Alguns clubes do futebol do estado do Rio de Janeiro podem nem ser grandes quanto o quarteto carioca, mas esbanjam tradição. E um deles viu sua espera acabar neste sábado. Depois de 25 anos nas divisões inferiores do Campeonato Carioca, o tradicional Goytacaz conquistou o acesso à elite estadual, e da melhor maneira possível: justamente no clássico Goyta-Cano, derrotando o Americano por 1 a 0, com gol aos 44 minutos do segundo tempo, numa partida em que o rival de Campos tinha a vantagem do empate. O gol do prata da casa Luquinha enlouqueceu a torcida alvianil, que precisou viajar mais de 200 quilômetros até Nova Friburgo, onde foi realizada a partida, no campo neutro do estádio Eduardo Guinle – já que o Americano vendeu seu estádio, o Godofredo Cruz. Com o acesso do clube da Rua do Gás, a cidade de Campos volta a ter representante na elite carioca pela primeira vez desde 2012, quando do rebaixamento do Americano.

As duas equipes, que fazem o clássico de maior rivalidade do interior do estado do Rio, já haviam se enfrentado em outro mata-mata na Série B1 em julho, na semifinal da Taça Santos Dumont, equivalente ao primeiro turno. Na ocasião, o Goytacaz também levou a melhor, vencendo por 2 a 1 em seu estádio Aryzão, classificando-se para a decisão do turno, o qual conquistaria. No returno, chamado Taça Corcovado, os dois rivais empataram em 0 a 0 pela sétima rodada da fase de grupos.

Com o acesso do clube da Rua do Gás, a cidade de Campos volta a ter representante na elite carioca pela primeira vez desde 2012, quando do rebaixamento do Americano.

O JOGO

Precisando vencer, o Goytacaz – comandado pelo veterano treinador Paulo Henrique, nome histórico da lateral-esquerda do Flamengo nos anos 60 e que disputou a Copa do Mundo de 1966 pela Seleção Brasileira – demonstrava mais nervosismo e errava muitos passes. Mas criou uma boa chance com Almir logo no primeiro minuto e chegou a acertar a trave os 25 minutos da etapa final, mas o lance já havia sido invalidado por impedimento.

Do outro lado, o Americano, que jogava pelo pela melhor campanha na soma dos dois turnos, adotou postura mais cautelosa durante a partida, mas andou perto da vitória em dois lances. No primeiro, aos 25 minutos de jogo, o lateral Rafinha recebeu passe de Jairo Paraíba e soltou uma bomba que acertou o travessão e quicou sobre a linha do gol. No segundo, já no início da etapa final, a bola passou raspando após desvio de cabeça de Flávio.

A história da partida começou a ser definida em duas alterações feitas por Paulo Henrique no segundo tempo. Aos 21 minutos, o atacante Luquinha substituiu Jefinho. E a dez minutos do fim do jogo, uma troca mais ousada. O zagueiro Mário Pierre entrou em campo no lugar do meia Leandro Cruz, mas numa função diferente: jogaria no ataque.

A mudança mostrou ter valido a pena aos 44 minutos, quando, após um levantamento, o zagueirão ganhou uma jogada pelo alto, e a bola sobrou para Luquinha vencer o goleiro Adílson e marcar o gol do acesso do Goytacaz. Na comemoração, o atacante recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso de campo. Mas o time da Rua do Gás segurou a pressão do rival e garantiu a vitória que vale o retorno à elite estadual.

A volta da tradição

Clube bastante tradicional do interior do estado do Rio de Janeiro, o Goytacaz disputou o Campeonato Carioca pela primeira vez em 1976 – como convidado, ao lado do Americano e do Volta Redonda, já que a fusão do antigo estado do Rio com a Guanabara ainda não havia se concretizado esportivamente. A mesma situação se repetiu em 1977.

A partir de 1979, já com as duas federações unificadas, o clube retornou à competição, permanecendo na elite para o ano seguinte e posteriormente entre 1983 e 1988, quando disputou pela última vez o torneio de forma integral. Em 1991 e 1992, nas duas últimas vezes em que enfrentou os grandes, participou apenas da Taça Rio, após ter conquistado o acesso no chamado “Grupo B” ao fim do primeiro turno.

O alvianil também disputou competições nacionais: participou de três edições da Taça Brasil como campeão do antigo estado do Rio de Janeiro (1964, 1967 e 1968), além de outras três do Campeonato Brasileiro, entre 1977 e 1979. Em 1985, sagrou-se ainda vice-campeão da Taça de Prata, a segunda divisão nacional da época.

Na final do Estadual da Série B1, o Goytacaz vai enfrentar o vencedor de America (campeão da Taça Corcovado) e Audax, que se enfrentam em Moça Bonita na próxima terça-feira, às 15h. A decisão do título será em dois jogos, com datas ainda a serem definidas.

 

(Foto: Rogério Nunes/FutRio)