* Por Vinícius França

A goleada de 4 a 1 aplicada pelo Columbus Crew sobre o New York City na noite da última terça-feira, pelos playoffs da MLS, parece ter adicionado notas melancólicas ao canto do cisne da franquia enquanto sediada em Ohio. Simultaneamente, a equipe vive uma fase prodigiosa dentro de campo e uma turbulência sem precedentes nos bastidores, com os rumores da mudança para o Texas sendo cada vez mais fortes. Por tudo isso, a maneira encontrada pelos Black & Gold  para defender sua terra prometida resultou numa das festas mais bonitas já vistas na liga norte-americana, bem como num dos resultados mais contundentes dos mata-matas até o momento.

A vantagem conquistada pelo Columbus na ida das semifinais da Conferência Leste, além de ser obviamente de grande valia para o reencontro decisivo em Nova York, no próximo fim de semana, pode marcar o início da caminhada para o título da MLS Cup deste ano. Com toda a especulação sobre mudança, inflada por Anthony Precourt, atual investidor majoritário do clube, não haveria resposta melhor que um troféu para fazer com que a mesa diretora rediscuta as necessidades mercadológicas da franquia e olhe com mais carinho para o legado construído em 23 anos de história, antes que chegue o momento de bater o martelo sobre a mudança.

E em mais de duas décadas na ativa, o Crew, nada menos que um dos fundadores da liga, tem uma sólida trajetória a ser protegida. Na balança da realocação, devem entrar os cinco êxitos de nível nacional alcançados (uma MLS Cup, três Supporters’ Shields e uma Lamar Hunt Cup) e a criação de uma cultura de futebol extraordinariamente marcante na cidade. O fã de esportes de Columbus encontrou na franquia um desafogo para o peso esportivo representado por Cleveland sobre a capital do estado. Se trata de um laço de pertencimento que não pode ser ignorado em uma decisão administrativa. Por mais que seja possível compreender os anseios de Precourt envolvendo Austin, remover os Canários de Ohio significaria um desrespeito de grandes proporções à caminhada que elencos e torcida enfrentaram de 1994 até aqui.

Por isso, a goleada e a campanha a um possível bicampeonato nacional neste conturbado 2017 talvez sejam vitais para relembrar aos dirigentes a força e a representatividade do Crew enquanto parte da comunidade de Columbus. Os gols de Kamara e do brasileiro Artur no placar de 4 a 1 serviram para sacudir o Mapfre Stadium, honrar o suor de lendas como McBride e Schelotto e acima de tudo, permitir aos fãs que gritassem a plenos pulmões: “For Columbus!”. A corrida pelo orgulho local certamente está longe de ter um final.