Alexandre Gallo tem explicações a dar. Responsável pelas categorias de base da seleção brasileira, o treinador precisa vir a público para esclarecer o que foi a atitude lamentável do time sub-15 cebeefiano durante a final do torneio Nike Friendlies, nos Estados Unidos. Enfrentando os anfitriões, os brasileiros jogaram com a equipe remendada, principalmente na zaga, e acabou derrotada por 4 a 1. O resultado em si já é digno de espanto, mas pior ainda foi a postura da Seleção nos minutos finais.

Com a desvantagem no placar e dois jogadores expulsos – um deles aos 40 minutos do primeiro tempo, ambos com cartões vermelhos diretos –, o Brasil sub-15 simplesmente parou em campo, literalmente. Faltando alguns minutos para o final do jogo, os norte-americanos tinham a posse de bola na zaga, e os jogadores brasileiros não mexeram um músculo para tomá-la, sequer passando da linha de meio de campo. E assim ficaram por aproximadamente cinco minutos, até que o juiz apitasse o final da partida. Parados, sem nenhuma ação. Não é exagero, como o vídeo abaixo mostra.

Não há nenhum cenário em que a postura brasileira seja justificável. Ainda assim, é preciso apurar os motivos pelos quais os garotos praticaram tal atitude antidesportiva. Nem um placar hipotético de 10 a 0 para os Estados Unidos seria razão para a equipe desanimar a ponto de não se mexer. Apesar de isolado e sem tanta evidência, este episódio mancha a imagem da seleção brasileira e coloca em xeque o trabalho de Gallo.

No site da CBF, o texto diz: “Na volta para o segundo, os meninos do Brasil lutaram, mas com um a menos em campo e toda a pressão externa da torcida, a partida naturalmente ficou mais difícil. Resultado: os anfitriões souberam tocar a bola e construíram a vitória por 4 a 1″. Parece piada, né?

A reportagem tentou contato com Alexandre Gallo, mas o celular do treinador caiu na caixa postal.

Atualização (17h24): Em entrevista à Rádio Globo, Gallo descartou qualquer tipo de problema ou protesto que justificasse a postura da seleção. “Eram 44 minutos (sic) aproximadamente, e tivemos mais um jogador expulso. Os Estados Unidos pararam no jogo, começaram a trocar passes na defesa, não tinha como atacar com dois jogadores a menos. (…) Não tínhamos por que atacar mais e aguardamos justamente para não ter um placar mais elástico.” Perguntado se realmente não havia outro motivo, foi enfático: “Absolutamente nada além disso”.