a cada bola. E, é claro, a forma como ele consegue ser decisivo em suas subidas ao ataque. Em toda a carreira, o camisa 3 marcou 30 gols, nove deles apenas nesta temporada. O suficiente para dar um título a seu clube e para ressuscitar sua seleção na Copa do Mundo, classificando para as oitavas de final. O fantasma de 50 segue vivo graças ao espírito guerreiro de Godín.