Seria um domingo diferente ao Arsenal. Um domingo como não se viu nos últimos 22 anos e que, por muito tempo, pareceu distante. A era de Arsène Wenger, no entanto, claramente estava próxima do adeus. E a admissão do fim do casamento deixou de lado as críticas para retomar o amor, em forma de gratidão, pela revolução que o técnico proporcionou durante parte destas duas décadas. Nas arquibancadas, diversas homenagens, embora se esperasse uma atmosfera mais explosiva no Estádio Emirates. A explosão, no fim das contas, acabou provocada pelos próprios Gunners. Em um final de jogo intenso, os anfitriões evitaram a surpresa do West Ham e buscaram a goleada por 4 a 1. Vitória com a evidente influência de Wenger. Apesar da escalação inicial contestável, ele privilegiou a ofensividade e mereceu a ovação ao apito final.

A apatia recente do Arsenal atrapalhou a recepção calorosa a Arsène Wenger. O Emirates seguiu com muitas cadeiras vazias, como de costume nas últimas rodadas. Antes que o jogo começasse, os gritos ao velho comandante foram um tanto quanto tímidos, segundo os relatos. Mais perceptíveis eram as camisas com seu nome, os cartazes o agradecendo, os torcedores que estavam lá também para honrá-lo. E a tarde seria marcante, pela maneira como a partida se desenrolou.

O primeiro tempo, afinal, não mostrou nada muito diferente do Arsenal que decepciona nesta temporada. Se alguém imaginava que os jogadores se empenhariam mais para celebrar Wenger, isso caiu por terra logo durante os primeiros minutos. Os Gunners eram improdutivos ofensivamente, sem criar grandes oportunidades para marcar. Pior, o West Ham conseguiu ser mais perigoso, inclusive com Cheikhou Kouyaté triscando a trave. Pior, pouco antes do intervalo, os anfitriões perderam Mohamed Elneny. O egípcio virou o pé e saiu de campo carregado na maca, escondendo as lágrimas e gerando uma preocupação óbvia.

Logo no início da segunda etapa, o Arsenal se aproximou de uma vitória dramática. Granit Xhaka cobrou escanteio e Nacho Monreal acertou belo chute, abrindo o placar aos seis minutos. Todavia, o West Ham, correndo riscos na parte inferior da tabela, pressionou em busca do empate. As entradas de Chicharito Hernández e Manuel Lanzini deram novo vigor aos Hammers. Em meio a boas oportunidades, o gol saiu aos 19, em arremate cruzado de Marko Arnautovic que morreu no canto de David Ospina.

Enfim, o Arsenal acordou. Wenger colocou Pierre-Emerick Aubameyang no lugar de Alex Iwobi, para o gabonês mudar a partida. E, partindo ao abafa, os Gunners arrancaram a vitória com certas sobras. De início, Joe Hart tentou impedir. O goleiro da seleção operou dois milagres, buscando duas finalizações no cantinho. Acabou traído pelos próprios companheiros. Aos 37, Aaron Ramsey marcou o segundo em cruzamento fechado, que a zaga não cortou. O terceiro veio aos 40, em bomba desviada de Alexandre Lacazette. Por fim, melhor em campo pela maneira que se apresentou ao jogo, o francês fecharia a conta aos 44. Boa jogada de Ramsey para que o atacante cortasse a marcação já no domínio, antes de bater no canto.

A torcida despertou ao longo da partida. Já vinha oferecendo mais energia, principalmente a partir do segundo tempo. E a reação tardia do Arsenal serviu para que o estádio vibrasse muito mais juntamente com o time. Ao final, as lembranças a Wenger. O nome do treinador foi gritado e cantado pela multidão. Saiu festejado, enquanto os cartazes pipocavam ainda mais nas tribunas do Emirates. As homenagens deverão se repetir nas próximas semanas. A emoção maior deverá acontecer em 6 de maio, quando os Gunners fazem seu último jogo em casa pela Premier League – em confronto direto com o Burnley.

Sexto colocado, o Arsenal soma 57 pontos, agora quatro de vantagem sobre o Burnley, que apenas empatou com o Stoke City neste domingo. Ainda precisa se garantir na Liga Europa. E o torneio continental será o foco dos próximos dias, com o primeiro encontro com o Atlético de Madrid, em Londres, na quinta-feira. Bem mais abaixo na tabela, o West Ham ocupa o 15° lugar, seis pontos acima do Z-3. No que poderia ser a redenção de Joe Hart, a partida terminou mesmo com a felicidade de Wenger. Depois de tudo e apesar de muito, ele merece um adeus digno pelo tanto que fez.