Americanos assistem a jogo da Copa em um bar de Nova York (Caio Maia/Trivela)

Enquanto isso, nos EUA, já pode se sentir: Gonna have Copa, yes!

NOVA YORK – “Você se importa se a gente falar antes das cinco e meia? É que as seis tem o jogo e a gente vai fazer uma festinha aqui no escritório para assistir.” Não, amigos, nós não estamos em São Paulo, Porto Alegre ou Natal. Nem em Londres, Milão ou Munique. Trata-se de Nova York, e o escritório em questão é nada menos do que o do Brooklyn Nets, da NBA. É isso mesmo: hoje às cinco e meia o trabalho vai parar para as pessoas assistirem uma partida de futebol. Se alguém tinha alguma dúvida de que o futebol “pegou” nos Estados Unidos, como dizem umas 30 ou 40 matérias que li por aqui nestes tempos, esta é mais uma prova.

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É minha primeira Copa nos EUA – minha primeira Copa fora do Brasil, na verdade. Não tenho como comparar com as anteriores, mas todo mundo diz que a coisa vem num crescendo. Há 15 anos, mesmo apenas uma Copa depois da que aconteceu por aqui, poucos pararam para ver a Copa da França. Na Copa da África, porém, já se sentia que a coisa tinha mudado de vez. Em 2014, ninguém pode estar alheio a ela: é clima de Copa do Mundo que disputa espaço até com o jogo final da NBA.

Não sei se no interior de Oklahoma a coisa é assim, mas certamente não é só em Nova York, a cidade internacional por excelência. Até porque, hoje em dia não são mais só os “internacionais” que param para ver o futebol. Na quinta-feira, dia da abertura do evento, via-se mais camisas do Brasil pelas ruas do que dos Yankees ou Knicks em dia de jogo destes times. Muitos eram brasileiros, claro, mas não a maioria.

Em maio o clima de Copa já dominava a cidade. Lojas de artigos esportivos e bares já traziam os anúncios ou de jogos ou de camisas das equipes. No pedaço em que moro, a totalidade dos bares e restaurantes que têm TV anunciam que estão passando todos os jogos da Copa.

Não bastasse isso, um rápido olhar na estrutura que a ESPN montou para o torneio deixaria ainda mais clara a importância que a emissora – que nos EUA, como se sabe, é um gigante, praticamente uma Globo em termos proporcionais – está dando ao futebol.

Não é só a ESPN. Antes da Copa do Mundo a grande notícia futebolística era a Premier League na NBC – a emissora pagou uma bala pra tirar o Inglesão da ESPN, e está exibindo mais jogos na TV aberta do que as nossas TV a cabo exibem. E com boa audiência. A Sports Illustrated, maior revista de esportes dos EUA, agora tem um blog exclusivo de futebol, com os especialistas da casa – entre eles Grant Wahl, conhecido de alguns brasileiros pelo livro que escreveu sobre Beckham e por tentar uma candidatura fanfarrona à presidência da Fifa.

Nas ruas, claro, o clima é completamente diferente do clima de qualquer país boleiro. A vida segue normalmente, e durante a semana você talvez pudesse achar que nada diferente está acontecendo no planeta. Mas na hora que você entra nos “consulados”, os bares alemães, portugueses ou argentinos, é Copa do Mundo como se fosse “de verdade”. No restaurante português, menor, a torcida praticamente só usa camisolas de Cristiano Ronaldo. Lotado bem antes do começo do jogo, o restaurante abriga na entrada bastante gente que, em horário de almoço, quer pegar um pedaço do jogo ou só saber quanto está o placar – e aí vale desde advogados engravatados até pedreiros com a roupa da obra ainda. No bar alemão, claro, o clima já é outro, até pelo tamanho. Ali, há camisas de Portugal mas, claro, prevalecem as da Alemanha. Há, porém, numerosas camisas da seleção americana. A sensação é de que muita gente vai começar a beber já, e ficar ali até a hora do jogo.

Por aqui também o clima é de que essa tem sido a melhor copa dos últimos tempos, se não de todos os tempos. Para os americanos, não poderia ser melhor. Sim, eles sabem que o grupo é forte, e que o time deles talvez seja o pior do grupo. Mas… eles são americanos. Quando você ganha de todo mundo o tempo todo em quase tudo, é quase inevitável uma sensação de que  sempre é possível ganhar. Se provavelmente ninguém acredita que dá pra ganhar da Alemanha titular, todos confiam em bons resultados nos outros dois jogos – e na possibilidade de beliscar uns pontinhos contra os reservas da Alemanha, que deve chegar ao último jogo já classificada, provavelmente em primeiro do grupo.

Vai ter Copa nos EUA também. Começa daqui a pouco.