A goleada por 4 a 0 sobre a Noruega deu um pouco mais de conforto a Didier Deschamps sobre suas escolhas. No amistoso preparatório para a Copa do Mundo, o treinador teve uma boa demonstração do que pode esperar dos Bleus no Mundial. Mesmo sem ter grandes líderes dentro do elenco, o grupo demonstrou grande confiança e, mais importante, segurança durante toda a partida.

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Diante dos noruegueses, Deschamps não contou com três dos pilares da equipe – Hugo Lloris, Franck Ribéry e Karim Benzema. A ausência de um trio deste quilate seria motivo de pavor em outros tempos e o prenúncio de uma hecatombe, mas os Bleus souberam contornar estas baixas sem maiores sustos. Na história recente da seleção, nunca um treinador chegou às vésperas de uma competição tão importante com tantas certezas, com a parte tática ajustada e alternativas a diferentes posições que se mostram eficientes.

DD sabe que pode contar com Stéphane Ruffier, Antoine Grieznman ou Olivier Giroud em caso de emergência. Aliás, os dois gols marcados pelo atacante do Arsenal lhe deram a dose de confiança necessária para se convencer do seu valor. Apesar da pouca experiência com a camisa azul, Griezmann também deixou o nervosismo de lado e cumpriu bem seu papel pelo lado esquerdo do ataque. Claro que uma partida de Copa do Mundo tem um ambiente completamente diferente, mas é animador ver um clima bastante positivo dentro deste elenco, ao contrário do visto no último Mundial.

Deschamps tem clara sua linha de direção quanto à tática dos Bleus. Desde a repescagem contra a Ucrânia, o treinador fechou com o 4-3-3 e, principalmente, está com um meio-campo que tenta compensar a falta de um pensador com a entrega do incontestável trio formado por Cabaye, Pogba e Matuidi. Na defesa, os franceses completaram seu terceiro jogo sem levar gols, o que pode ser um alento para quem estava preocupado com uma possível instabilidade deste setor.

Esta formação permite a Pogba exibir todo o seu talento. Contra os noruegueses, foram necessários apenas 45 minutos para ele provar sua importância vital para este time. E não foi apenas pelo gol marcado; o meio-campista encheu os olhos dos espectadores com bons passes e uma frieza incomum para quem disputou somente oito jogos pelos Bleus. Para completar, Pogba provou estar em excelentes condições físicas, mesmo depois de uma temporada tão desgastante pela Juventus.

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A goleada sobre os noruegueses também trouxe bons ventos a Mathieu Valbuena. Mesmo vindo de uma temporada difícil no Olympique de Marselha, ele tem dado a volta por cima quando veste a camisa dos Bleus. Valbuena demonstrou se sentir à vontade tanto pelo lado direito como nas vezes quando atuou mais centralizado. As melhores provas de sua atuação destacada ficam pelas três assistências, além de sua intensa participação nas demais jogadas ofensivas dos franceses.

Como sempre, alguém pode questionar se a Noruega realmente pode ser considerada com um adversário que realmente testaria a seleção francesa. Nas quatro últimas partidas contra os escandinavos, os Bleus empataram duas vezes e perderam outras duas. E, desta vez, os comandados de Deschamps pisaram fundo no acelerador desde o pontapé inicial, sem dar qualquer respiro aos visitantes. A resposta do público ilustra bem este momento pré-Copa: considerado como um estádio “frio”, o Stade de France se inflamou como um autêntico caldeirão. Nenhum termômetro seria melhor para indicar o nível de confiança para a disputa do Mundial.

Cara nova no Bordeaux

Por várias semanas, o Bordeaux dominou as notícias do mundo das especulações na Ligue 1. Afinal, o interesse do clube em contratar ninguém menos do que Zinedine Zidane para treinar os girondinos na próxima temporada não pode passar incólume. O sonho de contar com Zizou fracassou, mas os Marine et Blanc acertaram com outro ex-jogador da seleção francesa: Willy Sagnol.

Aos 37 anos, Sagnol terá sua primeira experiência como técnico de uma equipe profissional. O ex-lateral terá como missão suceder Francis Gillot e, bem mais complicado, recolocar o Bordeaux em condições de disputa de vagas por competições europeias. Sétimo colocado na Ligue 1, o time passou longe até da classificação para a Liga Europa e pouco incomodou nesta temporada.

O início de carreira de Sagnol como treinador traz uma comparação inevitável – e uma grande responsabilidade também. Em 2007, um ex-jogador da seleção francesa teve sua primeira experiência como técnico de uma equipe profissional e foi muito bem-sucedido em sua passagem pelo Bordeaux: Laurent Blanc. Seu ponto alto no clube foi a conquista da Ligue 1 em 2008/09, o que o catapultou ao posto de treinador dos Bleus.

Sagnol não chega so Marine et Blanc como um completo novato. Há dois anos e meio, ele ocupava o cargo de manager das seleções de base da França, e há um ano era o treinador do time sub-23 – com um currículo invicto: foram seis vitórias e dois empates. E foi justamente este trabalho com jovens atletas que chamou a atenção do Bordeaux e foi decisivo para sua contratação.

Os dirigentes girondinos procuravam um treinador que valorizasse os jovens talentos revelados pelo clube e estivesse disposto a lhes dar oportunidades na equipe. Sagnol, que assinou contrato por três temporadas com os Marine et Blanc, encaixa-se como uma luva neste perfil. Resta saber se o raio cairá duas vezes no mesmo lugar e o ex-lateral seguirá os passos de Blanc.